15 de outubro de 2026
Segurança

Ex-policial é condenado a 57 anos de prisão por matar ex-esposa na frente dos filhos em Curitiba

Jaminus Quedaros de Aquino foi condenado pelo assassinato da ex-esposa Suellen Rodrigues, em 2022. O ex-policial já tinha sido condenado a 35 anos de reclusão por torturar os filhos.

Por G1 Paraná

Atualizado em 15/10/2026 | 11:12:00

Jaminus Quedaros de Aquino foi condenado a 57 anos e um mês de prisão por matar a ex-esposa Suellen Rodrigues a tiros na frente dos filhos, de 10 e 7 anos.

Suellen foi morta enquanto deixava as crianças na escola. O ex-policial civil já tinha sido condenado, em 2025, a 35 anos de prisão por torturar os filhos.

O assassinato foi registrado em 2022, em Curitiba. Depois de matar Suellen, Jaminus fugiu e se entregou à polícia após quatro dias.

Ele está preso desde então.

O julgamento teve início na manhã de terça-feira (13), no Tribunal do Júri de Curitiba, e terminou na madrugada desta quinta-feira (15).

O réu foi condenado por homicídio qualificado, com as seguintes qualificadoras: feminicídio, motivo torpe, meio que resultou perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Em 2024, a Lei nº 14.994 tornou o feminicídio um crime autônomo no Código Penal e aumentou a pena mínima.

Antes, o feminicídio era considerado uma qualificadora do crime de homicídio.

Para casos anteriores à lei, o enquadramento segue sendo como qualificadora.

Ao g1 Paraná, o advogado Jackson William Bahls, que representa a família da vítima, afirmou que a sentença foi uma "retribuição justa à crueldade e covardia desse crime". 

O g1 também entrou em contato com a defesa de Jaminus Quedaros de Aquino, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.

Suellen Helena Rodrigues, à época com 29 anos, foi assassinada a tiros no dia 31 de outubro de 2022, em frente à Escola Municipal Professora Donatilla Caron dos Anjos, no bairro Uberaba, em Curitiba.

A vítima deixava os dois filhos, de 10 e 7 anos, para o primeiro dia de aula, quando foi surpreendida pelo suspeito.

Imagens de câmeras de segurança captaram o momento em que o homem se aproximou correndo, falou brevemente com Suellen e atirou contra ela.

As crianças presenciaram o crime.

Suellen morreu no local e os filhos foram acolhidos pelo Conselho Tutelar e encaminhados para os cuidados de familiares.

Durante as investigações, a polícia apurou que Suellen morava em Prudentópolis e se mudou para Curitiba para fugir das ameaças do ex-marido.

Ela já tinha denunciado Jaminus por ameaça, violência doméstica e descumprimento de medida protetiva de urgência.

Mensagens de áudio e texto enviadas por ela antes de ser assassinada revelam o medo que Suellen tinha do ex-companheiro. 

Em um áudio, Suellen relatou, chorando, uma briga entre os dois.

Na ocasião, ela já tinha a medida protetiva e denúncias contra Jaminus.

Em outra mensagem, Suellen disse que o suspeito não a deixava em paz. "Ele tá muito transtornado, ele vai fazer algo pra mim, eu sinto isso."

O réu, o ex-policial Jaminus Quedaros de Aquino, atuava como advogado na época e teve o registro profissional suspenso.

Segundo a Polícia Civil, na época do crime, Jaminus já tinha perdido o porte de arma por causa de medida protetiva movida contra ele.

O g1 Paraná procurou os advogados que representam a família da vítima e o réu condenado, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.

Lei eleitoral dificultou cumprimento de mandado contra o advogado

A RPC teve acesso a um mandado de prisão preventiva contra Jaminus, expedido pela Vara Criminal de Prudentópolis dias antes do crime.

A prisão de Jaminus foi decretada por ameaça, violência doméstica e descumprimento de medida protetiva de urgência.

Na época, a Polícia Civil disse que o cumprimento do mandado contra ele foi "prejudicado" pela regra eleitoral que proíbe a prisão ou detenção de eleitores no período próximo à data da votação.

 O Código Eleitoral prevê vedação temporária das prisões, começando cinco dias antes da votação e terminando 48 horas depois da eleição.

Para o primeiro turno, os eleitores não poderão ser presos entre 29 de setembro e 6 de outubro.

A lei serve para evitar que prisões sejam usadas para coagir eleitores e prevê exceções, como em caso de prisão em flagrante ou cumprimento de condenação definitiva por crime inafiançável.

O calendário eleitoral daquele ano estabelecia que eleitores não podiam ser presos de 25 de outubro às 17h do dia 1º de novembro.

O mandado de prisão contra Jaminus foi expedido no dia 25 de outubro.

Suellen foi morta por volta das 12h40 do dia 31 de outubro.

Entenda: Mulher morta pelo ex-marido na frente dos filhos em Curitiba no período em que prisões são proibidas evidencia necessidade de rever lei eleitoral, avaliam juristas

Projeto de lei foi inspirado no caso Suellen

O caso de Suellen inspirou o Projeto de Lei n.º 2.959, de 2022, que tramita na Câmara dos Deputados.

O projeto, de autoria da então deputada federal Tereza Nelma (PSDB), propõe alterar o Código Eleitoral para permitir a prisão ou detenção de quem praticar violência doméstica e familiar contra a mulher, mesmo durante o período de restrição às prisões..

O que dizem os advogados

Ao g1 Paraná, o advogado Jackson William Bahls, assistente de acusação e representante da família da vítima, afirmou que a pena foi uma "retribuição justa" ao crime.

"Ontem foi dia de apresentar o Jaminus alguém que ele não conhecia, a justiça.

A sociedade curitibana se encarregou disso, condenou o Jaminus e a sentença exarada pela juíza Michele Pacheco Cintra Stadler, digna de um capítulo de livro, apenou a 57 anos e um mês em regime fechado.

Retribuição justa à crueldade e covardia desse crime.

Esperamos agora que ele cumpra a integralidade dessa pena em um estabelecimento penal adequado e não na delegacia de furtos de roubos de veículo, que é um privilégio para esse homem".

O g1 também entrou em contato com a defesa de Jaminus Quedaros de Aquino, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.

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