26 de março de 2026
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Do campinho descalço à Itália: a trajetória do lourenciano Diego Tezza

Entre a saudade e o sonho, um lourenciano que segue em movimento sem esquecer de onde veio.

Por Redação TiviNet

Atualizado em 26/03/2026 | 12:00:00

A história de Diego Tezza Leite, de 28 anos, é daquelas que misturam talento, coragem, recomeços e muita persistência. Filho de Ivone Tezza e Gilmar Leite, ele nasceu e cresceu em São Lourenço do Oeste e hoje vive em Rosolini, na Itália, onde segue em busca de espaço e crescimento no futsal profissional. Mas, antes da experiência internacional e dos desafios de viver longe, existiu o menino que saía da escola, largava a mochila em casa e corria para a rua atrás da bola.

Essa conexão com o esporte surgiu cedo e, com o passar dos anos, virou propósito de vida. Diego saiu de São Lourenço do Oeste ainda muito jovem, enfrentou mudanças importantes, tropeços, amadurecimento e a dor da distância da família. Ainda assim, nunca deixou de acreditar no que sonhou para si.

“Desde quando me conheci por gente soube que era isso que eu queria pra minha vida”, resume.


O começo de tudo

Até os 13 anos, Diego viveu em São Lourenço do Oeste e guarda com carinho as lembranças desse período. A infância, segundo ele, foi marcada por liberdade, amizades e, principalmente, futebol.

Ele lembra dos dias em que chegava da escola, largava a mochila em casa e já corria para a rua ou para algum campinho, muitas vezes jogando descalço, simplesmente pelo prazer de estar com os amigos e fazer o que mais gostava.

Também foi em São Lourenço que começaram as primeiras experiências em competições escolares, especialmente representando a Escola Rui Barbosa, com destaque para os Jogos Escolares (JESC), no futsal, e para o tradicional Moleque Bom de Bola, uma das principais competições do futebol de campo na base em Santa Catarina.

Ao longo dessas disputas, acumulou conquistas importantes e viveu momentos marcantes na sua formação esportiva.

“Fui campeão municipal, regional, microrregional e chegamos ao estadual”, recorda, ao falar de uma fase que define como maravilhosa e cheia de aprendizado.


Um sonho maior que a saudade

O desejo de se tornar atleta falou mais alto muito cedo. Ainda adolescente, Diego deixou São Lourenço para morar em Porto Alegre, dando início a uma fase desafiadora e decisiva da vida.

Morar sozinho com apenas 13 anos não era algo simples. Havia a distância da família, a adaptação a uma nova rotina e o peso de amadurecer antes do tempo. Mesmo assim, ele conta que soube lidar relativamente bem com o processo, porque havia dentro dele uma vontade muito clara de seguir no caminho do esporte.

“Minha vontade de ser jogador era maior que tudo”, afirma.

Ao mesmo tempo, reconhece que a pouca idade e a falta de maturidade também o levaram a cometer erros que, mais tarde, fariam diferença em sua trajetória.


Entre o campo e o futsal

No início, o grande sonho de Diego era o futebol de campo. Ele passou por clubes como São José de Porto Alegre, Ponte Preta, em São Paulo, e Joinville Esporte Clube. No entanto, algumas escolhas feitas ainda muito novo acabaram afastando-o daquele caminho.

Foi então que o futsal apareceu como uma nova possibilidade. A oportunidade surgiu por meio do Futsal São Lourenço, e foi ali que ele começou a conhecer melhor a modalidade, se adaptar ao estilo de jogo e desenvolver ainda mais o seu potencial.

Dentro de quadra, Diego construiu seu estilo com características bem definidas: canhoto, mas com finalização com as duas pernas, tem como principais pontos fortes o drible e o chute, atuando principalmente como ala, mas também exercendo a função de pivô de movimentação, posição em que vem evoluindo.

Essa virada foi determinante. O que antes parecia um redirecionamento inesperado se transformou em uma nova porta aberta, inclusive para a realização de um sonho ainda maior: a chance de atuar na Europa.

A primeira oportunidade de ir para a Itália surgiu em 2020, aos 20 anos, para defender a Lazio Futsal, e a partir daí Diego começou a construir uma trajetória internacional dentro do esporte. Ao longo da carreira, passou também por equipes como Magic Crati, Grosseto e, atualmente, atua no Trombatore Futsal.


Altos, baixos e recomeços

A caminhada, no entanto, esteve longe de ser linear. Diego fala com franqueza sobre os momentos em que precisou interromper o próprio sonho. Em determinados períodos, voltou ao Brasil para ficar mais perto dos filhos, jogou em equipes da região — como Atlhético São Lourenço e Palmitos Futsal — e também trabalhou em empresas, tentando reorganizar a vida.

“Minha vida foi de altos e baixos”, diz.

Ele conta que chegou a desistir duas vezes da carreira por causa da distância da família, especialmente dos filhos. Hoje, esse talvez seja o ponto mais sensível de toda a sua trajetória.

O maior desafio, segundo Diego, é estar longe de Sofia, de 7 anos, Pietro, de 4, e Heitor, de 3 anos. É por eles que ele segue tentando se fortalecer emocionalmente e profissionalmente.

“Penso no futuro deles e isso me conforta de alguma forma”, revela.

Mais maduro e com a mente mais centrada, ele diz que voltou à Itália com outro olhar: mais consciente, mais focado e mais determinado a seguir em frente.


O sonho segue em pé

Atualmente, Diego mantém uma meta clara: crescer ainda mais no futsal e, um dia, atuar em uma liga nacional de alto nível.

Ele sabe que esse objetivo exige trabalho, disciplina, constância e resiliência. Mas fala com convicção sobre aquilo que acredita ser capaz de conquistar.

“Eu confio no meu potencial”, afirma. “Vou trabalhar pra isso e, com Deus do meu lado, vou conseguir. Por mim e pelos meus filhos.”


O vínculo e o desejo de voltar

Mesmo morando fora do país, Diego mantém uma ligação forte com São Lourenço do Oeste. Ele acompanha o que acontece na cidade, segue em contato com amigos e familiares e, sempre que possível, volta para rever suas origens.

Mais do que um lugar de nascimento, São Lourenço continua sendo um espaço afetivo, carregado de memória, identidade e pertencimento.

“Eu amo a cidade de São Lourenço do Oeste”, destaca. “É onde me criei e tenho memórias incríveis.”

Mesmo vivendo na Itália e investindo na carreira fora do Brasil, Diego não descarta a possibilidade de retornar para São Lourenço do Oeste.

No fim das contas, sua história é também sobre isso: partir sem romper os laços, seguir em frente sem esquecer de onde veio e carregar a cidade dentro de si.


Uma frase para resumir a própria história

“Nunca desista do seu sonho. Se Deus colocou a oportunidade é porque você tem capacidade de fazer aquilo, de vencer. A vida tem altos e baixos, mas vai de 0 a 100 muito rápido. Trabalhe, tenha fé em Deus e não desista.”

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