18 de agosto de 2026
Segurança

Pai e filho são presos um ano após assassinatos de amigos que foram cobrar dívida no Paraná

Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo foram encontrados em Rio das Pedras (SP). Eles são principais suspeitos de envolvimento nas mortes de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Julian

Por G1 Paraná

Atualizado em 18/08/2026 | 11:48:00

A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) prendeu, no início da manhã desta terça-feira (18), os principais suspeitos de envolvimento nas mortes de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza, ocorridas no estado no ano passado. Veja o momento no vídeo acima.

Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo, pai e filho, estavam foragidos havia mais de um ano e foram encontrados em um sítio na zona rural de Rio das Pedras (SP), segundo a Polícia Civil. Os dois tinham os nomes na lista vermelha da Interpol, a Organização Internacional de Polícia Criminal.

Carlos Henrique Buscariollo, filho de Antônio, também foi preso em Santa Bárbara do Oeste (SP). Um quarto homem envolvido nos homicídios foi identificado pela polícia e já estava preso por outro crime no momento da operação. O nome dele não foi divulgado, assim como a informação se há outros suspeitos.

Entenda o caso: No dia 4 de agosto de 2025, Robishley, Rafael e Diego viajaram de São José do Rio Preto (SP) a Icaraíma (PR) para encontrar com Alencar e cobrar uma dívida de R$ 255 mil da família Buscariollo.

Os quatro foram vistos pela última vez um dia depois e passaram a ser considerados desaparecidos. Os corpos foram encontrados mais de um mês depois, enterrados em um bunker.

O delegado Thiago Teixeira informou à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, que os quatro suspeitos serão encaminhados a Umuarama, no Noroeste do Paraná.

Segundo a Polícia Civil, os foragidos foram localizados após diversos levantamentos de inteligência policial e monitoramento realizado pela PC-PR.

“Com a identificação de seu paradeiro, realizamos o monitoramento e planejamos o melhor momento para a captura. Durante a ação em Rio das Pedras, pai e filho tentaram empreender fuga e foram capturados em meio à mata”, disse o delegado da PCPR Thiago Teixeira, por meio de nota.

Em nota, a defesa de três dos suspeitos disse aguardar a audiência de custódia e que possui provas de que Carlos Henrique Buscariollo não teve envolvimento com o caso.

A polícia apurou que as quatro vítimas fariam uma cobrança relacionada à venda de uma propriedade rural por Alencar à família Buscariollo.

O pagamento foi dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil cada, mas nenhuma parcela foi paga. Caso os cobradores conseguissem o pagamento, receberiam metade do valor arrecadado.

Ainda no dia 4 de agosto, todos foram até o distrito de Vila Rica para fazer o primeiro contato com Antônio e Paulo. Nesta ocasião, a polícia apurou que os Buscariollo tentaram ceder uma casa na área urbana da cidade, mas as partes não chegaram a um acordo.

A câmera de segurança de uma panificadora de Icaraíma fez o último registro dos quatro com vida na manhã do dia 5 de agosto

Segundo a polícia, por volta das 12h daquele mesmo dia, as vítimas conversaram com as famílias pela última vez. Também foi nesta data que a polícia acredita que os quatro homens foram mortos em uma emboscada assim que voltaram à propriedade rural dos suspeitos, por volta das 12h30.

Em 6 de agosto de 2025, a esposa de Robishley procurou a polícia do estado de São Paulo para registrar o desaparecimento do marido e dos amigos dele, sem saber dos homicídios.

O que a defesa diz

O advogado Renan Farah, que representa três dos suspeitos, diz aguardar a audiência de custódia e que possui provas de que Carlos Henrique Buscariollo não teve envolvimento com o caso. Leia na íntegra:

"A qualidade de advogado de Paulo e Antônio Buscariolo vem esclarecer que eles foram presos e passarão agora pela chamada audiência de custódia. É importante explicar que a audiência de custódia não é um julgamento e não serve para declarar alguém culpado ou inocente.

É o momento em que o Poder Judiciário analisa a legalidade da prisão e, principalmente, se existia efetiva necessidade de que essas pessoas permaneçam presas durante o andamento do processo.

Também foi preso Carlos Henrique Buscariolo, outro integrante da família. E em relação a este, existe uma circunstância extremamente relevante, que será demonstrada pela defesa. Carlos Henrique sequer se encontrava na cidade na época dos fatos criminosos que estão sendo imputados à família.

A defesa possui elementos para demonstrar essa circunstância, e ela será apresentada e comprovada no momento processual adequado.

Nesse momento, o nosso trabalho é assegurar que todos tenham suas garantias constitucionais respeitadas, que as prisões sejam analisadas individualmente e que nenhuma conclusão antecipada seja construída simplesmente em razão da repercussão do caso.

A defesa confia na análise técnica do Poder Judiciário e prestará os demais esclarecimentos, conforme o processo avançar.

Agora não tem mais desculpa para nós termos acesso integral ao processo, uma vez que já foram presos e não tem mais motivo para a defesa saber por que foram e quais circunstâncias, quais provas, trouxeram a sua prisão. Sem mais."

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