09 de junho de 2026
Gerais

'Juju do Pix': seis meses após primeira cirurgia reparadora, médico divulga novo 'antes e depois'

Criadora de conteúdo gaúcha faz tratamento para retirar óleo mineral do rosto. Médico também realizou implante de próteses mamárias e destacou melhora na qualidade de vida.

Por G1 Rio Grande do sul

Atualizado em 09/06/2026 | 12:12:00

Seis meses após o início do processo de reconstrução facial, a criadora de conteúdo Juliana Oliveira, conhecida como "Juju do Pix", passou por três reabordagens cirúrgicas no rosto e realizou o implante de próteses de silicone nas mamas.

O balanço do tratamento foi divulgado na última segunda-feira (8) pelo médico responsável, Thiago Marra (veja antes e depois abaixo). Segundo ele, as três intervenções ocorreram com sucesso e sem intercorrências.

Em janeiro deste ano, Juliana havia relatado complicações na cicatrização e abertura de pontos após a primeira cirurgia, realizada em novembro de 2025. O procedimento inicial teve o objetivo de retirar o óleo mineral injetado de forma clandestina no rosto da gaúcha.

O médico destacou o impacto das cirurgias na rotina da criadora de conteúdo.

"Ao longo desses meses, vimos uma evolução impressionante na autoestima, na confiança e na qualidade de vida da Juju. Conseguimos reduzir significativamente os ataques de ódio, o bullying e a perseguição que ela sofria diariamente", afirmou Marra.
Segundo o cirurgião, Juliana está feliz com os resultados alcançados e compreende cada etapa do processo.

"Seguiremos trabalhando com responsabilidade, segurança e dedicação para buscar novas melhorias dentro do que for possível", acrescentou o profissional.

Histórico

Há oito anos, Juliana se priva de sair de casa para eventos sociais, como festas, encontrando na internet uma maneira de interagir com outras pessoas. Ela conta que, como uma mulher transexual, queria deixar seus traços mais femininos.

Sem recursos ou informações sobre procedimentos menos invasivos, procurou uma clínica clandestina, que alegou utilizar silicone industrial. Com o passar do tempo e o inchaço, descobriu que havia sido injetado óleo mineral.

Logo após o procedimento, o médico responsável, Thiago Marra, explicou ao g1 que a cirurgia foi feita de forma conservadora para diminuir os riscos. Segundo a criadora de conteúdo, a cirurgia exigiu paciência e técnica.

“Não digo nem pelos riscos, mas pelo grau de dificuldade que é para tirar esse produto do meu rosto, então não é fácil”, relatou.

O apelido "Juju do Pix" surgiu depois que, ao enfrentar dificuldades para conseguir emprego após um procedimento estético malsucedido, durante a pandemia Juliana recorreu à internet para pedir ajuda e arrecadar dinheiro para uma cirurgia reparadora.

Mesmo após ter aparecido em um programa de televisão e conseguido cerca de R$ 20 mil em uma vaquinha, a influenciadora foi contestada por internautas por pedir novos valores. Juliana disse, nas redes sociais, que havia desistido do procedimento por não ter conseguido o valor total da operação e afirmou ter doado o dinheiro.

Riscos do procedimento clandestino
O uso desses materiais em procedimentos estéticos ilegais é comum por conta do baixo custo, explica Ronaldo Righesso, cirurgião plástico e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

"São produtos muito mais baratos, aplicados por pessoas sem qualificação", relata.
De acordo com o cirurgião, em diferentes ocasiões, os procedimentos ilegais também não são feitos em lugares esterilizados, aumentando os riscos. Ele recomenda que todo paciente exija as informações do produto que foi aplicado, incluindo marca, número do lote e certificado.

 A aplicação de produtos proibidos no corpo humano pode ser considerada crime contra a saúde pública, com punições previstas nos artigos 282, 284 e 129 do Código Penal – exercício ilegal da medicina, curandeirismo e lesão corporal, respectivamente.

 De acordo com o Dossiê Anual de 2025 da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), a falta de acesso aos procedimentos seguros é consequência da marginalização dessa população no Brasil. O documento conclui também que a aparência "não normativa" é fator de alto risco para o assassinato de pessoas trans e travestis.

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