30 de setembro de 2026
Gerais

Defesa de ex-gerente suspeita de desviar R$ 2 milhões em SP alega vício no “jogo do tigrinho”

Advogado também apresentou laudos de depressão e burnout; Polícia Civil investiga movimentações em contas e casas de apostas.

Por Redação TiviNet, com informações do ND Mais

Atualizado em 30/09/2026 | 10:40:00

A defesa da ex-gerente bancária Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, suspeita de desviar aproximadamente R$ 2 milhões de clientes em Miguelópolis, no interior de São Paulo, afirma que ela possui vício no chamado “jogo do tigrinho”.

Segundo o advogado, Vanessa também possui laudos de depressão e síndrome de burnout. Ela e o companheiro, o dentista Adilson Coelho de Paula, de 56 anos, foram presos preventivamente nesta segunda-feira (28).

O casal é investigado por furto mediante abuso de confiança contra idosos e pessoas vulneráveis. A Polícia Civil também apura indícios de lavagem de dinheiro.


Versão da defesa

A alegação de vício em jogos foi apresentada pela defesa da ex-gerente no contexto da investigação.

Vanessa trabalhou durante mais de 12 anos na agência do Santander em Miguelópolis e foi posteriormente demitida.

Conforme a decisão judicial que determinou as prisões, o desligamento da funcionária não interrompeu a movimentação dos valores que teriam sido ocultados.


Movimentação do dinheiro

Segundo a Polícia Civil, os recursos retirados das contas dos clientes eram distribuídos em outras contas bancárias e enviados a casas de jogos e apostas.

A suspeita dos investigadores é de que essa circulação fosse utilizada para ocultar a origem do dinheiro e fazê-lo retornar à economia formal com aparência de rendimentos legais.

O inquérito começou depois que clientes registraram boletins de ocorrência por movimentações que afirmaram não reconhecer.

A investigação aponta que Vanessa teria utilizado a relação de confiança com os correntistas para realizar saques e movimentar valores sem autorização.

Adilson tinha livre acesso à agência e teria recolhido quantias entregues pela companheira. A decisão judicial aponta indícios de que ele recebia e ocultava recursos em contas pessoais e empresariais.

O documento também registra que o dentista teria sido visto deixando a agência com sacolas de dinheiro em diferentes ocasiões.


Valores investigados

A Polícia Civil estima que os prejuízos relatados pelas vítimas entre 2024 e 2026 cheguem a aproximadamente R$ 2 milhões.

A decisão que autorizou as prisões menciona, porém, supostos desvios superiores a R$ 2,1 milhões.

Entre as movimentações investigadas estão saques indevidos, empréstimos fraudulentos, transferências sem autorização e resgates de aplicações financeiras sem o conhecimento dos titulares.

Além das duas prisões preventivas, a operação também cumpriu mandados de busca e apreensão.


Relato de vítima

Entre as vítimas está uma aposentada de 78 anos que, segundo a família, teve aproximadamente R$ 300 mil retirados de sua conta.

A idosa teria descoberto que o saldo estava zerado depois de passar por um transplante de córnea.

Conforme a sobrinha, a aposentada também continua pagando parcelas de um empréstimo que afirma não reconhecer. Depois dos descontos, restariam cerca de R$ 1 mil mensais para sua manutenção.


Posição do banco

Em nota, o Santander informou que sua área de Inteligência coopera com a Polícia Civil de São Paulo desde o início da investigação para esclarecer os fatos e responsabilizar os envolvidos.

A instituição declarou que nenhum cliente sofreu prejuízo financeiro e afirmou possuir sistemas de prevenção a fraudes destinados a identificar e impedir desvios de conduta.

A posição do banco difere da informação divulgada pela Polícia Civil de que as vítimas ainda não haviam sido ressarcidas até terça-feira (29).

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