18 de agosto de 2026
Segurança

Ginecologista é condenado a 20 anos de prisão por violência sexual contra pacientes em Maringá

Pelo menos cinco pacientes denunciaram abusos após serem atendidas por Hilton José Pereira Cardim em um escritório particular. Sentença determina também que ele deve perder o cargo público

Por G1 Paraná

Atualizado em 18/08/2026 | 12:09:00

O ginecologista Hilton José Pereira Cardim foi condenado a 20 anos de prisão por violar sexualmente pacientes no consultório particular onde atendia em Maringá, no norte do Paraná. Cabe recurso da decisão.

A condenação considerou que Cardim cometeu o crime de violação mediante fraude por ao menos cinco vezes, entre 2017 e 2023. O g1 procurou a defesa dele, que não respondeu até a última atualização desta reportagem.

Segundo a sentença, ele usava como pretexto um exame de escuta do coração e dos pulmões para se aproximar das pacientes e praticar atos de natureza sexual contra a vontade delas.

Conforme a sentença, as investigações apontaram que os exames utilizados como justificativa não correspondiam às práticas médicas normalmente recomendadas. Nesse contexto, conforme a denúncia, Cardim se aproveitou da profissão e da relação de confiança para violentar as pacientes.

Além disso, a decisão determina também que ele deve perder o cargo público que ocupa na Universidade Estadual de Maringá (UEM). O g1 apurou que o professor foi afastado das funções da universidade. No entanto, a UEM afirmou que, por se tratar de um caso em sigilo, vai se manifestar após ser notificada pela Justiça.

Por fim, a sentença define que o médico deverá pagar R$ 10 mil de indenização a cada uma das cinco vítimas dos fatos que resultaram em condenação.

Ao longo das investigações, 30 mulheres que se apresentaram como vítimas foram ouvidas. O juiz considerou que os relatos foram detalhados, coerentes e compatíveis entre si. Porém, em dois dos fatos identificados, a Justiça entendeu que não havia provas suficientes para condenar o médico. A outra parte dos casos já tinha sido extinta por conta do tempo que tinha se passado.

A Justiça considerou também que não se tratava de um único episódio, mas de crimes praticados em momentos diferentes. Por isso, a pena foi somada, e não aplicada como se fosse um crime continuado.

No início das investigações, em 2024, o médico foi preso preventivamente. Depois da prisão, dezenas de mulheres procuraram a polícia para prestar depoimento sobre condutas do ginecologista.

No curso do processo, porém, Cardim foi solto. Ele poderá recorrer em liberdade, conforme a decisão.

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