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Aldeia Sol do Amanhecer, em Blumenau, agora tem luz. Indígenas do grupo Kaingang vivem no local.
Durante à noite, a escuridão tomava conta da aldeia indígena Sol do Amanhecer, localizada em Blumenau, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina.
O sol se punha e as crianças precisavam fazer o dever de casa à luz de velas e um fogo era aceso para todos pudessem se ver.
Tudo mudou com a instalação de um poste.
Os sorrisos estamparam os rostos dos indígenas, que são do grupo Kaingang, após a conquista, que precisou tramitar na esfera judicial. "Povo está feliz", resumiu o cacique, Alcir Salvador.
Entre os moradores está Elena Cadete, que, aos 106 anos, pela primeira vez morou em um local com energia elétrica.
A luta para trazer a luz na aldeia começou há anos.
Porém, foi em 2026 que o Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas do Ministério dos Povos Indígenas enviou um ofício à Defensoria Pública pedindo apoio.
Com esse suporte, a Defensoria entrou com uma ação civil pública. A aldeia fica no bairro Itoupava Norte, em uma área urbanizada.
A energia elétrica começou a funcionar no local em 5 de setembro.
Falta de iluminação atrapalhava rotina e gerava risco de acidentes
O cacique explicou que, antes da chegada da energia elétrica, a escuridão atrapalhava até os estudos dos filhos dele e ele acendia velas para que pudessem fazer os deveres de casa.
"Quando não tem vela, a gente tinha que fazer um fogareiro bem novamente, bem aceso, bem forte, para que eles pudessem fazer o 'tema' deles".
A faz de iluminação também era um risco para acidentes domésticos, principalmente no caso de Elena, e atrapalhava na hora da produção de artesanatos que são vendidos por eles.
Prejudicava também a própria convivência entre eles, que mal conseguiam ver uns aos outros à noite.
"Não foi fácil para conseguir essa claridade, para nós podermos nos enxergar, para nós podermos conversar".
Conquista foi celebrada com chaleira elétrica
Com a ação civil pública em curso, as Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), companhia responsável pelo fornecimento de luz no estado, instalou um poste na aldeia.
A Defensoria Pública informou que vai encaminhar o processo à Justiça Federal, com o objetivo de ajudar a manter a energia elétrica no local de forma permanente.
Para comemorar a conquista, os moradores se juntaram para comprar uma chaleira elétrica.
O defensor público Jorge Calil Canut, que atuou no caso, destacou a celebração da chegada da luz na aldeia.
"Uma chaleira elétrica é algo comum pra gente, mas pra eles significou muito. Algo simples e com custo muito baixo pode dar dignidade às pessoas", declarou.
As provas haviam sido consideradas ilegais em 2025. Defesa da médica recorreu da decisão de Moraes ao plenário do STF, que ainda não tem prazo para julgar o caso.
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