30 de julho de 2026
Segurança

Infecção por hantavírus

Infecção por hantavírus Análise completa: ago. 2025 PorStefania Carmona, MD, University of Alabama at Birmingham | Colega revisado porChristina A. Muzny, MD, MSPH, Division of Infectious Diseases.

Por msdmanuais.com

Atualizado em 30/07/2026 | 10:14:00

A infecção provocada por hantavírus consiste em uma doença viral, transmitida pelos roedores às pessoas. O vírus pode causar infecções graves dos pulmões (com tosse e falta de ar) ou dos rins (com dor abdominal e, por vezes, insuficiência renal).

Os hantavírus são transmitidos através do contato com roedores infectados ou seus excrementos.

A infecção começa com febre repentina, dor de cabeça, dores musculares e, por vezes, sintomas abdominais, o que pode ser seguido de tosse e falta de ar, ou por problemas renais.

Exames de sangue para identificar o vírus podem confirmar o diagnóstico.

Oxigênio e medicamentos para estabilizar a pressão arterial são usados se os pulmões forem afetados, e pode ser necessária diálise se os rins forem afetados.

(Consulte também Considerações gerais sobre infecções por arbovírus, arenavírus e filovírus).

A infecção por hantavírus infecta várias espécies de roedores por todo o mundo. O vírus está presente na urina e nas fezes dos roedores. A infecção é transmitida quando a pessoa têm contato com roedores, seus excrementos ou urina, ou possivelmente ao inalar partículas de vírus em locais onde se ocorre o acúmulo de grandes quantidades de excrementos de roedores.

A maioria dos hantavírus não é transmitida de pessoa para pessoa; em casos raros, o hantavírus dos Andes no sul da América do Sul é transmitido diretamente entre pessoas em contato físico próximo. As infecções por hantavírus estão se tornando mais comuns.

Existem várias espécies de hantavírus. Dependendo da espécie, o vírus afeta órgãos diferentes:

Os pulmões, causando a síndrome pulmonar por hantavírus (SPH).

Os rins, causando febre hemorrágica com síndrome renal (FHSR)

Porém, muitos dos sintomas das duas infecções se sobrepõem.

A síndrome pulmonar foi encontrada no oeste dos Estados Unidos e no Canadá, bem como em países da América Central e do Sul.

A síndrome renal ocorre principalmente em partes da Europa, Coreia, China e Rússia. O vírus é transmitido por ratos marrons da Noruega e foi disseminado pelo mundo por ratos em navios. Alguns casos de FHSR por infecção por hantavírus, transmitidos por ratos domésticos ou de laboratório, ocorreram nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa.

Sintomas de infecção por hantavírus

Os sintomas de infecção por hantavírus começam com febre repentina, dor de cabeça e dores musculares, geralmente aproximadamente duas semanas (mas até seis semanas) após a exposição a excrementos ou urina de roedores. Algumas pessoas também podem ter dor abdominal, diarreia ou vômito.

Esses sintomas continuam por vários dias.

Síndrome pulmonar por hantavírus
Depois disso, as pessoas com síndrome pulmonar apresentam tosse e falta de ar que podem se agravar o prazo de algumas horas. Há acúmulo de líquido ao redor do pulmão e a pressão arterial diminui.

A síndrome pulmonar causa morte em até aproximadamente 50% das pessoas. As que sobrevivem os primeiros dias melhoram rapidamente e se recuperam completamente no prazo de duas a três semanas.

Febre hemorrágica com síndrome renal

Em algumas pessoas que manifestam febre hemorrágica com síndrome renal, a infecção é leve e não causa sintomas.

Em outras, sintomas vagos (como febre alta, dores musculares, dor de cabeça e náuseas) começam de repente. Pessoas com sintomas leves se recuperam completamente.

Em outras, os sintomas se agravam. Algumas pessoas apresentam pressão arterial muito baixa (choque). Surge insuficiência renal e a produção de urina pode parar (chamado anúria). As pessoas podem ter sangue na urina e/ou nas fezes e hematomas na pele.

A morte ocorre em até 15% dos casos, dependendo da cepa do vírus e dos problemas médicos primários da pessoa. Das pessoas que sobrevivem, a maioria se recupera em três a seis semanas, mas a recuperação pode levar até seis meses.

Diagnóstico de infecção por hantavírus
Exames de sangue para identificar o vírus

Suspeita-se de infecção por hantavírus quando as pessoas que podem ter sido expostas ao vírus têm sintomas característicos.

Exames de sangue para identificar o vírus podem confirmar o diagnóstico.

Os médicos realizam outros exames de sangue para avaliar a função dos rins e de outros órgãos. Se houver suspeita de síndrome pulmonar, pode-se fazer uma radiografia do tórax. Geralmente um ecocardiograma (ultrassom do coração) é feito para excluir outras causas cardíacas da presença de líquido ao redor dos pulmões.

Tratamento de infecção por hantavírus

Cuidados de apoio

Para a síndrome pulmonar, oxigênio e medicamentos para estabilizar a pressão arterial

Diálise e o medicamento antiviral ribavirina para a febre hemorrágica com síndrome renal

O tratamento da infecção por hantavírus é principalmente de apoio.

Para a síndrome pulmonar, oxigênio e medicamentos para estabilizar a pressão arterial parecem ser fundamentais para a recuperação. Às vezes, um ventilador é necessário para ajudar a respirar ou, em casos muito graves, pode ser necessário o tratamento com máquina de oxigenação do sangue (oxigenação por membrana extracorpórea [ECMO]).

A diálise, que pode salvar a vida, talvez seja necessária para a febre hemorrágica com síndrome renal. O medicamento antiviral ribavirina, administrado por via intravenosa, pode ajudar a reduzir a gravidade dos sintomas e o risco de morte.

Febre de Lassa e febres hemorrágicas sul-americanas

A febre de Lassa e as febres hemorrágicas sul-americanas causadas por arenavírus são infecções virais que causam sangramento (hemorragia) e disfunção orgânica. Muitas vezes elas resultam em morte.

Essas infecções são transmitidas de roedores para pessoas, em geral quando as pessoas ingerem alimentos contaminados.

Os sintomas podem incluir febre, dores musculares, dor de cabeça, enjoo, vômito, tosse e dor de garganta, bem como sangramento pela boca, nariz ou órgãos internos.

Para confirmar o diagnóstico, os médicos realizam exames de sangue e urina.

O tratamento inclui administrar hidratação e outros tratamentos para manutenção das funções corporais.

A febre de Lassa ocorreu na Nigéria, Libéria, Guiné, Togo, Benin, Gana e Serra Leoa. As febres hemorrágicas sul-americanas por arenavírus ocorrem na Bolívia, Argentina, Venezuela e no Brasil.

Essas infecções, causadas pelos arenavírus, são transmitidas por roedores ou pela sua urina ou excrementos para as pessoas, geralmente quando elas comem alimentos contaminados. Elas podem ser transmitidas de pessoa para pessoa através do contato com líquidos do corpo (como saliva, urina, fezes ou sangue).

Sintomas
Os sintomas de febre de Lassa e febres hemorrágicas sul-americanas por arenavírus geralmente começam entre cinco e 16 dias após as pessoa ter sido exposta ao vírus. Essas infecções causam febre, sensação geral de indisposição (mal-estar), fraqueza, dores difusas pelo corpo, diarreia e vômitos.

Ao longo dos quatro a cinco dias seguintes, podem surgir dor no peito, dor de garganta, tosse e vômito. Aproximadamente 80% dos casos de febre de Lassa são leves e muitas vezes não são diagnosticados. Os sintomas são graves em aproximadamente 20% das pessoas.

Se for grave, a febre de Lassa pode causar inchaço do rosto e do pescoço, acúmulo de líquido nos pulmões, sangramento da boca, nariz, vagina ou trato digestivo e pressão arterial baixa. Entre 20 e 30% das pessoas com febre de Lassa perdem a audição. A perda pode ser permanente.

No caso da febre hemorrágica sul-americana, verifica-se com frequência a existência de sangramentos orais e nasais, do estômago e do aparelho intestinal. O sangramento ocorre com menos frequência na febre de Lassa, mas ele às vezes ocorre a partir de feridas por punção, da gengiva ou do nariz e sob a pele (e aparece na forma de pequenas manchas roxas).

A morte, quando ocorre, é geralmente decorrente do choque provocado pelo vazamento generalizado de líquidos através dos vasos sanguíneos.

A recuperação ou morte geralmente ocorre 7 a 31 dias depois do início dos sintomas. Entre 15 e 20% das pessoas internadas no hospital por febre de Lassa grave morrem devido à doença.

A doença é grave durante a gestação, sobretudo durante o terceiro trimestre. A maioria das gestantes infectadas perde o feto.

Diagnóstico
Exames de sangue

Essas infecções são suspeitas quando as pessoas que foram expostas ao vírus têm sintomas característicos. O diagnóstico de febre de Lassa ou de uma febre hemorrágica sul-americana é confirmado pelos exames de sangue para identificar o vírus ou os anticorpos contra o vírus.

Tratamento
Tratamento de apoio, incluindo hidratação

Ribavirina

O tratamento é de suporte, o que inclui administrar hidratação e eletrólitos, se necessário.

O medicamento antiviral ribavirina não cura a febre de Lassa, mas reduz o risco de morte. Ele pode também ser benéfico em pessoas com febre hemorrágica sul-americana.

Prevenção

O isolamento rigoroso é necessário para evitar a transmissão aos profissionais da saúde e aos membros da família. Os profissionais de saúde estão em risco significativo de serem infectados quando tratam pacientes internados com febre de Lassa, devendo, portanto, usar equipamento de proteção pessoal.

Durante um surto, manter as pessoas com sintomas de infecção (febre e hemorragia) em quarentena tem sido uma forma eficaz de controlar os surtos dessas infecções. São tomadas precauções para prevenir a propagação pelo ar.

Não há nenhuma vacina disponível para a febre de Lassa.

Coriomeningite linfocítica

A coriomeningite linfocítica é uma infecção viral que geralmente causa uma doença semelhante à gripe, às vezes com erupção cutânea, dor articular ou infecções em outras partes do corpo.

A maioria das pessoas contrai a infecção ao inalar poeira ou ingerir alimentos contaminados com urina, fezes ou outro líquido corporal de um camundongo ou hamster infectado.

A maioria das pessoas com coriomeningite linfocítica não apresenta sintomas ou tem apenas sintomas leves, mas algumas têm uma doença semelhante à gripe, e algumas desenvolvem meningite ou uma infecção cerebral.

Para diagnosticar coriomeningite linfocítica, os médicos fazem uma punção lombar e exames de sangue para detectar o vírus.

O tratamento tem por objetivo aliviar os sintomas, mas se as pessoas tiverem meningite ou uma infecção cerebral, elas serão hospitalizadas e poderão receber um medicamento antiviral.

A coriomeningite linfocítica é causada por um arenavírus e é transmitida por roedores. Geralmente, as pessoas contraem a infecção ao inalar poeira ou ingerir alimentos contaminados com urina, fezes ou outro líquido corporal de um hamster ou camundongo doméstico infectado. Quando a coriomeningite linfocítica é transmitida por camundongos, ela ocorre principalmente em adultos durante o outono e o inverno.

Sintomas de coriomeningite linfocítica

A maioria das pessoas com coriomeningite linfocítica não apresenta sintomas ou tem apenas sintomas leves.

Os sintomas, se ocorrerem, surgem entre uma e duas semanas depois que a pessoa foi infectada.

Algumas pessoas têm uma doença semelhante à gripe, com febre, calafrios, sensação geral de indisposição (mal-estar), fraqueza, dores musculares (sobretudo na região lombar) e dor atrás dos olhos. As pessoas podem ficar sensíveis à luz, perder o apetite e sentir-se nauseadas ou atordoadas. Às vezes, podem ocorrer dor de garganta, tosse, dor testicular, dor torácica e dor em uma glândula salivar.

Após cinco dias a três semanas, as pessoas geralmente melhoram por um ou dois dias. Muitas delas, então, pioram. A febre e dor de cabeça retornam e pode surgir uma erupção cutânea. As articulações dos dedos e das mãos podem inchar. A infecção pode se espalhar para as glândulas salivares e para os testículos.

Em algumas pessoas, os tecidos que cobrem o cérebro e a medula espinhal (meninges) se tornam infectados (chamado de meningite). A meningite normalmente causa rigidez do pescoço que faz com que abaixar o queixo até o peito seja difícil ou impossível.

Em casos raros, as pessoas desenvolvem uma infecção cerebral (encefalite), que pode causar paralisia, problemas com o movimento ou outros sintomas de disfunção cerebral.

Se a gestante contrair a infecção, o feto pode ter problemas, tais como hidrocefalia (acúmulo de excesso de líquido dentro do cérebro ou das meninges), coriorretinite (uma infecção ocular) e deficiência intelectual. A coriorretinite pode causar visão embaçada, dor ocular, sensibilidade à luz e cegueira. Se a gestante contrair a infecção durante o primeiro trimestre, o feto pode morrer.

Diagnóstico de coriomeningite linfocítica
Uma punção lombar

Exames e cultura de sangue

Suspeita-se de coriomeningite linfocítica em pessoas que têm sintomas típicos (especialmente aqueles que sugerem meningite ou uma infecção cerebral) e que foram expostas a roedores.

Se a pessoa estiver apresentando sintomas de meningite, uma punção lombar é realizada para coletar uma amostra do líquido cefalorraquidiano (o líquido que flui pelos tecidos que cobrem o cérebro e a medula espinhal). Uma amostra de líquido cefalorraquidiano é enviada a um laboratório para ser testada. Por exemplo, o vírus, se presente, pode ser cultivado (cultura) até que haja um número suficiente para ser identificado.

Ou podem ser usadas técnicas de reação em cadeia da polimerase (PCR) para fazer muitas cópias do material genético do vírus. Essa técnica permite que os médicos identifiquem o vírus rapidamente e com precisão.

Os médicos também fazem exames de sangue para detectar anticorpos contra o vírus. (Anticorpos são proteínas produzidas pelo sistema imunológico para ajudar a defender o corpo contra um agressor específico, incluindo o vírus que causa coriomeningite linfocítica).

Tratamento de coriomeningite linfocítica
Cuidados de apoio

Algumas vezes, ribavirina

O tratamento da coriomeningite linfocítica concentra-se no alívio de sintomas e na manutenção das funções vitais. As medidas necessárias dependem da gravidade da doença.

As pessoas com meningite ou uma infecção cerebral são hospitalizadas e podem ser tratadas com o medicamento antiviral ribavirina.

Os corticoides (às vezes chamados glicocorticoides ou corticosteroides) às vezes ajudam.

Prevenção de coriomeningite linfocítica

Prevenir a exposição a urina e fezes de roedores pode ajudar a prevenir a infecção. As seguintes recomendações podem ajudar:

Antes de fazer a limpeza, arejar os espaços fechados onde poderia ter havido camundongos.

Antes de varrer ou limpar, umedecer as superfícies com uma solução de água sanitária a 10%.

Evitar levantar poeira.

Vedar aberturas por onde os roedores possam entrar nas casas.

Colocar alimentos em recipientes inacessíveis a roedores.

Eliminar locais de possíveis ninhos ao redor da casa.

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