23 de junho de 2026
Segurança

Empresária de 70 anos morre após passar por face lifting em clínica de SC e polícia investiga

Geny Maria Angeli Michelin morreu na última quarta-feira (17). Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em uma clínica odontológica de Lages.

Por G1Santa Catarina

Atualizado em 23/06/2026 | 10:43:00

A Polícia Civil investiga a morte de uma empresária de 70 anos após passar por um face lifting, procedimento usado para reduzir flacidez e sinais de envelhecimento no rosto, em Lages, na Serra de Santa Catarina.

O procedimento foi realizado na última terça-feira (16) e Geny Maria Angeli Michelin, que era dona de uma loja de calçados em Caçador (SC), morreu no dia seguinte, na quarta-feira (17). O corpo foi velado na última quinta-feira (18).

Na sexta-feira (19), a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na clínica Illuminare Instituto da Face, onde o procedimento foi feito, e apreendeu documentos apresentados pelo dentista responsável e pela anestesista, além das imagens das câmeras de monitoramento do local.

Segundo a delegada Brícia Carolina Costa e Rosa, responsável pelo caso, a investigação busca entender se a empresária passou mal durante ou após o procedimento. Ainda não há informações sobre a dinâmica exata dos fatos que resultaram na morte da idosa.

Em nota, a defesa da empresa, feita pelo advogado Erial Lopes de Haro, lamentou o que chamou de fatalidade e disse que todos os protocolos de segurança e as medidas assistenciais foram adotados antes, durante e depois da cirurgia.

"Desde o atendimento pré-operatório, durante o procedimento e após o surgimento da intercorrência, foram rigorosamente adotadas todas as medidas assistenciais e os protocolos de segurança do paciente recomendados para situações dessa natureza, com atuação técnica contínua e imediata de toda a equipe envolvida. Infelizmente, apesar de todos os esforços empreendidos e da adoção das medidas médicas indicadas, não foi possível evitar o desfecho fatal", diz trecho.

Investigação

A equipe de investigação colheu depoimentos de familiares da vítima e anexou ao procedimento o prontuário médico do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, onde ela foi atendida. Os socorristas que atenderam a vítima também serão ouvidos nos próximos dias.

A Polícia Civil também oficiou o Conselho Regional de Medicina (CRM) e o Conselho Regional de Odontologia (CRO) para que fiscalizem o estabelecimento e analisem a regularidade do atendimento no âmbito administrativo.

Em nota, o CRM informou que presta as informações técnicas solicitadas e reforçou a importância de checar a "real habilitação do profissional antes de se submeter a um procedimento médico". Já o CRO detalhou que acompanha o caso com a atenção e a "responsabilidade institucional que a situação exige".

Os documentos recolhidos foram encaminhados para análise do médico legista da Polícia Científica.

O que diz o CRM-SC

"O CRM-SC informa que recebeu ofício da 1ª Delegacia de Polícia de Lages e está prestando as informações técnicas solicitadas no que diz respeito aos procedimentos médicos desta natureza.

A autarquia reforça a importância de a população checar a real habilitação do profissional antes de se submeter a um procedimento médico".

O que diz o CRO-SC
"O Conselho Regional de Odontologia de Santa Catarina (CRO-SC) informa que recebeu solicitação de compartilhamento de informações por parte da Polícia Civil, por meio da Delegacia responsável pela apuração do caso.

Considerando a gravidade dos fatos, que envolvem a morte de uma paciente, e a informação de que há profissional inscrito no CRO-SC entre os elementos da investigação, o Conselho acompanha o caso com a atenção e a responsabilidade institucional que a situação exige.

Neste momento, a apuração encontra-se sob condução da polícia judiciária. Por essa razão, e também em respeito à investigação em curso, o CRO-SC atua em colaboração com a autoridade competente, observando os limites legais e institucionais aplicáveis, sem antecipar qualquer juízo de valor sobre responsabilidades, condutas profissionais ou a natureza dos procedimentos investigados.

A Delegacia responsável informou que, por ora, não compartilhará novas informações sobre a investigação. Assim, para preservar a apuração e evitar qualquer prejuízo ao esclarecimento dos fatos, o Conselho não irá se manifestar sobre detalhes do caso neste momento.

Eventuais novas manifestações públicas poderão ocorrer em momento oportuno, observados os limites legais, institucionais e o andamento da investigação".

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