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Às vésperas da 8ª Noite de Caldos, a associação reafirma uma trajetória construída por voluntárias, proteção animal, controle populacional e compromisso com vidas que muitas vezes não têm voz.
Há histórias que nascem de uma inquietação coletiva. Em São Lourenço do Oeste, a trajetória da Associação Fênix de Proteção dos Animais começou assim: a partir de pessoas que não conseguiam olhar para o sofrimento animal como algo normal, distante ou sem solução.
Desde meados de 2013, a Fênix constrói uma caminhada marcada por voluntariado, aprendizado, enfrentamento e cuidado. O que começou com a intenção de ajudar animais em situação de sofrimento se transformou, ao longo dos anos, em uma atuação mais ampla, ligada à defesa de direitos, à educação, ao controle populacional e à busca por políticas públicas permanentes.
“A maior motivação sempre foi a transformação de vidas, a coexistência harmoniosa entre animais e seres humanos e a defesa dos direitos dos animais”, destacam as voluntárias.
A Fênix surgiu com o desejo de melhorar a vida dos animais no município e defender uma convivência mais justa entre seres humanos e outras formas de vida. Segundo a entidade, a proteção animal também passa pela saúde pública e pela responsabilidade do poder público.
A partir dessa compreensão, o trabalho ganhou novas frentes, especialmente na luta por políticas públicas e no fortalecimento de ações de controle populacional.
Hoje, a castração de cães e gatos é uma das principais formas de atuação da associação. Para a Fênix, controlar a reprodução desordenada significa reduzir abandono, maus-tratos, doenças e sofrimento.
“Ao castrar mais animais, menos animais sofrerão maus-tratos, doenças ou abandono”, reforça a entidade.
Mais do que apagar incêndios, a associação busca enfrentar a origem de muitos problemas.
Quem acompanha de fora muitas vezes pode considerar que a proteção animal se volta exclusivamente a resgate de animais. Porém o trabalho da Fênix hoje, vai muito além desta visão. Se concentra preponderantemente em ações de controle populacional no contexto da vulnerabilidade social.
Há cadastros, visitas, organização de transporte, agendamento de cirurgias, acompanhamento de famílias, entrevistas de adoção, controle de imunização, vermifugação e tratamentos veterinários. Também há atuação junto a colônias felinas, por meio do método CED, de Captura, Esterilização e Devolução, aliado às tentativas de adoção responsável.
A entidade realiza busca ativa em comunidades vulneráveis e mantém parceria com a clínica veterinária Paixão dos Bichos, que auxilia nos procedimentos.
“Nos bastidores existe uma grande estrutura administrativa e organizacional”, explicam as voluntárias.
Tudo isso é feito de forma voluntária. E, por trás de cada animal atendido, existe uma engrenagem silenciosa de mulheres que organizam, planejam, buscam recursos, acolhem pedidos e tentam dar resposta a uma demanda que nunca para.
Ao longo de aproximadamente 13 anos de atuação, a Fênix acumulou conquistas importantes. Uma delas foi a declaração de utilidade pública estadual, reconhecimento que formalizou a relevância do trabalho desenvolvido pela associação.
A entidade também participou de iniciativas educacionais do Ministério Público, como o projeto “Semeando Saúde Única nas Crianças”, que conquistou o quinto lugar no Prêmio José Daura, entre os melhores projetos de Santa Catarina.
Outro marco foi o reconhecimento nacional do trabalho de controle populacional por busca ativa em comunidades em situação de vulnerabilidade social, apresentado em seminário do Fórum Nacional, em Brasília.
São conquistas que ajudam a mostrar que o trabalho da Fênix gera impacto social, educativo e coletivo no contexto da Saúde Única.
A proteção animal também carrega histórias duras. Ao longo da trajetória, a Fênix acompanhou casos de felinos vítimas de graves maus-tratos, animais idosos, situações de abandono e episódios de violência que exigiram denúncia, acolhimento e encaminhamento seguro.
Entre os casos lembrados pela entidade está o de um gato alvejado por sete tiros, situação que ajudou a fortalecer políticas municipais de punição aos maus-tratos.
Também houve episódios de violência grave contra animais em que a associação formalizou denúncias junto ao Ministério Pública e atuou para garantir justiça e a devida penalidade a quem comete maus tratos, assim, trazendo dignidade a vida de muitos animais.
“Cada adoção representa uma vitória e uma memória muito importante para a entidade”, reforça a Fênix.
São histórias marcadas por sofrimento, mas também por transformação. Para a associação, cada animal protegido é uma vida que volta a ter chance.
É para manter essa rede de cuidado que a associação realiza a 8ª Noite de Caldos da Fênix, no dia 27 de junho, a partir das 19h30, no Pavilhão do Bairro Santa Catarina, em São Lourenço do Oeste.
O evento será realizado no formato de retirada dos kits. Cada kit custa R$ 65,00, serve duas pessoas e contará com três sabores: moranga cabotiá, mandioca com bacon e sopa de anholine.
Além dos caldos, haverá venda de doces e artesanatos.
Os ingressos podem ser adquiridos com as voluntárias da Fênix. Quem quiser mais informações ou desejar fazer contato com a entidade pode acessar o Instagram oficial da associação: @fenixslo.
“Os eventos vão muito além da arrecadação. Eles representam união, organização e fortalecimento da equipe de voluntárias”, afirma a associação.
Os recursos arrecadados ajudam a custear castrações, vacinação, alimentação, tratamentos veterinários, atendimento a animais de rua e ações de controle populacional.
A história da Fênix é feita de cuidado, mas também de resistência. Ao longo dos anos, a entidade aprendeu que proteger animais não é apenas resgatar vidas em perigo. É educar, prevenir, cobrar políticas públicas, organizar voluntárias, mobilizar a comunidade e insistir em um futuro menos cruel.
Em São Lourenço do Oeste, a associação se tornou parte de uma transformação silenciosa e necessária. Uma transformação que começa quando alguém decide não virar o rosto diante do sofrimento.
A Noite de Caldos é mais do que um evento. É uma forma de a comunidade participar dessa história, apoiar quem trabalha nos bastidores e ajudar a manter viva uma causa que, todos os dias, oferece dignidade, proteção e recomeço.
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