10 de maio de 2026
Segurança

Erro no IML faz famílias velarem e sepultarem corpos trocados em Florianópolis

Falha na liberação de corpos pela Polícia Científica levou famílias a realizarem velórios e enterros errados; caso será apurado pelo Ministério Público.

Por Redação TiviNet, com informações do g1 SC

Atualizado em 09/05/2026 | 13:45:00

Um erro na liberação de corpos pelo Instituto Médico Legal (IML) provocou uma situação dramática em Florianópolis: duas famílias velaram e sepultaram pessoas erradas após uma falha operacional reconhecida pela própria Polícia Científica de Santa Catarina.

O caso veio à tona nesta sexta-feira (8) e será investigado pelo Ministério Público de Santa Catarina, que informou a instauração de procedimento para apurar o ocorrido.


Corpos trocados

Uma das vítimas envolvidas foi Juliano Henrique Guadagnin, de 24 anos, morto em um acidente de moto no dia 9 de abril. Outros dois homens, vítimas de homicídio, tiveram os corpos encontrados no mesmo dia e recolhidos na mesma viatura antes de serem encaminhados à Polícia Científica.

Segundo a reportagem, dois corpos foram liberados no dia seguinte para as cerimônias de despedida, mas houve troca na identificação.

De acordo com a apuração:

  • Patrick Nunes Ferreira foi sepultado no lugar de Denner Dario Colodina;
  • Denner Dario Colodina foi enterrado no local destinado a Juliano Henrique Guadagnin;
  • Já o corpo de Juliano permaneceu retido no IML sem liberação correta para a família.

Os corpos precisaram ser exumados posteriormente e passaram novamente pelo IML antes de serem sepultados corretamente no dia 13 de abril.


“Achei que era meu filho”

A mãe de Juliano relatou o choque ao descobrir que havia velado outra pessoa acreditando se tratar do próprio filho.

“Eu velei uma pessoa achando que fosse meu filho, eu carreguei o caixão de uma outra pessoa achando que era meu filho”, declarou Mônica Raquel Guadagnin.

Ela contou ainda que recebeu a notícia do erro logo após retornar do cemitério.

“Saímos do cemitério, viemos para casa e, quando eu chego em casa, eu recebo um telefonema da funerária pedindo que eu retornasse na central de óbitos porque houve um problema com o IML”, relatou.

As famílias informaram que os sepultamentos ocorreram com os caixões fechados, sem contato direto com os corpos.


Relatório e acusações

A NSC TV teve acesso ao relatório de plantão do IML referente ao dia da liberação dos corpos. No documento, servidores atribuem o erro ao agente funerário responsável pela retirada.

Já a agente funerária envolvida no caso afirmou que os documentos estavam corretos, mas os corpos haviam sido entregues trocados.

Ela também declarou que, após a descoberta do erro, teria sido sugerido por servidores públicos que os velórios continuassem normalmente, sem avisar as famílias.

A Polícia Científica negou que essa proposta tenha sido feita.


Polícia Científica reconhece falha

Em nota oficial, a Polícia Científica de Santa Catarina reconheceu que ocorreu um “erro operacional” durante a liberação dos corpos na unidade de Florianópolis.

O órgão informou que instaurou uma apuração interna por meio da Corregedoria para identificar responsabilidades e revisar protocolos relacionados à custódia, identificação e liberação de corpos.

A instituição também pediu desculpas às famílias afetadas e afirmou que novas medidas preventivas estão sendo adotadas para evitar situações semelhantes no futuro. 

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