19 de janeiro de 2026
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Do bairro Cruzeiro à Canberra na Austrália: conheça Fábio De Conto

Nascido em São Lourenço do Oeste, Fábio tem construído uma vida marcada por uma inquietação que o levou a atravessar o mundo.

Por Redação TiviNet

Atualizado em 07/01/2026 | 07:25:00

Filho de Maria e Aristides De Conto, Fábio nasceu no antigo Hospital Beneficente São Roque. Ele costuma dizer com bom humor, que seu umbigo foi enterrado nas redondezas da Rua Ernesto Beuter, mas que sua família faz parte das primeiras gerações de moradores do bairro Cruzeiro — um detalhe simbólico, mas que ajuda a explicar o quanto suas raízes seguem plantadas na cidade.

Hoje, Fábio vive na Austrália, para onde expandiu sua trajetória profissional e familiar, ainda que os vínculos com a terra onde tudo começou estejam sempre presentes.


Um lourenciano curioso e inquieto

A primeira saída de São Lourenço do Oeste aconteceu em 1989, quando Fábio deixou a cidade para cursar o segundo grau no interior de São Paulo. Nos anos seguintes, entre 1992 e 1996, morou em Joinville, onde estudou Comércio Exterior e trabalhou na área de logística de exportação de empresas do Norte catarinense.

Em 1997, retornou temporariamente à cidade, mas logo uma nova oportunidade mudaria seu rumo: uma bolsa de estudos que o levou ao Japão para realizar um estágio na área internacional de um banco, na cidade de Aomori, entre 1998 e 1999.

De volta a São Lourenço do Oeste, a vida também reservava mudanças importantes. Foi nesse período que conheceu Raquel, com quem se casaria e construiria sua família, enquanto dava os primeiros passos na área comercial de exportação.


Mais mudanças e adaptações

Fábio residiu em São Lourenço do Oeste até 2001, quando oportunidades o levaram a se mudar para Linhares (ES), Curitiba (PR) e por fim, à Austrália — país que viria a se tornar seu lar.

Fábio define-se como uma pessoa introvertida e que ainda encara cada mudança com um misto de entusiasmo e ansiedade. Para ele, nem todas as pessoas conseguem se adaptar da mesma forma a novos lugares ou situações — e o que importa é tentar, aprender e seguir em frente.

“Toda mudança exige disciplina, respeito e tolerância”, reflete. Para Fábio, adaptar-se às particularidades culturais e sociais é sempre responsabilidade de quem chega, mas o esforço genuíno de integração nunca passa despercebido.

Entre suas experiências, o período no Japão foi particularmente desafiador. A diferença de idioma, alimentação, costumes e, principalmente, da lógica de pensamento exigiu um aprendizado profundo. No início, Fábio teve dificuldades para compreender aspectos da cultura corporativa e interagir com colegas. Com o tempo, no entanto, veio a adaptação — e até a sensação curiosa de estranhar aspectos do Brasil ao retornar.


Família construída longe, raiz mantida perto

Em fevereiro de 2026, Fábio e Raquel completam 19 anos vivendo na Austrália, sendo cerca de 15 anos em Canberra, a capital do país. Em 2019, a família cresceu com o nascimento de Donatella.

Mesmo nascida na Austrália, a Donatella também foi registrada em cartório em São Lourenço do Oeste, por escolha dos pais. Para Fábio, isso é um gesto simbólico do elo entre gerações e territórios.


Da exportação às políticas públicas

Profissionalmente, Fábio atuou por dez anos na área comercial de exportação, desenvolvendo projetos em diferentes partes do mundo. Durante sua passagem pelo Espírito Santo, seu empregador tornou-se o primeiro fabricante brasileiro de móveis a exportar para o Leste Europeu e alguns países do Sudoeste da África, reconhecimento que resultou em premiações e repercussão na diplomacia e imprensa brasileira da época.

Em 2010, concluiu um mestrado em Gerenciamento de Projetos pela Universidade de Adelaide. No ano seguinte, iniciou uma transição para o setor público federal australiano.

Desde então, tem se dedicado ao desenvolvimento de projetos estratégicos e políticas públicas nas áreas de saúde, indústria, assuntos indígenas e infraestrutura.

Entre os trabalhos que mais lhe dão orgulho está um projeto implementado entre 2015 e 2016, que introduziu uma política nacional de rotulagem de alimentos, exigindo a identificação da origem, composição e processos industriais dos produtos. A iniciativa atraiu atenção internacional e contribuiu para o fortalecimento da regulação e qualidade dos alimentos importados, produzidos e comercializados no país.


São Lourenço do Oeste, sempre presente

Mesmo à distância, o contato com São Lourenço do Oeste nunca se perdeu. Fábio mantém conversas frequentes com familiares e amigos pelo WhatsApp e, sempre que possível, organiza visitas para matar a saudade.

São Lourenço do Oeste também representa um período marcante da sua formação profissional. Foi na cidade que Fábio viveu uma experiência decisiva ao trabalhar ao lado do amigo, mentor e compadre Joacir Anghében, atuando na exportação de móveis e materiais de construção para países do Mercosul. Um tempo de aprendizados, desafios e convivência que ajudou a moldar sua visão de trabalho, negócios e relações pessoais.

Quando está na cidade, Fábio gosta de explorá-la a pé: caminhar pelos bairros, pelas estradas do interior, visitar escolas onde estudou e circular pelo comércio local. Passar na Milita para comer um pastel, comprar presentes na Joalheria Vana ou cortar a barba na barbearia do Adão Dos Reis fazem parte desses rituais afetivos.

Sua última visita foi no Natal de 2024, e a percepção é clara: uma cidade cada vez mais bonita, organizada e desenvolvida. Para ele, é muito positivo ver pessoas de outras regiões do Brasil — e até de outros países — escolhendo São Lourenço do Oeste como lar.

“A diversidade agrega caráter, cultura e valores comunitários”, avalia.

Sobre a possibilidade de voltar a viver em São Lourenço do Oeste, o futuro segue em aberto. Recentemente, a própria filha comentou que gostaria de morar na cidade um dia. Quem sabe?


Uma estrada em movimento

Ao tentar resumir sua história em uma frase, Fábio não escolhe um lema próprio, mas encontra sentido na letra da música “White Line”, de Neil Young. Na sua interpretação, Neil Young usa a imagem da linha branca do asfalto como um símbolo pelo ato de desbravar novos caminhos enquanto auto-reflete sobre a sua própria trajetória.

Assim como na canção, Fábio aguarda por um novo amanhecer — consciente de onde veio e tentando se manter alerta pelo que ainda está por vir.

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