15 de julho de 2026
Segurança

Brasileiro foragido por executar homem a quem devia R$ 100 mil é preso na Alemanha

Ele havia sido condenado a uma pena de 16 anos de prisão. Reni Carlos Masiero foi assassinado a tiros em 2014 em Siderópolis, Sul de Santa Catarina.

Por G1Santa Catarina

Atualizado em 15/07/2026 | 11:19:00

A Polícia Federal localizou e prendeu na Alemanha um foragido da Justiça de Santa Catarina condenado por matar Reni Carlos Masiero, de 61 anos, em Siderópolis, no Sul do estado. O crime foi encomendado pela mulher da vítima assassinada, que descobriu uma traição do marido, em 2014.

A captura do foragido, Vânio Carminati, de 47 anos, ocorreu em Munique em 1º de julho, mas só foi divulgada nesta terça-feira (14).

O g1 entrou em contato com a defesa dele e do executor, mas não havia obtido retorno até a última atualização desta reportagem. Já a defesa da mulher contesta a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e diz em nota que ela "não deveria estar presa" . 

Conforme a Polícia Federal, o brasileiro estava incluído na lista de Difusão Vermelha da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) e foi detido mediante a cooperação internacional, realizada por autoridades alemãs.

Ele estava foragido desde que foi condenado, em novembro de 2025, por contratar a pessoa responsável pela execução de Reni.

Homem preso pagou R$ 1,5 mil a executor

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a mulher era casada com a vítima, Reni, de 61 anos, quando descobriu que ele mantinha um caso extraconjugal há algum tempo. Ela decidiu, então, matar o homem.

O homem preso na Alemanha era conhecido da mulher e devia à vítima R$ 100 mil de um empréstimo. Dessa forma, ele sugeriu à esposa de Reni que ela perdoasse a dívida em troca da execução do homem.

O homem contratou o executor por R$ 1,5 mil.

Vítima foi assassinada a tiros

O assassinato foi cometido na noite de 23 de fevereiro de 2014. O executor foi até o sítio de Reni, que estava preparando o almoço do dia seguinte.

A vítima estava sozinha, como o homem que contratou o assassinato havia informado ao executor. Reni levou quatro tiros. Depois do crime, o executor fugiu.

A mulher foi condenada a 19 anos, 7 meses e 6 dias de prisão. Já o executor recebeu a pena de 16 anos, 9 meses e 18 dias de prisão. Os dois já estão presos, conforme a Polícia Civil.

O homem que tinha dívida com a vítima também foi condenado, a 16 anos, 9 meses e 18 dias de prisão, mesma pena do executor.

O que diz a defesa da mulher

Florianópolis, 14 de julho de 2026.

A Defesa de Nazarete Masieiro recebe com tranquilidade a notícia da prisão de Vânio Carminatti na Alemanha. Trata-se de um passo natural e esperado no processo de responsabilização dos verdadeiros autores do crime.

Convém lembrar que foi o próprio Vânio Carminatti que, acuado pelas investigações, como estratégia para desviar o foco sobre sua conduta, envolveu Nazarete em seu crime. Depois disso, desapareceu, permanecendo revel durante todo o curso do processo.

Nazarete Masieiro jamais teve a oportunidade de confrontar essa acusação diretamente, pois Vânio nunca foi interrogado na instrução nem compareceu ao plenário do Júri. Por isso a sua Defesa sustenta no recurso de apelação em tramitação no Tribunal de Justiça de Santa Catarina que a condenação de Nazarete foi sustentada sobre a palavra de quem tinha interesse direto em desviar sua responsabilidade.

Confiamos que o julgamento da apelação permitirá ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina examinar com profundidade a fragilidade estrutural da acusação. A prisão de Vânio Carminatti só reforça o que a Defesa sempre sustentou: ele é o centro deste caso, e Nazarete não deveria estar presa.

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