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Ricardo Godoi morreu em 20 de janeiro. Ele recebeu anestesia geral para fazer uma tatuagem nas costas.
Seis meses após a morte do influenciador e empresário Ricardo Godoi, de 46 anos, o Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu o uso de sedação, anestesia geral ou bloqueios anestésicos periféricos para a realização de tatuagens. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta segunda-feira (28).
De acordo com a resolução do CFM, a proibição vale para procedimentos de todos os tamanhos e em todas as regiões do corpo. A exceção é no caso de tatuagens indicadas por médicos para reconstrução de partes do corpo.
Godoi recebeu anestesia geral para fazer uma tatuagem nas costas. O médico que fez a aplicação responde a um processo judicial. A denúncia do MPSC foi aceita em 7 de julho.
Processo
O profissional foi denunciado por homicídio culposo. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), ele atuou com negligência ao não realizar consulta prévia ou exigir exames obrigatórios. O nome do anestesista não foi divulgado.
O MP detalhou que o médico, de 34 anos, conheceu o paciente apenas no momento do procedimento, o que violaria as normas técnicas do Conselho Regional de Medicina (CRM/SC).
Além disso, o anestesista não pediu exames como eletrocardiograma e radiografia de tórax, que são condutas recomendadas a pacientes com histórico de hipertensão e idade superior a 40 anos.
O médico foi indiciado em maio. Na última sexta-feira (4), o MP chegou a oferecer uma proposta de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) ao profissional, que foi negada por ele.
O acordo é uma ferramenta judicial onde o investigado confessa o crime e se compromete a cumprir condições estabelecidas pelo Ministério Público.
Causa da morte
A causa da morte do Godoi foi parada cardiorrespiratória, conforme a própria declaração do hospital. O exame pericial no corpo do empresário e influenciador confirmou a suspeita de que ele tinha hipertrofia no coração (desenvolvimento excessivo do músculo do coração). Ele não chegou a fazer a tatuagem.
A declaração de óbito citou o uso de anabolizante como uma "condição significativa" que contribuiu para a morte. A família, no entanto, afirmou à Polícia Civil que o empresário não usava as substâncias há cerca de cinco meses e que fez exames que indicaram aptidão ao procedimento.
Godoi era pai de quatro filhos, avô de uma neta, casado e dono de uma empresa de carros de luxo. Ele morreu no Hospital Dia Revitalite, que se pronunciou por nota explicando que forneceu somente uma sala operatória e equipamentos (confira a nota mais abaixo).
O que diz o hospital
O hospital publicou uma nota sobre o caso em uma rede social:
O Hospital Dia Revitalite vem a público expressar suas mais sinceras condolências aos familiares do Sr. Ricardo Godoi, que infelizmente faleceu durante procedimento realizado por intermédio de médico particular contratado pelo studio de tatuagem e pelo próprio falecido.
Esclarecemos que a atuação do hospital se limitou à disponibilização de uma sala operatória e demais equipamentos necessários homologados pelo CRM/SC e que compõem uma Sala Cirúrgica completa.
Ressaltamos, portanto, que o Hospital Dia Revitalite não teve qualquer participação no procedimento realizado, tampouco qualquer membro do nosso quadro clínico esteve envolvido em qualquer etapa do procedimento até a intercorrência.
Como em todo e qualquer caso, estamos colaborando integralmente com as autoridades competentes e fornecendo todos os esclarecimentos e documentos protocolares exigidos por lei para a apuração das circunstâncias que levaram ao lamentável ocorrido.
Reafirmamos nosso compromisso com a segurança e o bem-estar de todos que utilizam nossas instalações e serviços.
Neste momento de dor, renovamos nosso apoio e solidariedade aos familiares e amigos.
O que diz o estúdio de tatuagem
Primeiramente o Studio de Tatuagem lamenta profundamente o falecimento do Ricardo, que além de cliente era um grande amigo do proprietário do Studio. Esclarecemos que o Ricardo iria fazer conosco um fechamento de costas com anestesia geral, sedação e intubação. Para isso contratamos um hospital particular com toda equipe, equipamentos e drogas anestésicas necessárias para a segurança do procedimento. Contratamos também um médico com especialização em anestesiologia e experiência em intubação, que teve sua documentação aprovada pelo hospital.
Foram solicitados previamente exames de sangue, que não apontaram nenhum risco explícito [para] a realização do procedimento. O Ricardo assinou o termo de consentimento de risco do procedimento. O que ocorreu é que no começo da sedação e intubação ele teve uma parada cardiorrespiratória, que ocorreu antes mesmo de começarem a tatuarem ele, que foi verificado rapidamente e chamado um cardiologista para tentar reanimar ele, infelizmente sem sucesso.
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