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Em seu primeiro ano na modalidade, a atleta de 28 anos superou desafios, retomou o motociclismo após anos afastada e colocou São Lourenço do Oeste no topo do Sul do Brasil.
A lourenciana Kemony Ecker, de 28 anos, conquistou um feito histórico ao tornar-se Campeã Sul-Brasileira de Enduro FIM 2025, pela categoria feminina. A decisão ocorreu no Rio Grande do Sul, encerrando um campeonato que reúne pilotos dos três estados do Sul e exige alto nível de técnica e resistência.
A relação de Kemony com o motociclismo começou ainda na infância. “Comecei a fazer trilha com 12 anos, porque a gente já andava na lavoura do meu pai e acabei fazendo amizade com pessoas que praticavam”, relembra. Aos 16 anos, porém, trabalho e faculdade a afastaram do esporte. A volta só aconteceu dois anos atrás, inicialmente focada no velocross.
O Enduro FIM é uma modalidade off-road que exige grande preparo físico, técnica e resistência. As provas são divididas em trechos cronometrados — as chamadas especiais, como o Enduro Teste e o Cross Teste — onde o piloto precisa ser rápido e preciso, além de cumprir deslocamentos mantendo regularidade.
A modalidade segue os regulamentos oficiais da Federação Internacional de Motociclismo (FIM), que padronizam as regras, o formato das especiais e os critérios de segurança adotados mundialmente.
O retorno de Kemony ao Enduro começou por incentivo de amigos, que a inscreveram no campeonato regional. A primeira impressão não foi das melhores.
“Na primeira etapa eu quis desistir. Falei que isso não era pra mim, que meu esporte era o velocross. Mas continuei… e hoje é uma nova paixão”, conta.
Apesar de já ter conquistado bons resultados no velocross, foi no Enduro que viveu seu primeiro grande ciclo completo e seu título mais expressivo.
Kemony destaca que, mesmo com o crescimento do número de mulheres no motociclismo, ainda há obstáculos culturais a serem enfrentados.
“Temos muitas pessoas que apoiam e nos parabenizam pela coragem e força, porém, como em todo esporte, ainda encontramos preconceitos pelo caminho.”
A atleta ressalta que o apoio local é fundamental para expandir a modalidade e incentivar novas competidoras.
Para o próximo ano, Kemony mira um objetivo ainda mais ambicioso: disputar o Campeonato Brasileiro de Enduro FIM.
“Quero treinar bastante, melhorar meus tempos e, se conseguir apoio, participar do Brasileiro em 2026.”
Ela também celebra a liberação, pela prefeitura, de um espaço para construção de uma pista de treinos, considerada essencial para o desenvolvimento dos pilotos da cidade. Hoje, para treinar, a equipe precisa se deslocar para outros municípios.
“Com essa pista, vamos poder evoluir muito. E, se Deus quiser, trazer etapas de campeonatos para São Lourenço do Oeste.”
Kemony encerra deixando um recado para quem sonha em entrar no motociclismo — especialmente meninas que ainda têm receio de iniciar:
“Tenham coragem. Medo todo mundo tem, mas precisamos vencê-lo para chegar onde queremos.”
Com seu título e sua trajetória de superação, ela passa a ocupar um lugar especial na história esportiva de São Lourenço do Oeste — e inspira uma nova geração de atletas a acelerar com ela.
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