18 de agosto de 2026
Segurança

Adolescente cercado, roubado e morto a duas quadras de casa no PR: quatro pessoas são condenadas a mais de 100 anos de prisão pelo crime

Pedro Luiz Scheifer de Souza tinha 17 anos. Dois homens e duas mulheres foram condenados pelo crime de latrocínio (roubo seguido de morte), com agravante de recurso que dificultou a defesa da vítima.

Por G1 Paraná

Atualizado em 18/08/2026 | 12:03:00

Quatro pessoas foram condenadas pelo assassinato de Pedro Luiz Scheifer de Souza, adolescente de 17 anos que foi assassinado a facadas na madrugada de 21 de dezembro de 2026, um domingo, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná.

A sentença foi expedida nesta segunda-feira (18) e considerou o caso um latrocínio (roubo seguido de morte), com agravante de recurso que dificultou a defesa da vítima. Juntas, as penas somam mais de 100 anos de prisão, em regime fechado.

As investigações apontam que o estudante foi cercado pelo grupo no meio da rua, a cerca de duas quadras de casa, e foi esfaqueado ao ter o celular roubado.

Simone Ribeiro Carraro foi condenada a 30 anos de prisão. A defesa dela disse que vai recorrer da sentença porque, apesar da mulher confessar o crime, considera que o caso não se trata de latrocínio e está em busca de um julgamento justo.

Kamila Fortes de Lara foi condenada a 25 anos e 6 meses de prisão. A defesa dela disse que recebeu com surpresa a decisão proferida em primeira instância, que vai recorrer e que "permanece firme na convicção de que Kamila não deve ser responsabilizada pelos fatos que lhe foram atribuídos".

Cristian Daniel da Silva da Rocha e Luis Mateus Damas Siqueira foram condenados a 24 anos, 9 meses e 15 dias de prisão, cada um. A defesa deles alega que eles não participaram do crime de latrocínio e disse que vai recorrer da decisão ede latrocínio praticado contra a vítima Pedro Lúcio..

Todos foram presos na época do crime e permanecem detidos desde então.

O advogado Fernando Madureira, que representa os familiares da vítima, disse que embora eles estejam muito consternados com a morte e entendam que a sentença "não vai reparar nem de longe o dano sofrido à vítima nem aos seus familiares

se mostraram satisfeitos com a decisão da Justiça, considerando que a sociedade pode ter certeza que crimes dessa magnitude não podem ficar impunes".

Sentença aponta 'desproporção e covardia'

Na sentença, a 1ª Vara Criminal de Ponta Grossa considerou que o crime foi desproporcional à situação e que os condenados agiram com "covardia".

"A incidência da agravante fundamenta-se na extrema desproporção e covardia do modus operandi empregado na execução, que superam as elementares do tipo básico do roubo.

O crime foi praticado em acentuada superioridade numérica por indivíduos agindo em conluio para cercar, perseguir e subjugar um único adolescente de apenas 17 anos, aproveitando-se ainda do avançado horário da madrugada (4h11min) em via pública residencial completamente erma e escura, reduzindo a zero qualquer possibilidade de defesa ou fuga do ofendido", aponta a Justiça.

Criminosos fugiram após o crime, mas foram presos na sequência

Após cercarem, esfaquearem e matarem Pedro Luiz Scheifer de Souza a facadas, os criminosos fugiram do local do crime, no Bairro Uvaranas.

No entanto, após a análise de imagens de câmeras de segurança, uma mulher de 29 anos, suspeita de participar do crime, foi localizada no bairro Jardim Carvalho. Ela indicou à polícia que a companheira dela era a autora dos golpes de faca e informou onde a mulher, de 34 anos, estava escondida. A suspeita foi encontrada em uma área de mata.

À polícia, a mulher de 34 anos confessou que esfaqueou o adolescente. Ela também afirmou que, depois do ataque, jogou fora o celular a faca usada no crime.

A corporação localizou também dois homens, de 22 e 26 anos, que estavam com o grupo no momento do crime. Eles negaram participação direta, mas a autora relatou que um deles também teria atingido a vítima com um canivete.

Todos os envolvidos foram detidos em flagrante e, posteriormente, tiveram a prisão convertida em preventiva. Agora, permanecem encarcerados para cumprir a pena da condenação.

Quem era a vítima

Pedro era estudante bolsista de um colégio particular de Ponta Grossa. Nas redes sociais, colegas e a escola lamentaram a morte do adolescente.

De acordo com o colégio, Pedro havia conquistado a aprovação nos cursos de Engenharia Mecânica na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e em Arquitetura na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

Em uma publicação, o colégio destacou a alegria do estudante.

"Pedro, guardaremos para sempre na memória as manhãs na escola em que você enchia todos de alegria com seu sorriso e seu jeito único de fazer rir. Hoje, com o coração apertado, precisamos nos despedir.

Você foi muito mais que um colega de turma: foi um verdadeiro amigo, presente na vida de cada um de nós. Sua ausência será sentida todos os dias, mas sua lembrança continuará viva em nossos corações", escreveu a escola.

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