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No aniversário de 109 anos, trajetória do município passa pela presença indígena, tropeirismo, colonização, ciclos da madeira e consolidação da agroindústria.
Chapecó completa 109 anos de emancipação nesta terça-feira (25). Fundado oficialmente em 25 de agosto de 1917, o município atravessou transformações territoriais, econômicas e sociais até se consolidar como um dos principais polos do Oeste de Santa Catarina.
A trajetória passa pela presença indígena, pelo tropeirismo, pela colonização, pela exploração da madeira e pela expansão da agroindústria. Mais recentemente, novas atividades, como tecnologia e software, também começaram a ganhar espaço.
Antes da chegada dos colonizadores, a região era ocupada principalmente por povos indígenas, entre eles guaranis e caingangues.
O território também passou a ser atravessado por tropas de gado que saíam do Rio Grande do Sul em direção a Sorocaba, em São Paulo. O tropeirismo contribuiu para o surgimento de fazendas e pontos de passagem conhecidos como “passos”, entre eles o Passo do Carneiro e o Passo dos Fortes.
A definição territorial da região foi resultado de diferentes disputas políticas. Antes de pertencer a Santa Catarina, o território esteve ligado ao Paraná e foi alvo de uma controvérsia internacional entre Brasil e Argentina, conhecida como Questão de Palmas.
A decisão favorável ao Brasil, proferida pelo presidente norte-americano Grover Cleveland, abriu caminho para uma nova disputa, desta vez entre Paraná e Santa Catarina.
O conflito, conhecido como Questão do Contestado, terminou com um acordo entre os dois estados em 1916. No ano seguinte, foram criados os municípios de Cruzeiro do Sul, atual Joaçaba, e Chapecó, consolidando a presença catarinense na região.
A emancipação dos dois municípios ocorreu em 25 de agosto de 1917, data que permanece como um marco histórico compartilhado.
A colonização ganhou força com a chegada de descendentes de imigrantes, principalmente vindos do Rio Grande do Sul, em busca de novas terras. As famílias trouxeram práticas de agricultura de subsistência e criação de suínos e aves, que posteriormente contribuiriam para a formação da agroindústria regional.
A empresa Bertazzo Maia e Cia. teve participação na ocupação e comercialização das terras. Chapecó já era município quando as empresas colonizadoras chegaram, e a sede administrativa passou por diferentes localidades até ser estabelecida no local atual, em 1931.
Com a colonização, a exploração das matas impulsionou o ciclo da madeira e o surgimento de diversas serrarias. A produção era transportada pelo Rio Uruguai em balsas para cidades brasileiras e também para a Argentina, formando a história dos conhecidos balseiros.
No início da década de 1960, a escassez de madeira e a queda dos preços enfraqueceram a atividade extrativista e abriram espaço para um novo ciclo econômico.
A criação de suínos e aves cresceu entre os colonos e passou a abastecer principalmente o mercado de São Paulo. Nesse período surgiram frigoríficos como Marafon e Chapecó Alimentos, além da expansão da Aurora.
A partir da década de 1990, Chapecó ampliou as exportações e alcançou mercados como China, Rússia, Arábia Saudita e Estados Unidos.
A agroindústria tornou-se um dos principais motores da economia local e impulsionou outros setores, como comércio, transporte, construção civil e serviços.
Atualmente, embora a atividade agroindustrial continue exercendo papel fundamental, os setores de tecnologia e software começam a ampliar sua presença na economia do município.
O território de Chapecó em 1917 era significativamente maior que o atual e, ao longo das décadas, deu origem a mais de 120 municípios.
A partir dos anos 1950, diversas comunidades e colônias começaram a se emancipar, contribuindo para a formação do atual mapa do Oeste catarinense.
Entre os episódios preservados na história local está a chegada do governador Adolfo Konder, em 1929, 12 anos após a emancipação. Diante da falta de estradas, a viagem até a região durou cerca de dois meses e envolveu deslocamentos de carro, barco e cavalo.
Outro personagem lembrado é o juiz Antônio Selistre de Campos, reconhecido por sua atuação em defesa dos povos indígenas e dos direitos sobre as terras.
Da erva-mate e do tropeirismo à madeira, à agroindústria e às novas tecnologias, a história de Chapecó revela uma capacidade constante de adaptação e transformação ao longo de seus 109 anos.
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