18 de agosto de 2026
Gerais

Mulher que nasceu sem útero engravida após receber órgão doado pela irmã

Lauren Fowler está com 26 semanas de gestação após passar por um transplante no Reino Unido. O bebê, um menino, deve nascer por cesariana por volta de outubro.

Por Redação TiviNet, com informações de O Globo

Atualizado em 18/08/2026 | 09:05:00

Lauren Fowler, de 37 anos, está grávida de 26 semanas após receber o útero da própria irmã, Kelly Jagga. O transplante foi realizado em maio de 2025, no Reino Unido, e permitiu a gestação mesmo após Lauren ter nascido sem o órgão devido à síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH).


Diagnóstico precoce

Lauren descobriu a condição aos 15 anos, quando procurou atendimento médico por ainda não ter menstruado. Ela possui o tipo 1 da síndrome MRKH, no qual os ovários e as trompas de falópio são funcionais, mas há ausência do útero, do colo do útero e da parte superior da vagina.

“Eu sempre achei que crianças fariam parte do meu futuro, e descobrir aos 15 anos que não tinha útero foi como uma bomba explodindo nos meus planos”, relatou.

Em 2010, Lauren soube das pesquisas desenvolvidas pela organização britânica Womb Transplant UK. Quando o programa passou a avaliar doadoras vivas, ela conversou com Kelly, sua única irmã, que já era mãe de três filhos.


Transplante e recuperação

O transplante foi realizado em 11 de maio de 2025 e durou aproximadamente 11 horas. Embora a cirurgia tenha sido bem-sucedida, Lauren enfrentou uma complicação grave durante a recuperação.

Semanas depois, ela apresentou uma obstrução intestinal provocada por tecido cicatricial, que havia unido cerca de 50 centímetros do intestino. Foram necessárias duas novas cirurgias, incluindo uma intervenção de emergência com duração de oito horas.

Lauren permaneceu internada por mais de dois meses, recebeu transfusões de sangue e perdeu cerca de 10 quilos. Apesar das complicações, o organismo não rejeitou o útero transplantado.

Depois da cirurgia, ela também passou a menstruar pela primeira vez. Os ciclos iniciais foram intensos e, em uma das ocasiões, Lauren chegou a desmaiar devido ao sangramento.


Fertilização e gravidez

Após a recuperação, Lauren e o noivo, David Funnell, iniciaram o processo de fertilização in vitro. Os embriões haviam sido criados antes do transplante, pois ela precisaria usar medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição do órgão.

A primeira tentativa de implantação terminou em aborto espontâneo, com cinco semanas de gestação. Uma nova tentativa foi realizada e Lauren engravidou em março de 2026.

No início da gestação, ela teve um sangramento e temeu perder novamente o bebê. A gravidez, entretanto, continuou evoluindo. Desde o fim de junho, Lauren passou a sentir com mais frequência os movimentos do filho.

Por ser considerada de alto risco, a gestação é acompanhada com exames a cada duas semanas. O menino deverá nascer por cesariana por volta de outubro. Conforme o material divulgado, o parto deve ocorrer aproximadamente na 32ª semana para reduzir a sobrecarga sobre o útero transplantado.


Estudos britânicos

Lauren deverá ser a terceira mulher no Reino Unido a dar à luz após receber um útero transplantado. A primeira foi Grace Davidson, que recebeu o órgão da irmã e teve uma menina em fevereiro de 2025. Meses depois, Grace Bell teve um filho após receber o útero de uma doadora morta.

Os procedimentos fazem parte de um estudo britânico que pretende avaliar a segurança do transplante e futuramente ampliar o acesso à técnica pelo sistema público de saúde. O programa prevê 15 transplantes e, até o momento informado, cinco haviam sido realizados: dois com doadoras vivas e três com órgãos de doadoras mortas.

Segundo Richard Smith, cirurgião ginecológico do Imperial College Healthcare NHS Trust e um dos responsáveis pelos procedimentos, mais de 500 mulheres procuraram a organização interessadas no transplante.

O procedimento envolve riscos para a doadora e para a receptora. As pacientes precisam usar medicamentos para impedir a rejeição, e o útero costuma ser retirado após a conclusão do projeto reprodutivo. Mulheres submetidas ao transplante podem ter até duas gestações antes da retirada do órgão.

Lauren e David ainda não decidiram se tentarão ter outro filho. O casal pretende avaliar essa possibilidade depois do nascimento do bebê e planeja se casar no próximo ano. Ao tornar pública sua história, Lauren espera oferecer esperança a outras meninas e mulheres que receberam o mesmo diagnóstico.

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