05 de novembro de 2026

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Emanuele Baldissera: a coragem de voltar e construir sua história no PB Shopping

Após oito anos em São Paulo, Manu voltou a Pato Branco pela família e encontrou no recomeço um caminho até a gerência geral.

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Emanuele Baldissera: a coragem de voltar e construir sua história no PB Shopping

Após oito anos em São Paulo, Manu voltou a Pato Branco pela família e encontrou no recomeço um caminho até a gerência geral.

Por Redação TiviNet

Atualizado em 05/11/2026 | 11:00:00

Antes de aprender a administrar negócios, Emanuele Borsatto Baldissera, mais conhecida como Manu, desenhava cheques e comprovantes de depósito. Com a ponta do lápis, usava as emendas do assoalho de madeira para picotar os recibos. Na brincadeira de menina, já havia um interesse pelos números.

Filha de Nelson Baldissera e Mari Ivete Borsatto Baldissera, cresceu ao lado da irmã, Emariele Baldissera, em uma família que permanece como referência em suas escolhas.

A vida ampliou aqueles planos. Entre oportunidades, distância de casa e decisões difíceis, ela descobriu que nem sempre crescer significa seguir na mesma direção.

Hoje, à frente da gerência geral do PB Shopping, Emanuele guarda histórias que vão além do cargo. Ao compartilhá-las com o projeto Trajetórias, do Portal TiviNet, volta às pessoas que fizeram parte do caminho.

“A minha trajetória foi construída a partir das relações que estabeleci ao longo da vida”, afirma.


Exemplo em casa

Nascida em Pato Branco, em 31 de agosto de 1983, Emanuele cresceu próxima dos negócios da família. O pai tinha uma lanchonete na rodoviária, e a mãe, uma loja de roupas. Ela e a irmã participavam dessa rotina desde pequenas; muitas vezes, os passeios aconteciam nos locais de trabalho dos pais.

Do pai, lembra o jeito comunicativo e os viajantes que voltavam à lanchonete para cumprimentá-lo. Na mãe, encontrava uma presença mais séria, organizada e firme, que sustentava a educação das filhas.

“Com meu pai, a importância de construir relações; com minha mãe, a responsabilidade, a disciplina e a firmeza necessárias para sustentar nossas escolhas”, resume.


Escolhas por quem amamos

Antes de escolher Administração, Manu pensou em cursar Psicologia e passou no vestibular com uma amiga. Precisaria se mudar para Rio do Sul, mas a situação financeira da família pesou: a mudança poderia comprometer a oportunidade de a irmã também fazer uma faculdade.

“Foi uma decisão que exigiu maturidade e consideração pela realidade da minha família”, recorda.

Administração apareceu como primeira opção nos testes vocacionais, em sintonia com seu interesse pelos números e pelos negócios. Ela passou em primeiro lugar no vestibular, empatada com Cleuziane, que se tornaria uma grande amiga.

O trabalho já fazia parte de sua vida desde os 12 anos, quando começou em uma loja de aviamentos. Depois, ajudou os pais nos negócios e, durante a faculdade, trabalhava em uma empresa de insumos agrícolas, conciliando o emprego durante o dia com as aulas à noite.

“Eu ainda não sabia exatamente aonde chegaria, mas já entendia que precisaria trabalhar muito para construir a vida que desejava.”


Amizades para a vida

Quando fala da faculdade, Manu não começa pelas disciplinas. A lembrança mais forte são as amizades com Cassio, Cleuziane, Adriane, Gizele, Marcos e Jeferson, que compartilharam sonhos, dificuldades financeiras e uma rotina em que nem sempre sobrava tempo para concluir os trabalhos. Em algumas ocasiões, um pacote de bolachas era dividido entre vários.

Quando alguém atravessava um momento mais difícil, quem estava em melhores condições assumia uma parte maior das tarefas para que todos conseguissem seguir.

Com o passar dos anos, acompanharam casamentos, a chegada dos filhos, promoções, conquistas e decepções. “Foi ali que aprendi, na prática, algo que carrego até hoje: ninguém constrói uma trajetória verdadeiramente significativa sozinho.”

Para ela, a formação teve um alcance que ultrapassou o diploma. “A faculdade me deu uma profissão, mas as pessoas que conheci nela me ensinaram muito sobre a vida.”


Saudade e novos laços

Durante a pós-graduação em Gestão de Negócios, um amigo a convidou para trabalhar na área financeira de sua empresa de importação de frutas, na CEAGESP, em São Paulo. Em sua primeira experiência morando fora de Pato Branco, precisou acompanhar a velocidade dos negócios e se posicionar como mulher em um cargo de gestão, em um ambiente predominantemente masculino.

A distância da família trouxe solidão e um período em que enfrentou a depressão. “Sempre tive bases familiares muito fortes e, de repente, precisei aprender a lidar com a ausência das pessoas que eram meu porto seguro”, relata.

O conselho do pai — “Filha, quem tem amigos tem tudo!” — ganhou outro significado. Nos oito anos em São Paulo, construiu amizades no cotidiano, fez cursos e aulas de dança, encontrando apoio para atravessar os momentos difíceis.

“Essa experiência me ensinou que ser forte não significa dar conta de tudo sozinha. Significa também reconhecer quando precisamos de apoio, ter humildade para aprender e permitir que outras pessoas façam parte da nossa história.”


A coragem de voltar

Depois de oito anos em São Paulo, a família trouxe Manu de volta a Pato Branco. Sentia que havia cumprido objetivos importantes e queria estar perto das raízes. O retorno, porém, foi mais difícil do que imaginava: precisou reconstruir relações, encontrar seu espaço profissional e lidar com muitos “nãos”.

“Recomeçar não significava abrir mão da minha trajetória, mas reconhecer que eu estava diante de uma nova realidade e precisava encontrar a melhor maneira de contribuir nela”, explica.

De uma posição consolidada como gerente financeira em São Paulo, passou a atuar como assistente administrativa no PB Shopping. Levava a experiência construída, mas também a disposição para aprender sobre outro negócio e conquistar seu espaço novamente.

“Eu não estava apagando o que havia conquistado; estava usando tudo aquilo como base para começar um novo capítulo.”


Uma história construída junto

No PB Shopping, Emanuele participou da estruturação dos processos internos e conduziu a gestão financeira da obra até a inauguração, em 2022. Em aproximadamente três anos, passou de assistente à gerência administrativa e financeira.

“Para mim, o PB Shopping é como um filho. Estou aqui há quase dez anos e, quando cheguei, ele ainda existia somente no papel.”

Com a abertura, precisou ampliar sua visão para além das finanças. Buscou conhecimento e trocou experiências com profissionais do setor até receber, em dezembro de 2024, o convite dos empreendedores e da administradora AD Shopping para assumir a gerência geral.

Hoje, integra as áreas, conduz a operação, acompanha resultados e desenvolve pessoas. O orgulho pela própria caminhada também envolve a contribuição do empreendimento para a economia e as oportunidades de trabalho na região.

“Sei o quanto existe de trabalho, dedicação, investimento e responsabilidade por trás de cada etapa desse empreendimento”, afirma, ao agradecer a confiança dos empreendedores.


Liderar também é ouvir

Assumir a gerência geral exigiu ampliar o olhar para além das finanças. A experiência com análise e planejamento passou a caminhar com a necessidade de negociar, integrar interesses e conduzir pessoas.

“Aprendi a equilibrar melhor a análise racional com a sensibilidade necessária para lidar com pessoas, sendo flexível quando a situação exige, sem perder a firmeza nos objetivos e nos princípios que orientam meu trabalho.”

Para Emanuele, a segurança na experiência construída convive com a disposição para continuar aprendendo. “Não acredito em uma liderança pronta ou perfeita, mas em uma liderança que reconhece suas responsabilidades, aprende com a experiência e está disposta a evoluir sem abrir mão de seus valores.”


Cuidar e ser cuidada

Emanuele sentiu a força da equipe quando precisou se afastar do trabalho por um problema de saúde. Os profissionais assumiram as responsabilidades e mantiveram as atividades, permitindo que ela se concentrasse na recuperação. Junto vieram palavras de incentivo, orações e carinho.

“Foi um momento em que me senti acolhida não apenas como gestora, mas como pessoa.”

O cuidado também está no trabalho diário, muitas vezes longe dos olhos do público. Manutenções, limpezas e montagens de eventos mobilizam equipes para preparar o shopping antes da chegada dos visitantes. “Costumamos dizer que, em muitos momentos, especialmente no Natal, o shopping dorme de um jeito e acorda de outro.”

“Muitas vezes, os resultados de um empreendimento são associados à figura de quem ocupa a liderança, mas nenhuma conquista é construída individualmente”, afirma.


Onde encontra paz

Fora do trabalho, Manu encontra na dança, na leitura e no contato com a natureza maneiras de equilibrar a rotina. “Por meio da música, consigo sonhar, desacelerar, extravasar e me reconectar comigo mesma.”

Mas é na fé, na família e nos amigos que se sente em casa. “Por mais que eu valorize minhas conquistas profissionais, sei que a vida é muito maior do que o trabalho e que são os vínculos, a fé e os momentos compartilhados que nos sustentam ao longo da caminhada.”

“Gosto de pensar que, em cada relação verdadeira, deixamos um pouco de nós e levamos um pouco do outro.”


Orgulho de quem é

Se pudesse conversar com a jovem que estava se formando em Administração, Manu diria que a vida seria mais incrível do que ela imaginava, mesmo com as frustrações e os recomeços. Pediria paciência para os planos que demorariam a acontecer e confiança para seguir pelos caminhos que não havia previsto.

“Você não precisa provar o tempo todo que consegue dar conta de tudo”, diria àquela Emanuele, lembrando que aceitar ajuda e respeitar os próprios limites também fariam parte do amadurecimento.

Entre a menina que desenhava comprovantes no assoalho e a mulher que hoje conduz um shopping, houve planos realizados e outros refeitos. Ao olhar para esse percurso, ela reconhece: “Você não precisava ter tudo planejado para chegar até aqui; precisava continuar caminhando, acreditar no seu potencial e estar disposta a crescer com cada experiência.”

A conversa com a jovem Manu terminaria com orgulho pelo caminho percorrido e entusiasmo pelo que ainda está por vir: “A história que você sonhava construir lá atrás já ganhou capítulos que você nem conseguiria imaginar — e ainda temos muito para viver!”

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