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Mobilização de 17 municípios busca reduzir deslocamentos, enfrentar o vazio assistencial e diminuir a dependência de outros polos de saúde.
A criação de um Hospital Regional do Noroeste ganhou força como uma das principais pautas de saúde pública da região. O tema foi defendido por prefeitos, vice-prefeitos, secretários de saúde e lideranças durante coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (13), no auditório da AMNoroeste, em São Lourenço do Oeste.
A proposta envolve 17 municípios do Noroeste catarinense, em uma mobilização articulada pela AMNoroeste, e busca garantir atendimento hospitalar mais próximo da população, reduzindo deslocamentos e a dependência de serviços prestados em Chapecó, Xanxerê e Pato Branco (PR).
A mobilização ganhou força após audiência realizada na quinta-feira (9), em Florianópolis, na sede do COSEMS, com o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi. No encontro, as lideranças apresentaram ao Governo do Estado a necessidade de uma solução regional para enfrentar o chamado vazio assistencial no Noroeste catarinense.
Atualmente, moradores dos municípios envolvidos na mobilização precisam buscar atendimentos de maior complexidade em outras regiões, muitas vezes a cerca de 100 quilômetros de distância. A situação envolve consultas especializadas, exames, cirurgias, internações e procedimentos que exigem estrutura hospitalar mais completa.
Durante a coletiva, foram apresentados dados que reforçam a dimensão do problema. Em oito municípios da região, há 702 pacientes aguardando atendimento no Estado, sendo 94 solicitações de alta complexidade, 512 de média complexidade e 86 múltiplas solicitações.
Somente São Lourenço do Oeste aparece com 298 pacientes aguardando, sendo 41 solicitações de alta complexidade, 218 de média complexidade e 39 múltiplas solicitações. Quilombo também registra número expressivo, com 207 pacientes na fila.
Presidente da AMNoroeste e prefeito de Coronel Martins, Moacir Bresolin destacou que a mobilização nasce de uma preocupação comum dos gestores municipais com a saúde da população.
Segundo ele, a região chegou a um ponto em que o desafio não está apenas nos recursos financeiros, mas também na falta de profissionais especializados, de estrutura física e de espaço para atendimento.
“Chegou a um ponto que não é o dinheiro o problema. É a falta de profissionais e de espaço para atender nossa população”, afirmou.
Moacir reforçou que prefeitos, secretários de saúde e Governo do Estado estão engajados na busca por uma solução regional para um problema que impacta diretamente a vida das pessoas.
O prefeito de Jupiá, Valdelírio Locatelli da Cruz, defendeu que a construção do hospital seja pensada como uma solução de longo prazo para o Noroeste catarinense.
Para ele, a mobilização representa um ato importante para o futuro da saúde, especialmente diante da demanda crescente por atendimento e da limitação da estrutura atual.
“Os números não mentem, os números falam a verdade. A nossa estrutura hoje não é suficiente para atender o que a gente tem de população”, ressaltou.
Valdelírio também defendeu que o projeto seja planejado com estrutura forte, incluindo equipe clínica e UTI, para que a obra possa atender a região por muitos anos.
O prefeito de São Lourenço do Oeste, Agustinho Assis Menegatti, destacou que a discussão integra uma visão de futuro para o município e para toda a região. Segundo ele, a saúde aparece constantemente entre as principais prioridades da população e precisa ser planejada para as próximas décadas.
Agustinho reforçou que a pauta não trata apenas de São Lourenço do Oeste, mas de toda a região Noroeste. Conforme o prefeito, o município se coloca à disposição para contribuir com a implantação da estrutura, caso o Estado avance com a proposta.
“São Lourenço do Oeste está disposto, juntamente com a Câmara de Vereadores, a adquirir um terreno e doar para o Estado para que isso aconteça”, afirmou.
O prefeito também ressaltou que a proposta não tem como objetivo enfraquecer estruturas hospitalares já existentes. Segundo ele, a intenção é somar esforços e buscar um hospital com atendimento regional e amplo pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
“Nós queremos um hospital que atenda pelo SUS 100%”, afirmou Agustinho.
Outro ponto apresentado durante a coletiva foi o volume de recursos destinados a atendimentos fora da região, especialmente em Pato Branco. Conforme os dados expostos, entre 2023 e 2026, os valores repassados ou previstos somam mais de R$ 18,1 milhões.
Em 2023, o total apresentado foi de R$ 3,56 milhões. Em 2024, passou para R$ 5,13 milhões. Em 2025, ficou em R$ 5 milhões. Para 2026, o novo teto anual apresentado é de R$ 4,45 milhões, com mudança a partir da competência de fevereiro.
A avaliação das lideranças é que os números reforçam a necessidade de uma solução regionalizada, capaz de organizar melhor o atendimento e permitir que parte da demanda seja resolvida mais perto da população.
Como encaminhamento, a Secretaria de Estado da Saúde deverá formalizar ainda em julho um documento técnico com estudos de viabilidade, custos estimados e possíveis modelos de gestão para o Hospital Regional do Noroeste.
Em agosto, prefeitos e secretários de saúde devem se reunir novamente para debater as prioridades regionais e definir o caminho a ser seguido. Todo o processo será documentado para embasar as tratativas com o Governo do Estado.
A mobilização reforça a união dos municípios do Noroeste catarinense em torno de uma pauta que envolve acesso à saúde, dignidade no atendimento e planejamento regional de longo prazo.
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