24 de julho de 2026
Segurança

Marroquina é abandonada com filhos em rodoviária do PR e polícia investiga homem suspeito de aplicar golpe após oferecer ajuda com moradia e visto

Outra marroquina também seria abandonada, mas conseguiu acionar a polícia ao suspeitar do homem. Ele é investigado por lesão corporal, dano e estelionato. Segundo delegado, também há indícios de que e

Por G1 Paraná

Atualizado em 24/07/2026 | 10:55:00

Uma marroquina foi encontrada abandonada com os filhos na rodoviária de Cornélio Procópio, no Norte do Paraná. A Polícia Militar (PM) chegou até a mulher depois que uma colega dela, também marroquina, denunciou o caso.

Um homem que teria oferecido abrigo para elas no estado e, depois de se apropriar do dinheiro delas, as despejou, está sendo investigado pela Polícia Civil (PC-PR).

O nome dele não foi divulgado pela polícia. Segundo o delegado Adriano Diogo, ele não está preso, mas está sendo investigado por lesão corporal, dano e estelionato majorado pela vulnerabilidade das vítimas.

O caso aconteceu na manhã da última segunda-feira (23). Conforme o delegado, cada uma foi ouvida separadamente, com ajuda de um tradutor.

"Foram depoimentos convergentes, citando praticamente a mesma coisa com relação à conduta desse investigado, motivo pelo qual ele vai ser indiciado pelos crimes", disse Adriano.

Uma das vítimas disse que ela e o filho foram agredidos pelo homem e teve o celular danificado por ele. Após serem resgatadas, as mulheres e as crianças – uma menina, de 1 ano, e dois meninos, de 3 e 7 anos – foram levadas para um abrigo municipal de Cornélio Procópio, onde estão recebendo apoio psicossocial.

De acordo com o delegado, o homem também é marroquino e havia chegado há pouco tempo ao Brasil. A investigação apontou que há indícios de que ele promovia migração ilegal e o crime será apurado pela Polícia Federal.

Vítimas foram enganadas com promessas de vida melhor

O delegado Adriano explicou que uma das mulheres, de 27 anos, veio com um filho para o Brasil em abril. Ela passou um tempo em uma comunidade para refugiados em São Paulo. A princípio, ela tinha o visto de turista e não poderia ficar no país por mais de 90 dias.

Em depoimento, a mulher disse que conheceu o homem pela internet e foi atraída após ele prometer que a ajudaria a regularizar a situação migratória no Brasil. Ele também ofereceu emprego, moradia e escola para o filho dela no Paraná.

O mesmo aconteceu com outra mulher, que chegou ao país com dois filhos, há cerca de 20 dias. Segundo o delegado, o homem fez as mesmas promessas a ela.

Logo depois, as duas viajaram juntas de ônibus e chegaram ao Paraná, onde ficaram em uma casa supostamente alugada pelo homem.

"Elas não entraram [no Brasil] com status de refugiadas e esse indivíduo prometeu conseguir o status de refugiado para que elas ficassem de maneira permanente no país. [...] Segundo os depoimentos, após conquistarem sua confiança, o investigado passou a exigir valores para supostos serviços, apropriando-se de aproximadamente R$ 7 mil das vítimas, além de expulsá-las da residência onde estavam hospedadas", disse o delegado.

Depois disso, foi apurado que ele pegou as duas mulheres e as levou até a rodoviária. Contudo, durante o trajeto, uma das mulheres questionou a conduta dele, e ela e o filho foram agredidos por ele. Segundo o delegado, foi depois disso que ela saiu do carro e resolveu procurar a Polícia Militar.

"Ele pegou uma delas com dois filhos, sem nenhum dinheiro, sem nada, levou até a rodoviária e deixou ela lá, à própria sorte, para que ela se virasse, sem falar a língua do país, sem dinheiro e com duas crianças. A outra ele levou separado e durante o trajeto a outra questionou a conduta dele e hoje acabou agredindo essa outra mulher com o filho também, danificou o aparelho do celular dela, quando então ela foi até a companhia da Polícia Militar pedir ajuda", informou o delegado.

Investigado prestou depoimento e disse que só queria ajudar as mulheres
O homem prestou depoimento à polícia e negou as acusações. Segundo o delegado, o suspeito afirmou que quis apenas ajudar as mulheres, que estariam passando fome nas ruas de São Paulo.

"Ele disse que, na realidade, uma delas, que é irmã de um amigo dele, pediu ajuda para vir para cá [Paraná] e inclusive mostrou alguns documentos e pagamentos que ele fez para pagar a viagem delas. Mas a versão dele está bastante contraditória. [...] Ele afirma que queria ajudar, mas a forma como tratou elas é totalmente contrária", disse o delegado.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Utilizamos cookies para personalizar anúncios e melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.