05 de agosto de 2026
Segurança

Mulher teve intestino perfurado e ficou em coma após operação com cirurgião plástico acusado de crimes: 'Cicatrizes por todo o corpo'

Médico é alvo de 97 inquéritos após mulheres relatarem deformações e infecções. Defesa afirma que caso tramita em sigilo e não comentou as acusações.

Por RIO GRANDE DO SUL

Atualizado em 05/08/2026 | 11:24:00

Mulheres que passaram por procedimentos com o cirurgião plástico Leandro Fuchs relatam prejuízos físicos, emocionais e financeiros após as cirurgias.

Em um dos casos, a paciente teve uma perfuração no intestino, desenvolveu sepse e precisou passar por outras cirurgias. Gisele Benacchio da Costa fez três procedimentos com Leandro Fuchs em 2022.

Ao todo, 97 inquéritos foram abertos desde que os primeiros casos foram mostrados pelo RBS Notícias, no início de 2024. A Justiça aceitou as primeiras sete denúncias apresentadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).

Com a decisão, o médico passa a responder por crimes como estelionato, falsidade ideológica, concussão e, contra uma das pacientes, também por injúria racial.

Em nota, a defesa de Fuchs informa "que as investigações e a ação penal tramitam sob sigilo de Justiça e, por esse motivo, não se manifestará sobre o mérito das acusações". Leia, abaixo, na íntegra.

Paciente ficou em coma

Gisele conta que enfrentou uma série de complicações, passou 47 dias internada, sendo seis desses em coma e 17 na unidade de terapia Intensiva (UTI). Durante cinco meses, Gisele precisou usar uma bolsa de colostomia.

"Eu tenho um lado totalmente torto. Cicatrizes por todo o corpo", conta.

A mulher ficou com o lado esquerdo do abdômen deformado, cicatrizes na barriga e nas mamas e já precisou colocar duas telas para tentar corrigir uma das sequelas.

As consequências também são emocionais. Gisele diz que não consegue mais trabalhar e pede por justiça. "Eu não me identifico mais como uma pessoa, como uma mulher. Hoje eu me vejo em um Frankenstein", afirma.

As vítimas relataram necroses, infecções, deformações e outras complicações decorrentes das cirurgias. Segundo a polícia, mais da metade das 727 cirurgias analisadas precisaram de reparos. Foram 481 procedimentos que teriam necessitado de novas intervenções, o equivalente a mais de 66%.

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