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Vítima argentina era mantida sem contato com a filha de 3 anos; proprietários de casa noturna foram presos em flagrante
Uma operação conjunta realizada na manhã desta sexta-feira (10) em São Lourenço do Oeste expôs um cenário grave de exploração sexual, cárcere privado e trabalho análogo à escravidão dentro de uma casa noturna do município. A ação contou com a participação da Polícia Civil, Polícia Federal e Ministério Público do Trabalho.
As apurações tiveram início ainda no ano passado, conduzidas pela Polícia Civil por meio da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI).
Segundo o delegado da Polícia Civil de Santa Catarina, Ricardo Melo, a investigação começou com indícios de exploração da prostituição e possíveis situações de cárcere privado envolvendo funcionárias do estabelecimento.
Com o avanço das diligências, surgiram elementos mais graves, apontando para condições de trabalho degradantes e possível redução à condição análoga à escravidão. Diante disso, o caso passou para a esfera federal, com atuação da Polícia Federal.
Durante o cumprimento dos mandados judiciais nesta sexta-feira, as equipes confirmaram a situação em flagrante. Uma das vítimas, uma mulher de origem argentina, teria sido trazida ao local para exploração sexual.
De acordo com as autoridades, ela era mantida em condições de restrição e, o que mais chamou atenção, estava impedida de manter contato com sua filha de apenas três anos, que também permanecia no local.
O delegado da Polícia Federal, Paulo Dequi Palma, afirmou que, diante das evidências, foi possível caracterizar a situação de flagrante, incluindo a manutenção da vítima em condição de escravidão e a restrição do convívio com a filha.
A situação configura não apenas exploração, mas também violação grave de direitos humanos, envolvendo inclusive possível tráfico de pessoas.
Diante dos fatos constatados durante a operação, a Polícia Federal realizou a prisão em flagrante dos proprietários da casa noturna, suspeitos de manter a vítima em situação de escravidão e de impedir o convívio entre mãe e filha.
O caso segue sob responsabilidade da Polícia Federal, que dará continuidade aos procedimentos legais e à investigação.
O Ministério Público do Trabalho acompanha a ocorrência e deve adotar medidas na esfera trabalhista.
A procuradora do MPT, Elysa Tomazi, destacou que o órgão atua para responsabilizar os empregadores e garantir a reparação dos danos causados às vítimas, além de assegurar que seus direitos sejam integralmente respeitados.
A operação segue em andamento e novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço das investigações.
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