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Da juventude em São Lourenço do Oeste aos palcos e projetos musicais ao longo da vida, uma trajetória onde música, amizade e memória coletiva caminham juntas.
São Lourenço do Oeste é feita de histórias que ultrapassam o tempo — e algumas delas ganham trilha sonora. A trajetória de Samaroni Benedet, 44 anos, hoje residente em Balneário Camboriú, é uma dessas narrativas em que vida, música e pertencimento se entrelaçam de forma natural.
Servidor público municipal, advogado e administrador público, Samaroni deixou a cidade em 1999 para cursar Direito em Itajaí. Mas, muito antes disso, sua história já estava profundamente conectada a uma fase que muitos lourencianos lembram com carinho: os anos das bandas de garagem — e, entre elas, a Alive.
As lembranças de São Lourenço do Oeste começam pela sensação de liberdade. Uma cidade segura, onde brincar na rua até tarde fazia parte da rotina e onde as amizades se formavam com naturalidade.
Entre esportes, festas de garagem e experiências que moldaram a juventude, Samaroni recorda a participação no karatê e no handebol representando o município — vivências que ampliaram horizontes e fortaleceram vínculos.
Mas foi na música que uma nova dimensão se abriu.
O primeiro contato veio ainda na infância, entre os 7 e 8 anos, por incentivo dos pais, Antonio e Ivone, com aulas de violão clássico. Anos depois, a música voltaria de forma inesperada — e definitiva.
A Alive já existia quando Samaroni começou a frequentar os ensaios na Autoelétrica Sanagiotto. A formação inicial reunia Marcio Nierotka (vocal), Janidielli (guitarra) e Aldrei Sanagiotto (bateria), além de um baixista que posteriormente deixou a cidade. A banda passaria por reformulações, com a chegada de nomes como Emerson Luiz Albano (Bozo) nos vocais e Carmo Lucas Rempel (Alemão) na guitarra.
Foi nesse contexto que, em um episódio quase simbólico da lógica das bandas de garagem, o baixista deixou de aparecer.
Ele estava lá. Mesmo sem saber tocar contrabaixo, Samaroni se ofereceu. “Imediatamente me habilitei”, relembra.
Os primeiros aprendizados vieram com um instrumento improvisado — um contrabaixo de três cordas, apelidado com humor de “um toco de lenha”. Depois de juntar dinheiro, veio o primeiro baixo próprio, vermelho e preto da Ibanes, que o acompanharia durante toda a trajetória na banda.
Uma única aula formal — com Adilson, baixista da banda Gemini (dos irmãos Spricigo, hoje ligado ao projeto Lacre Violado) — onde aprendeu a técnica do pizzicato e a escala pentatônica, foi suficiente para o resto acontecer na prática.
Com a banda em movimento, novos integrantes passaram a fazer parte da formação, entre eles Jackson Lovera (teclados), Ruben Kambruzzi (vocal e baixo, alternando com Samaroni) e, posteriormente, Jenner Bueno, ampliando a identidade e a presença da Alive nos palcos.
Com mudanças na formação e a chegada de novos integrantes, a Alive passou a ocupar cada vez mais espaço na cena regional. Ensaios constantes, oportunidades surgindo e uma sequência intensa de apresentações. O período da banda — entre 1996 e 1999 — completa agora três décadas, transformando aquela fase em uma memória coletiva que ainda ecoa entre quem viveu a cena cultural lourenciana dos anos 1990.
A banda percorreu praticamente todos os espaços possíveis: Bar do Biró, Hermano’s Bar, Bar da Têre, Cineparadiso (Cinema de São Lourenço), festivais regionais, apresentações em cidades vizinhas como Vitorino e Campo Erê, além da Bielle Club, em Pato Branco, durante festival promovido pelo Cineparadiso — cujo presidente, Almir Motta, foi um grande incentivador da banda e segue apoiando o grupo até hoje —, entre outras experiências que ampliaram o alcance da Alive.
“Tocamos muito, mas muito mesmo. Uma loucura! Meus pais queriam meu coro”, destaca com humor.
Por um período, a Alive chegou a adotar outro nome — Flâmula — numa tentativa de soar mais comercial. A mudança não durou. A identidade original falou mais alto.
Os cachês começaram a melhorar. Vieram investimentos em equipamentos, comprados parcelados, muitas vezes sustentados mais pela confiança e pela vontade do que por segurança financeira.
Uma dessas histórias virou episódio marcante: um atraso em cheque na compra do som levou os integrantes ao tribunal. Jovens, a maioria menor de idade, resolveram a situação diante do juiz — e seguiram em frente.
Mais do que música, a banda ensinou responsabilidade.
Carregar equipamentos, montar palco, organizar agenda, lidar com público, cumprir compromissos. Experiências que ultrapassaram o palco e influenciaram diretamente a vida adulta.
“Você perde um pouco a timidez e o medo para enfrentar os desafios do dia a dia”, resume.
O último show da Alive aconteceu em 1999, no Cogumelo’s Bar, do amigo Daniel Hippler, em uma noite marcada por reencontros, despedidas e pela percepção de que aquele ciclo estava se encerrando.
Mudanças de cidade, novos caminhos e a saída de integrantes levaram à desintegração natural da banda. Mas a história não terminou ali.
Em Balneário Camboriú, Samaroni seguiu tocando. No início dos anos 2000 integrou a banda Destro, com repertório voltado ao heavy metal clássico. Banda que durou até meados de 2002.
Após um período de pausa de quase 13 anos, voltou em 2015 em projetos ligados ao Iron Maiden, sua principal influência musical, passando por bandas como The Beast e, posteriormente, Phantom Icaros.
Em 2018 iniciou a produção do primeiro trabalho autoral com a banda Ignited, gravado em 2019 no Studio Fusão, do renomado produtor de heavy metal de nomes como Edu Falaschi, Kiko Loureiro, Aquiles Priester, o cantor Thiago Bianchi (Shaman, Karma, Nortunall), em um processo que marcou um novo estágio artístico.
Entre as experiências mais simbólicas está um show realizado no Bar Opinião, em Porto Alegre, dividindo espaço com lendas do cenário internacional como Mike Portnoy, baterista das bandas Dream Theater, Avenged Sevenfold, Twister Sister, The Winery Dogs, entre outras — um momento que ele define como realização pessoal.
Paralelamente à música, Samaroni construiu carreira no serviço público em Balneário Camboriú, participando de projetos estruturantes ao longo de mais de duas décadas. Entre eles, destaca a atuação em processos importantes como a recuperação da faixa de areia da cidade.
Formou-se em Direito pela UNIVALI e posteriormente em Administração Pública pela UDESC/ESAG, conciliando trabalho e estudos em um período de dedicação intensa.
Também construiu família. Ao lado da companheira Aline, com quem está há anos, é pai de Valentina, hoje com 15 anos.
Em 2016, um reencontro da Alive em São Lourenço do Oeste reacendeu memórias. Voltar à Autoelétrica Sanagiotto, onde tudo começou, teve significado especial — inclusive pela lembrança do apoio constante do Sr. Sanagiotto (pai do Aldrei), figura importante na história da banda. “Foi um momento de muita nostalgia!”, resume.
Agora, três décadas depois do início da Alive, a possibilidade de um novo reencontro começa a ganhar forma.
A ideia de um Alive Reunion, prevista como projeto para 2026, surge menos como retorno e mais como celebração. Uma forma de reconhecer que o que foi vivido permanece relevante — não apenas para os integrantes, mas para quem acompanhou aquela fase.
A música segue presente também nas novas gerações: filhos dos integrantes se aproximam dos instrumentos, ampliando o ciclo iniciado décadas atrás.
“A filha do Alemão (Bia) é uma eximia baterista e faz parte do Conservatório de Música de Curitiba e minha filha (Valen) já arranha o baixo e vocal”, fala com orgulho e humor.
Mesmo vivendo fora, Samaroni afirma carregar valores que associa ao Oeste: seriedade, trabalho, compromisso e o “fio do bigode” — princípios que orientam suas escolhas pessoais e profissionais.
Hoje, São Lourenço do Oeste representa memória, conexão e origem.
Um lugar que não ficou no passado, mas que continua presente na identidade.
Porque algumas histórias não terminam. Elas apenas mudam de palco.
E, quando resume a própria trajetória — não só na música, mas na vida — ele escolhe a simplicidade:
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