20 de maio de 2026
Segurança

Homem é condenado a pagar R$ 60 mil por esconder HIV e infectar companheira em SC

Segundo laudo, ele sabia que tinha o vírus desde cerca de 2015. Mulher descobriu soropositividade em 2022.

Por G1Santa Catarina

Atualizado em 20/05/2026 | 11:12:00

Um homem foi condenado a pagar R$ 60 mil por danos morais por transmitir o vírus HIV à então companheira durante uma união estável. A mulher alegou que ele escondeu ser portador, o que resultou na infecção.

O caso foi julgado em Papanduva, no Norte de Santa Catarina. O resultado da sentença foi divulgado pelo Poder Judiciário nesta terça-feira (19). Cabe recurso.

O ex-casal se conheceu de forma virtual em junho de 2021 e, pessoalmente, em setembro de 2021. Um mês antes, em agosto, ela havia feito um teste, que resultou negativo para a presença do HIV. Porém, outro exame feito por ela em outubro de 2022 apontou que ela estava com o vírus.

Um laudo médico indicou que o réu sabia que tinha HIV ao menos desde 2015. Ele, porém, alegou que a mulher também sabia. Contudo, a magistrada considerou que ele não conseguiu provar esse argumento.

Os recibos de fornecimento de medicamentos assinados pela mulher são de 2023 e 2024, período posterior ao diagnóstico positivo da mulher, e não servem para comprovar que ela sabia que o então companheiro era soropositivo.

Réu não usou proteção em relações sexuais com então companheira
A magistrada destacou que uma pessoa que tenha uma doença sexualmente transmissível pratica ato ilícito quando, sabendo disso, mantém relações sexuais sem informar o parceiro e sem proteção.

“Mesmo sabendo de sua condição de saúde, além de não informá-la sobre a doença, não utilizou métodos preventivos”, declarou a magistrada.

Segundo a decisão, ainda que não houvesse intenção de transmitir o vírus, o réu assumiu o risco e agiu culposamente ao manter relações sexuais sem proteção e sem informar a companheira sobre ter HIV.

Para a magistrada, a transmissão do vírus HIV, as sequelas decorrentes da doença e o estigma social configuram grave ofensa à integridade física e psicológica da mulher, que terá de conviver com uma doença incurável.

 

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