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Menina de 16 anos era funcionária na mesma clínica em que o médico José Roberto Jacomel, de 75 anos, trabalhava. Ele foi demitido logo após a vítima denunciar o caso. Apesar disso, ele continuou indo
Investigações da Polícia Civil apontam que o médico José Roberto Jacomel, de 75 anos, importunou sexualmente uma adolescente de 16 anos durante um exame ginecológico em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
A menina era funcionária na mesma clínica em que o médico trabalhava. Ela relatou à polícia que o assédio durante o exame foi apenas um dos episódios envolvendo Jacomel.
"Começou esse problema com esse doutor em específico. Começou com carícias no cabelo, segurar o ombro, abraçar e não querer soltar mais. Ela reclamou para mim. Chegava em casa e reclamava", explica a mãe da jovem, que não será identificada para proteger a identidade da adolescente.
As investigações iniciaram depois que a família da vítima registrou um Boletim de Ocorrência contra o médico, relatando uma situação em que Jacomel a abraçou e tentou beijá-la.
"Ela teria relatado para a mãe também, fato que acabou sendo comprovado, que em um sábado, quando ela estava trabalhando na clínica, esse médico chegou por trás dela, abraçou ela e, posteriormente, passou a falar com palavras de cunho sexual, bem como pegou no queixo dela e tentou beijá-la", detalha o delegado Gustavo Alves Pinho, responsável pelas investigações.
Conforme a polícia, ele foi demitido da clínica logo depois que a vítima denunciou o caso. Apesar disso, o médico continuou indo ao local. Com medo, ela solicitou uma medida protetiva.
"Ele ficava andando ali na frente de um lado para o outro. Ela saía do serviço e ele estava ali encarando ela com a cara feia. A gente ficou com bastante medo. Eu perdi meu emprego porque tive que pedir a conta. Tenho que ficar indo à delegacia, ao psicólogo, ao psiquiatra... A gente está bem desestabilizado", detalhou a mãe.
Jacomel foi indiciado por importunação sexual e violação sexual mediante fraude, uma vez que um dos crimes aconteceu durante a realização de um exame. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que decidirá se apresenta, ou não, denúncia.
A defesa do médico foi procurada, mas não respondeu até a última atualização desta reportagem.
CRM vai instaurar sindicância
Procurado pela RPC, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informou que não tinha recebido nenhuma denúncia ou ofício envolvendo o profissional.
Porém, a partir das informações passadas à autarquia pela equipe de reportagem, o CRM-PR informou que irá instaurar uma sindicância para averiguar as circunstâncias dos fatos e se eles possuem relação com o exercício da medicina.
"Caso comprovada conduta violadora das regras éticas, as sanções previstas na Lei de criação dos Conselhos de Medicina vão desde advertência confidencial, podendo chegar à cassação do exercício profissional, a depender do grau de culpa e da gravidade das consequências apuradas", diz a nota do órgão.
Suspeito de 23 anos havia deixado recentemente a prisão e foi localizado no imóvel no bairro Santa Catarina.
Vítima de 16 anos havia procurado a Polícia Civil para relatar ameaças e solicitar medidas protetivas contra a mãe.
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