20 de maio de 2026
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De um sonho de infância ao topo da América: a trajetória de Gessé no futsal

Do primeiro salário em uma peneira até títulos nacionais e continentais, o atleta do Futsal São Lourenço carrega uma história construída com persistência, fé e paixão pelo esporte.

Por Redação TiviNet

Atualizado em 19/05/2026 | 22:00:00

Aos 38 anos, Gessé já levantou troféus importantes do futsal brasileiro e sul-americano, marcou três gols em uma final de Libertadores e vestiu algumas das camisas mais tradicionais da modalidade no país. Mas antes disso tudo existir, houve um menino jogando em quadras de bairro, nas ruas e em campeonatos escolares, sem imaginar até onde aquela bola o levaria.

Hoje, o pivô do Futsal São Lourenço carrega uma trajetória construída com títulos, superação e anos de dedicação ao esporte.


Das ruas ao profissional

Muito antes das arquibancadas cheias, das viagens e dos títulos, a rotina era simples: escolinhas, campeonatos escolares, jogos nos bairros e partidas improvisadas nas ruas.

Foi em Taboão da Serra (SP), ainda nas categorias de base, que a história começou a ganhar um rumo diferente.

"Eu sempre pratiquei futsal e futebol desde criança. Em 2006 fiz uma peneira em Orlândia e fui aprovado. Eles me ofereceram um valor mensal. Ali foi meu primeiro salário como atleta profissional."

Talvez naquele momento fosse impossível imaginar tudo o que viria pela frente.


Construindo uma carreira

Ao longo da carreira, Gessé passou por equipes tradicionais e acumulou experiências em diferentes momentos do futsal brasileiro. A caminhada inclui passagens por Praia Clube, Joinville, ACBF, Minas, Atlântico, Cascavel e agora o Futsal São Lourenço, construindo uma trajetória marcada por aprendizado, adaptação e permanência em alto nível durante muitos anos.

Cada fase trouxe experiências diferentes, formas de trabalho e ensinamentos que ultrapassaram os limites da quadra.

"Cada clube me proporcionou experiências diferentes. Cada treinador tinha sua forma de trabalhar, tanto tecnicamente quanto na forma de lidar com pessoas e sentimentos."


Títulos e conquistas

Com o passar dos anos vieram novos desafios, mudanças de clube e uma coleção de conquistas importantes.

Na galeria de títulos aparecem algumas das principais competições do futsal brasileiro e sul-americano: Copas Libertadores da América (2022 e 2023 pelo Cascavel), Liga Nacional de Futsal (2021 pelo Cascavel), Taça Brasil (2019 pelo Atlântico) e Copa do Brasil (2024 pelo Atlântico).

São conquistas que representam anos de rotina intensa, treinamentos e dedicação diária. Mas entre todas elas, existe uma que possui um significado especial.

"Foi emocionante e gratificante. Foi meu primeiro título nacional."

Gessé relembra a Taça Brasil conquistada em 2011 pelo Joinville como um dos momentos mais marcantes da carreira.

Às vezes, o primeiro grande troféu tem um peso diferente. Não apenas pelo título em si, mas porque representa a confirmação de que o sonho estava se tornando realidade.


A volta por cima

Em toda carreira existem momentos de brilho. Mas também existem fases que colocam tudo à prova.

Gessé viveu isso quando rompeu o ligamento cruzado do joelho e precisou ficar nove meses longe das quadras, enfrentando um dos períodos mais difíceis da carreira.

"Foi uma prova de muita fé e muita superação."

Para muitos atletas, uma lesão desse tipo poderia mudar completamente a trajetória. Mas a volta reservou algo ainda maior.

Defendendo o Cascavel, Gessé retornou às quadras e viveu uma das noites mais marcantes da carreira ao conquistar a Libertadores de 2022, marcando três gols na decisão.

"Foi inesquecível."

Voltar às quadras já seria especial. Voltar sendo protagonista transformou aquele retorno em um capítulo inesquecível.


Mais que craques, pessoas

Ao longo da carreira, Gessé dividiu quadra e vestiário com alguns dos grandes nomes do futsal brasileiro, entre eles Rodrigo Capita, Leco, Neto, Valdin e Guita. Mas além da qualidade técnica, o que mais ficou foram as pessoas que encontrou ao longo da caminhada.

"Tive o privilégio de conhecer não só profissionais vencedores, mas principalmente pessoas de coração bondoso."

Entre tantos nomes da carreira, Guita foi um dos que mais o marcaram.

"Era impressionante como jogava e ainda joga."


Fé dentro e fora das quadras

Com o passar dos anos, Gessé acredita que a maior mudança da sua vida não aconteceu dentro das quadras, mas fora delas.

"Antes eu era distante de Deus. Hoje minhas escolhas e decisões são conduzidas pela Palavra de Deus."

A fé aparece naturalmente em praticamente toda a trajetória do atleta e também acompanha um detalhe que carrega há muitos anos: a camisa 23, escolhida em referência ao Salmo 23.

"O Senhor é o meu pastor; nada me faltará."

A mensagem resume algo que acompanha Gessé dentro e fora das quadras: fé, direção e confiança nos momentos mais importantes da vida.


O combustível continua aceso

Depois de tantos anos de carreira, títulos, clubes e experiências, surge uma pergunta inevitável: o que ainda motiva alguém que já conquistou tanto?

A resposta vem de forma simples:

"Minha responsabilidade é minha motivação. É de onde vem o sustento da minha família. Tenho que fazer o meu melhor."

Fora das quadras, Gessé se define como um homem que ama a Deus, a família e os amigos. Casado com Juliane Merilin Gonçalves Rodrigues Pereira, é pai de Lucas (16), Miguel (12) e Sophia (9) e vive outro momento especial: a família aguarda a chegada do quarto filho, ainda sem saber se será menino ou menina.

Hoje, ele continua carregando algo que permanece igual desde os tempos das quadras de bairro: a vontade de jogar e viver o esporte que o acompanha desde a infância.

Porque, no fim das contas, títulos e medalhas marcam uma carreira. Mas algumas coisas permanecem intactas: a fé, a família e a paixão pelo esporte que continua movendo sua história até hoje.

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