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O trauma não é apenas emocional — ele é biológico, psicológico e relacional.
Muita gente ainda acredita que trauma é sinônimo de tragédia: um acidente, uma perda, uma violência evidente. Mas o trauma nem sempre grita — às vezes, ele sussurra. Ele se forma nas ausências, nas palavras duras, nas comparações constantes, nos silêncios que machucam.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 6 (seis) em cada 10 (dez) crianças menores de 5 (cinco) anos sofrem violência física e/ou emocional por parte de seus cuidadores. Se considerarmos também as formas sutis de negligência emocional — o desinteresse, o descuido, a falta de afeto — essa estatística seria ainda maior.
É um número que revela mais do que dados: mostra que o sofrimento emocional infantil é muito mais comum do que imaginamos. Fonte: OMS – Child Maltreatment
A infância é o tempo em que aprendemos o que é “ser amado”. O cérebro, ainda em formação, busca segurança, previsibilidade e acolhimento para crescer de forma saudável. Quando o ambiente é seguro, a criança cria uma sensação interna de “posso existir e ainda serei amado”. Isso se torna a base da autoestima, da confiança e da capacidade de se relacionar.
Mas quando o amor vem misturado com medo, frieza ou rejeição, essa mensagem muda: “Preciso me adaptar para ser aceita. Não posso errar. Não posso sentir.”
Essa é a semente do trauma — e ela cresce silenciosa.
O corpo aprende a viver em alerta, como se o perigo nunca tivesse passado. O sistema de defesa, criado para proteger, se mantém ligado o tempo todo. A criança cresce, mas o corpo continua reagindo como se ainda estivesse naquele lugar de desamparo.
Alguns exemplos ajudam a entender:
A menina que cresceu ouvindo críticas se torna uma adulta perfeccionista, sempre tentando provar que é “boa o bastante”.
O menino que foi ignorado nos momentos de tristeza vira um adulto que evita demonstrar vulnerabilidade, se fechando em silêncios.
Quem foi ridicularizado na escola por ser diferente, muitas vezes passa a temer se expor e, inconscientemente, se esconde da própria vida.
São dores antigas, mas que continuam se repetindo de forma nova.
Muitas pessoas dizem: “Mas meus pais fizeram o que puderam.” Pode ser verdade. E reconhecer isso é importante. Mas também é importante olhar para a criança que você foi e entender que, mesmo com boas intenções, algumas experiências deixaram marcas.
Trauma não é sobre culpar. É sobre compreender.
Pesquisas mostram que pessoas que viveram experiências adversas na infância — como abuso, negligência ou violência doméstica — têm maior risco de desenvolver ansiedade, depressão e doenças físicas na vida adulta. O corpo e o cérebro aprendem a sobreviver em estado de alerta constante.
O trauma não é apenas emocional — ele é biológico, psicológico e relacional.
E o mais importante: ninguém “escolhe” carregar isso. É uma forma que o organismo encontrou de sobreviver quando não havia outra opção.
Se fomos moldados na relação, é também na relação que podemos cicatrizar. O processo terapêutico permite algo muito raro: ser escutado sem ser julgado. Aos poucos, aquilo que um dia nos feriu deixa de ser destino e se torna história, uma história que pode finalmente ser narrada com consciência e leveza.
O processo terapêutico não apaga o passado, mas cria novas possibilidades de relação com ele.
É o espaço onde podemos revisitar nossas histórias com cuidado, sem culpa, sem pressa.
O trauma não define quem você é — ele apenas guarda o ponto em que você se afastou para sobreviver. Há um caminho gentil de retorno.
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- Escrita Terapêutica: quando as palavras se tornam um espaço de cura
Lays de Almeida – Psicanalista
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