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Esquema que envolvia aliciamento de mulheres jovens em clubes e boates de Santa Catarina rendeu cerca de R$ 49 milhões para organização criminosa; oito pessoas foram presas pela Polícia Federal
Um esquema de tráfico sexual de mulheres brasileiras foi desmontado pela Polícia Federal na Operação Cassandra, realizada na quarta-feira (3). A investigação apontou que cada uma das 70 vítimas de tráfico gerava cerca de R$ 700 mil à organização criminosa, totalizando R$ 49 milhões.
Em Santa Catarina, foram realizados mandados de busca e apreensão, além de quatro prisões. A ação contou com apoio internacional da Europol e da Garda National Protective Services Bureau, força policial especializada da Irlanda, país onde as vítimas eram levadas. Na capital irlandesa, Dublin, foram detidas outras quatro pessoas.
Como funcionava o esquema de tráfico sexual que levava mulheres para a Europa
Em coletiva, o delegado regional de Polícia Judiciária da PF em Santa Catarina, Farnei Franco Siqueira, as vítimas eram levadas à Europa cientes de que atuariam na prostituição, mas acabavam submetidas a condições degradantes que impediam o retorno ao Brasil.
“Chegando lá, as condições nem sempre são aquelas prometidas. Elas ficam numa situação de verdadeira prisão, não propriamente dita com cárcere, mas elas ficam impossibilitadas de deixar aquela vida”, afirmou.
Os aliciamentos ocorriam em clubes, boates e comunidades, em sua maioria em Santa Catarina, e eram realizados por integrantes da organização criminosa, que também eram catarinenses. Mais de uma empresa de turismo foi identificada como parte do esquema. Os alvos eram, na maior parte, mulheres jovens.
Boate da Grande Florianópolis seria usada no aliciamento
A investigação aponta que a Boom Bar, boate conhecida de Palhoça, na Grande Florianópolis, pode ter sido usada por aliciadores como ponto de recrutamento de mulheres para o esquema de tráfico sexual. O empreendimento foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal.
Em resposta ao ND Mais, a Boom Bar afirmou que a ação ocorreu porque investigados na Operação Cassandra realizaram transferências via Pix para a casa noturna, possivelmente por frequentarem o local em algum momento.
Esquema gerava R$ 700 mil para a organização criminosa a cada vítima
A estimativa, segundo o delegado Siqueira, é de que a organização criminosa recebia até R$ 700 mil por cada mulher vítima de tráfico sexual. O valor total, considerando as 70 mulheres levadas para a Europa, chega na casa dos R$ 49 milhões.
As investigações começaram em 2024, após a denúncia de uma das vítimas à polícia irlandesa, que permanece sob proteção internacional. A apuração indica que o esquema criminoso estava ativo desde 2017.
Segundo a PF, esta foi apenas a primeira etapa da operação, que seguirá com a análise de novas provas no Brasil e na Europa. Além do tráfico sexual, o grupo é investigado por lavagem de dinheiro, com investimentos em veículos, imóveis e criptoativos.
Os números da Operação Cassandra
Prisões
1 em Camboriú;
1 em Biguaçu;
1 em São José;
1 em Florianópolis;
4 em Dublin, capital da Irlanda.
Buscas e apreensões
Santa Catarina
Florianópolis: 7 mandados de busca;
São José: 7 mandados de busca;
Camboriú: 1 mandado de busca;
Biguaçu: 2 mandados de busca;
Palhoça: 5 mandados de busca.
São Paulo
São Paulo (capital): 1 mandado de busca;
Franca: 1 mandado de busca;
Barueri: 1 mandado de busca.
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro (capital): 2 mandados de busca.
Paraná
Curitiba: 1 mandado de busca.
Mato Grosso
Cuiabá: 1 mandado de busca.
Minas Gerais
Belo Horizonte: 1 mandado de busca.
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