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Presidente do Paraguai anuncia renúncia após crise bancária que afetou milhões de clientes

Santiago Peña é acusado de irregularidades ligadas ao Ueno Bank e enfrenta processo de impeachment.

Por Oeste Mais

Atualizado em 06/11/2026 | 10:12:00

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira, dia 5, em meio a uma grave crise política e financeira provocada pelo fechamento do banco digital Ueno Bank, que deixou milhões de clientes sem acesso ao próprio dinheiro.

O presidente é acusado pela oposição de conflito de interesses e de supostas irregularidades envolvendo a instituição financeira, da qual foi acionista indireto.

O anúncio ocorreu horas depois de o Congresso paraguaio iniciar os procedimentos para analisar um pedido de impeachment contra Peña e seu vice-presidente, Pedro Alliana.

A Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, a abertura do processo contra o presidente, enquanto a acusação contra Alliana foi rejeitada.

Apesar do pedido de renúncia, a saída de Peña ainda não foi oficializada.

Uma sessão do Congresso destinada a analisar a decisão foi suspensa por falta de quórum na noite desta quinta-feira.

Com isso, o presidente permanece no cargo enquanto o processo político segue em discussão.

Em um pronunciamento divulgado nas redes sociais, Peña afirmou que decidiu deixar a Presidência pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas.

O presidente também pediu desculpas à população afetada pela crise bancária.

A renúncia ocorre em meio a questionamentos sobre a possibilidade de o mandatário manter a imunidade parlamentar.

Pela Constituição do Paraguai, ex-presidentes podem ocupar uma cadeira vitalícia no Senado, prerrogativa que pode ser perdida em caso de condenação em julgamento político.

Entenda a crise bancária

O Ueno Bank, considerado um dos principais bancos digitais do Paraguai, teve suas atividades interrompidas na terça-feira, dia 3, após o Banco Central identificar problemas de solvência relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador da instituição.

O banco possuía aproximadamente 3 milhões de clientes e administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.

A paralisação das operações deixou milhares de correntistas sem acesso aos próprios recursos e provocou manifestações populares, ampliando a pressão sobre o governo.

Peña, que assumiu a Presidência em 2023 e tinha mandato previsto até 2028, foi acionista de uma empresa ligada ao grupo controlador do banco até março de 2025.

A oposição também acusa o governo de manipulação de regras, uso irregular de recursos previdenciários e possível omissão na fiscalização da instituição financeira.

O Ministério Público paraguaio abriu investigações para apurar possíveis responsabilidades de autoridades e dirigentes do banco.

Peña nega irregularidades e afirma que pretende colaborar com as apurações.

Com o avanço do processo de impeachment, o futuro político do presidente permanece indefinido.

Caso sua saída seja efetivada, o vice-presidente Pedro Alliana poderá assumir o comando do país.

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