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Exames de radiografia e tomografia são fundamentais para verificar posição dos molares.
Os dentes do siso, ou terceiros molares, são os últimos dentes a nascer e se localizam atrás dos outros molares. Eles recebem esse apelido porque sua erupção ocorre quando a pessoa está passando por transformações, entre a adolescência e o início da fase adulta (dos 15 aos 25 anos). Na Língua Portuguesa, siso significa boa capacidade de avaliação e bom senso.
Um problema comum causado pelos dentes do siso é que eles podem não erupcionar totalmente: nascendo apenas uma parte da coroa, eles ficam “semierupcionados”; mas também podem ficar totalmente inclusos, quando não rompem minimamente a gengiva. No caso dos semierupcionados, pode haver dificuldade em manter a higiene oral, levando a processos inflamatórios, infecciosos e dor.
De acordo com Camila de Freitas, cirurgiã-dentista e referência técnica em odontologia no Einstein Hospital Israelita de Goiânia, uma das possíveis consequências disso é a pericoronarite, condição inflamatória dos tecidos moles que circundam a coroa de um dente parcialmente irrompido, frequentemente o dente do siso.
Sintomas
Os principais sintomas são dor localizada, edema, eritema e presença de substância líquida que extravasa dos vasos sanguíneos para os tecidos circundantes. Em casos agudos, pode haver trismo, que é a dificuldade em abrir a boca, halitose e até envolvimento sistêmico, ou seja, implicação de múltiplos órgãos e tecidos no corpo.
Ainda segundo a especialista, a posição e o grau de erupção do terceiro molar influenciam diretamente o risco de pericoronarite. Molares em posição vertical e parcialmente irrompidos apresentam maior risco para o desenvolvimento da condição. Fatores como higiene oral precária, presença de infecção do trato respiratório superior e alterações hormonais também estão associados à gravidade do quadro.
Outras indicações para remoção
Segundo o Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (Crosp), a extração do siso é indicada em caso de falta de espaço na arcada, dor, infecções, lesões, cáries e posicionamento que afeta dentes vizinhos.
Por isso, os dentes do siso devem ser avaliados por um cirurgião-dentista. É importante sempre fazer exames, como a radiografia panorâmica e, em especial, a tomografia, para verificar a posição do dente em relação ao nervo da mandíbula, guiar a cirurgia e evitar dormência.
Extração e acompanhamento
Somente um cirurgião-dentista pode indicar a retirada dos dentes, após avaliação clínica e exames complementares. Depois da remoção, deve ser feito um acompanhamento próximo, com controle microbiano local e, em alguns casos, uso de laserterapia. A higiene regular é essencial para evitar processo infeccioso como a alveolite, inflamação ou infecção da cavidade dos ossos maxilares onde ficam as raízes dentárias, chamada de alvéolo.
É esperado um inchaço natural após esse processo, diferente do edema de infecção. E, também por isso, é preciso o acompanhamento profissional. Já o uso de antibiótico deve ser avaliado caso a caso e aplicado somente em processos infecciosos já instalados.
O procedimento, na maioria das vezes, é feito no consultório, porém pode ser realizado em um hospital, especialmente nos casos em que os quatro dentes são extraídos de uma só vez, para maior conforto do paciente. Nesses casos, o pós-operatório é único.
Evolução humana
O processo evolutivo humano proporcionou uma mudança importante na nossa alimentação, diminuindo a necessidade de força da musculatura para a mastigação. O reflexo direto disso foi uma diminuição do volume da musculatura mastigatória e, como consequência, uma redução também do volume dos ossos das arcadas dentárias onde essa musculatura se ancora.
Outras mudanças no estilo de vida dos seres humanos também fazem com que usemos apenas os primeiros e os segundos molares, dispensando a necessidade dos terceiros. Assim, os dentes do siso tendem a reduzir a incidência, num processo chamado de agenesia dentária.
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