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Eloid da Cruz Antunes confessou o crime durante o julgamento; pena foi por homicídio quadruplamente qualificado.
Eloid da Cruz Antunes foi condenado pela morte de Karize Ana Fagundes Lemos, de 33 anos, em júri popular realizado nesta quinta-feira, dia 10, no Tribunal do Júri de Caçador, no Meio-Oeste catarinense.
O homem recebeu pena de 31 anos e 10 meses de prisão pelo homicídio quadruplamente qualificado da advogada e pela ocultação do cadáver. A sessão começou às 7h30 e a sentença foi lida por volta das 22h30, após quase 15 horas de julgamento.
Karize foi morta em setembro de 2024, dentro da própria casa, em Caçador. Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o então companheiro da vítima a enforcou enquanto ela se recuperava de uma cirurgia nos rins.
A acusação apontou o ciúme como motivação para o crime. Em ligação para amigos, o próprio réu confessou ter matado a esposa por suspeitar de traição.
Após a morte, conforme as investigações, o acusado colocou o corpo no veículo e seguiu em direção ao Paraná. Os restos mortais da advogada foram encontrados cerca de 40 dias depois, em uma área de mata em Palmas, no Paraná, a aproximadamente 150 quilômetros de Caçador.
O réu estava preso preventivamente desde a época do crime e confessou o homicídio durante o interrogatório realizado no julgamento.
Qualificadoras
A Justiça pronunciou o homem para responder pelo crime de homicídio quadruplamente qualificado. As qualificadoras consideradas no processo foram:
・Feminicídio, por se tratar de um crime praticado no contexto de violência doméstica;
・Motivo torpe, relacionado ao ciúme;
・Asfixia, em razão do enforcamento;
・Recurso que dificultou a defesa da vítima, considerando o estado de saúde debilitado de Karize.
Além do homicídio, o réu foi condenado pela ocultação do cadáver.
Durante o julgamento, sete testemunhas foram ouvidas, entre familiares e pessoas próximas à vítima, policiais que participaram da investigação, uma frentista e dois amigos que receberam uma ligação do acusado após o crime.
Quem era Karize
Karize Ana Fagundes Lemos tinha 33 anos e estava construindo a própria carreira na advocacia. Pouco antes de ser assassinada, havia comprado um carro e aberto o próprio escritório.
A advogada também morava com cinco gatos. Durante o julgamento, foi informado que três deles foram mortos no mesmo dia do crime, conforme as investigações.
Legislação
O crime ocorreu antes da entrada em vigor da lei que transformou o feminicídio em crime autônomo. Na época dos fatos, o feminicídio era tratado como uma qualificadora do homicídio.
Por isso, o julgamento foi realizado com base na legislação vigente em setembro de 2024. Conforme o Ministério Público, a aplicação da lei posterior seria prejudicial ao réu e, portanto, não poderia ocorrer de forma retroativa.
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