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Médico condenado a seis anos de prisão no PR por ‘furar fila’ do SUS cobrou de R$ 2 a R$ 6 mil de seis pacientes

Ortopedista de Toledo, no oeste do estado, também terá que pagar multa e perderá a função pública. Ainda cabe recurso a defesa disse que irá recorrer.

Por G1/PR

Atualizado em 04/03/2026 | 10:40:00

O médico ortopedista Adilson Cleto Bier, de Toledo, no oeste do Paraná, foi condenado a seis anos de prisão por cobrar de R$ 2,8 mil a R$ 6,5 mil de pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para antecipar cirurgias.

Segundo a sentença da Justiça Estadual, ele exigiu valores de seis pacientes para “furar a fila” do sistema público.

A decisão é da Justiça Estadual do Paraná e reconheceu a prática de corrupção passiva. De acordo com o processo, as cobranças ocorreram entre novembro de 2014 e maio de 2015.

As cirurgias eram realizadas pelo SUS, mas o médico cobrava valores “por fora” para garantir a realização ou a antecipação dos procedimentos.

Além da pena de prisão, a Justiça determinou o pagamento de 27 dias-multa, equivalentes a 27 salários mínimos da época dos fatos, com correção monetária, e o cancelamento do credenciamento do médico para atender pelo SUS. Ele pode recorrer em liberdade.

O g1 entrou em contato com a defesa de Bier. O advogado Sérgio Canan, que representa o médico, disse que a sentença é injusta e irá recorrer.

Em 2015, ele foi preso em flagrante após receber R$ 4,6 mil de uma paciente.

Este é o segundo caso recente de condenação de médico por cobrança relacionada a atendimentos do SUS na cidade de Toledo. Em fevereiro, outro ortopedista foi condenado a 10 anos de prisão por cobrar pagamentos de pacientes para realizar cirurgias pelo SUS.

Paciente pagou R$ 6,5 mil para antecipar cirurgia
Uma das vítimas relatou ter pago R$ 6,5 mil em dinheiro, no dia da cirurgia, para conseguir realizar o procedimento sem aguardar a fila regular do SUS.

Segundo o depoimento, o médico afirmou que o valor não correspondia ao custo integral da cirurgia, mas seria uma “parceria” que permitiria antecipar o procedimento. Caso contrário, a paciente teria que esperar cerca de um ano e meio pelo atendimento público.

A vítima disse que não tinha plano de saúde nem condições financeiras para pagar por atendimento particular e que aceitou a proposta por causa das dores intensas no joelho.

Condenação também na esfera cível

Em agosto de 2025, Bier foi condenado por improbidade administrativa na esfera cível. Na decisão, a Justiça determinou a devolução de R$ 53.786,82 cobrados indevidamente dos pacientes e o pagamento de multa civil de R$ 107.573,64, totalizando mais de R$ 160 mil.

Além da penalidade financeira, Bier foi afastado da função pública, teve o credenciamento no SUS cancelado, os direitos políticos suspensos por oito anos e está proibido de firmar contratos com órgãos públicos por seis anos.

Em outro processo anterior a esta condenação, o médico também foi sentenciado por corrupção passiva.

Prisão em flagrante

Em 2015, o ortopedista foi alvo de uma operação da Promotoria de Justiça em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Ele foi preso em flagrante após receber R$ 4,6 mil de uma paciente.

Conforme o MP, a vítima foi orientada a levar o dinheiro até o consultório. A entrega do envelope foi monitorada, e a quantia apreendida no local. Objetos do consultório também foram recolhidos para investigação.

Ele foi solto no decorrer do processo e respondeu às acusações em liberdade.

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