Tivi São Lourenço, 29 de agosto de 2025
Gerais

Quem é o padre preso por suspeita de estupro de vulnerável no Paraná

Genivaldo Oliveira dos Santos, de 42 anos, é padre há 12 anos. Seis vítimas foram identificadas e outras denúncias estão sendo analisadas pela polícia.

Por G1/PR

Atualizado em 28/08/2025 | 10:23:00

O padre Genivaldo Oliveira dos Santos, de 42 anos, preso no último domingo (24) em Cascavel, no oeste do Paraná, suspeito de estupro de vulnerável, atuava como sacerdote há 12 anos em diferentes cidades da região.

Segundo a Arquidiocese de Cascavel, ele trabalhou em paróquias no norte da cidade, em Boa Vista da Aparecida e, mais recentemente, na cidade de Santa Lúcia.

Na Igreja, ele foi tesoureiro da Arquidiocese e assessor eclesiástico da Pastoral da Sobriedade. Em 2015, concluiu graduação em Teologia pela Faculdade Missioneira do Paraná.

Além da atuação religiosa, Genivaldo também oferecia “terapias complementares” em uma clínica de Cascavel, prática que a Polícia Civil do Paraná (PCPR) classificou como exercício ilegal da medicina.

A polícia afirma que, segundo os depoimento colhidos durante a investigação, o caso mais recente de abuso sexual ocorreu há cerca de duas semanas no local onde o padre atendia como terapeuta.

O padre também atuou em meios de comunicação. Em 2016, criou uma rádio web com programação católica 24 horas por dia, que atualmente está fora do ar. Em 2020, ele concedeu entrevista a uma revista religiosa, na qual destacou o gosto por programas de rádio.

Em nota enviada à RPC, afiliada da TV Globo, a defesa de Genivaldo afirmou que a investigação se baseia “essencialmente em depoimentos orais”, que a manifestação ocorrerá no processo e que a análise dos materiais apreendidos durante a operação da polícia “vai ajudar a mostrar a verdade sobre os fatos”.

Casos aconteceram de 2009 a 2025
Entre os interrogados, seis pessoas relataram terem sido vítimas de algum tipo de abuso cometido pelo padre Genivaldo.

Um homem de 27 anos, que atuava na mesma paróquia que o padre na época, relatou ter sido abusado em 2019.

Outro homem, de 23 anos, contou ter sido abusado em um momento em que recorreu ao padre para se livrar da dependência química em 2021.

A terceira vítima é um homem de 20 anos, também ex-dependente químico, relatou ter sido abusado há duas semanas na clínica terapêutica onde o padre atuava.

Um homem de 33 anos, ex-dependente químico, disse à polícia que foi dopado e violentado pelo padre. Ele não soube precisar a data.

Um menor, de 16 anos, contou ter sido abusado enquanto prestava serviços na Igreja Católica no ano de 2024.

Um padre também foi vítima. Ele contou ter sido abusado em 2009, quando ainda era seminarista. Ele entregou à polícia uma carta escrita em 2011, em que dá o assunto por encerrado.

Genivaldo Oliveira dos Santos é investigado por ser suspeito de praticar abusos sexuais. Entre as seis vítimas apontadas pela polícia até o momento estão jovens da comunidade católica e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Ele foi preso por policiais do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), que também cumpriram um mandado de busca de apreensão na casa do padre. Segundo a polícia, ele está sendo investigado desde o dia 16 de junho deste ano.

Durante a investigação, 15 pessoas foram ouvidas. Dentre elas, seis vítimas foram identificadas. O relato de outras duas possíveis vítimas está em análise.

Segundo a polícia, a prisão temporária do padre foi decretada porque ele estava tentando entrar em contato de forma insistente com vítimas e testemunhas.

A defesa dele afirma que prossegue acompanhando as investigações e que tomará todas as providências necessárias para a revogação da prisão, que a defesa entende ser "desnecessária nesse momento."

NOTÍCIAS RELACIONADAS