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Mulher ameaçou filho com uma faca para impedir que ele denunciasse crime às autoridades. Ela e o marido foram denunciados por tentativa de homicídio qualificado, perseguição e coação.
A mulher de 41 anos que tentou encomendar o assassinato da funcionária de uma Casa Lar de Abatiá, no Norte do Paraná, também ameaçou o filho de morte, após ele descobrir o plano. A informação é do Ministério Público do Paraná, que denunciou a mulher e o marido pelo crime.
A mulher está presa preventivamente desde o dia 10 de julho, após a denúncia feita pelo filho. Segundo o MP, a prisão foi aceita pela Justiça como principal medida para garantir a integridade das vítimas.
Segundo o órgão, a investigação apurou que a mãe ameaçou o adolescente com uma faca para tentar impedir que ele contasse sobre o plano de execução às autoridades.
O casal foi denunciado pelos crimes:
Tentativa de homicídio qualificado: devido ao plano de assassinar a servidora pública;
Perseguição: por monitorar de forma reiterada quatro servidores públicos, acompanhando as rotinas e registrando imagens pessoais deles por meio da internet;
Coação: por ameaçar o filho para que não contasse sobre o plano às autoridades.
Os nomes da mulher e do marido dela não foram divulgados pela polícia para não identificar os filhos deles e a funcionária ameaçada, que não foi ferida e está bem. O g1 tenta identificar a defesa do casal.
Na denúncia, além de pedir a condenação do casal pelos crimes, o Ministério Público também solicitou o pagamento de uma indenização de R$ 100 mil para reparar os danos morais causados às vítimas.
Mulher planejou crime para 'vingar' a perda da guarda dos filhos
Conforme a denúncia, entre maio e junho deste ano, o casal planejou matar a servidora pública. A Polícia Civil apurou que a mulher culpava a vítima por ter perdido a guarda dos três filhos.
O MP informou que acompanha a situação da família desde "pelo menos" 2022. É citado que a Promotoria de Justiça de Ribeirão do Pinhal adotou medidas para tentar manter as crianças com os pais, mas foi necessária a retirada da guarda após constatarem um "grave quadro de negligência e da situação de risco".
"As crianças estariam sofrendo maus-tratos, não estariam tendo alimentação adequada, não estariam tendo o ensino adequado e não estariam frequentando a escola. Teria ali a prática de abandono intelectual e maus-tratos", disse o delegado Luis Guilherme Almdeia, ao explicar o motivo para os pais perderem a guarda dos filhos.
O MP também reforçou que fiscaliza regularmente a Casa Lar de Abatiá e que nenhuma irregularidade foi encontrada no atendimento.
Como o filho soube do plano
O filho de 16 anos da mulher, mesmo vivendo em um local de acolhimento, continuou visitando os pais. Em uma das visitas, ele ouviu que a mãe estava encomendando o assassinato de uma das funcionárias da Casa Lar.
Ao saber disso, o menino viu o celular e encontrou a conversa entre a mãe e o intermediário. Na troca de mensagens, a suspeita explica onde a funcionária deixa o carro e também negocia a data para o pagamento de R$ 3 mil pelo crime: "Vamos deixar para o dia sete, é o dia em que eu recebo", escreveu.
A investigação da polícia encontrou prints que mostram a mãe conversando com um intermediário. Na conversa, ela diz que gostaria de "apagar uma infeliz
do mapa". Além disso, ela cita que a vítima teria "tomado" os filhos dela e "feito a cabeça" do promotor.
Segundo o MP, o homicídio seria praticado por motivo fútil e com emprego de recurso que dificultaria a defesa da vítima, em razão do planejamento prévio do ataque.
"O crime só não foi consumado porque o filho adolescente da denunciada tomou conhecimento do plano e alertou a vítima, possibilitando o registro da ocorrência policial. Com a divulgação dos fatos, o executor contratado desistiu da prática do homicídio", disse o MP.
Investigação encontrou intermediário
Quando o adolescente e a funcionária procuraram a Polícia Civil para fazer a denúncia, as mensagens haviam sido excluídas do celular da suspeita. Apesar da falta de provas, a investigação conseguiu identificar o intermediário, que cedeu os prints da conversa.
"O intermediário foi muito colaborativo. [...] Segundo ele, ele estava tratando para ver até onde a investigada chegaria, se ela realmente pagaria. E, assim, segundo ele, ele levaria em seguida essa informação para a Polícia Civil", o delegado contou.
A pessoa que estava conversando com a mulher não foi presa. A partir das informações dela, a polícia conseguiu apurar o crime e solicitar a prisão da mãe.
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