08 de julho de 2026
Segurança

Após 11 meses foragidos, suspeitos de matar homens que foram cobrar dívida no PR entram na lista vermelha da Interpol

Antônio Buscariollo e o filho dele, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, estão foragidos desde agosto de 2025. Crime aconteceu em Icaraíma, no noroeste do estado.

Por G1 Paraná

Atualizado em 07/07/2026 | 15:44:00

Antônio Buscariollo e o filho dele, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol. Eles são suspeitos de matar quatro homens que foram cobrar uma dívida em Icaraíma, no noroeste do Paraná, e estão foragidos há 11 meses.

A informação foi confirmada pela Polícia Civil do Paraná (PC-PR) nesta segunda-feira (6).

Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso saíram do interior de São Paulo após serem contratados por Alencar Gonçalves de Souza. Segundo a investigação, os quatro foram mortos em uma emboscada.

O delegado Thiago Andrade explicou que a medida foi solicitada pela polícia ao Poder Judiciário. No pedido, a corporação assumiu o compromisso de requerer a extradição dos investigados caso eles sejam localizados e presos no exterior.

Após a decisão favorável da Justiça, o pedido foi encaminhado à Polícia Federal.

"No presente caso, todas as etapas legais e administrativas foram devidamente cumpridas, encontrando-se concluído o procedimento de inclusão. Assim, Antonio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo já constam oficialmente na lista de procurados da Interpol", afirmou o delegado.

Andrade reforçou que o caso segue em sigilo, mas que a polícia está "empenhada na localização e captura dos foragidos".

O advogado Renan Farah, que atua na defesa de Antonio e Paulo Ricardo, disse que recebeu a notícia com preocupação. Leia a nota na íntegra:

"A defesa de Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Buscariollo recebeu com preocupação a notícia da inclusão de seus constituintes na Difusão Vermelha da Interpol. A medida foi adotada enquanto ainda pendem questões processuais relevantes, entre elas o pedido de revogação da prisão temporária, que permanece produzindo efeitos há aproximadamente onze meses, apesar de sua natureza excepcional e transitória. Além disso, até a presente data, a defesa ainda não teve acesso integral aos autos, inclusive a elementos de investigação já documentados e referentes a atos já encerrados, circunstância que compromete o pleno exercício da ampla defesa. A defesa continuará adotando todas as medidas judiciais cabíveis para assegurar o respeito ao devido processo legal e às garantias constitucionais, abstendo-se de discutir o mérito da investigação pela imprensa."

Relembre o caso

Robishley, Rafael e Diego viajaram de São José do Rio Preto, em São Paulo, para Icaraíma, no noroeste do Paraná, e se encontraram com Alencar Gonçalves de Souza no dia 4 de agosto.

A câmera de segurança de uma panificadora fez o último registro dos quatro na manhã do dia 5 de agosto.

Segundo a polícia, por volta das 12h do mesmo dia, as vítimas conversaram com as famílias pela última vez.

No dia 6 de agosto, a esposa de Robishley procurou a polícia do estado de São Paulo para registrar o sumiço do marido e dos amigos dele.

Com a investigação aberta, a polícia apurou que havia uma cobrança de dívida de R$ 255 mil, relacionada à venda de uma propriedade rural por Alencar à família Buscariollo. O pagamento foi dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil cada, mas nenhuma parcela foi paga.

A partir disso, Antonio Buscariollo, de 66 anos, e o filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22, passaram a ser considerados como suspeitos de envolvimento no desaparecimento.

A polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa deles, no dia 7 de agosto. Os dois aceitaram ir à delegacia, onde confirmaram que houve um negócio de compra e venda de uma propriedade com um dos irmãos Buscariollo, mas negaram relação direta com a dívida.

Após serem liberados, eles desapareceram, assim como todos os familiares deles que moravam no mesmo local.

Até a última atualização desta reportagem, eles são considerados foragidos.

O carro que as vítimas usaram na viagem a Icaraíma foi encontrado no dia 12 de setembro. O veículo foi localizado pela Polícia Militar Ambiental de Umuarama, enterrado em um bunker, em uma mata fechada na área rural de Icaraíma.

Ele estava coberto por uma lona. Segundo o coronel Hudson Leôncio Teixeira, secretário de Segurança Pública do Paraná na época., a picape das vítimas foi encontrada após o pai de uma delas receber uma carta anônima com a localização do carro. Um informante também ajudou nas investigações.

O carro apresentava vestígios de sangue e marcas de disparos de arma de fogo, além de vidros quebrados e bancos danificados.

Os corpos dos quatro homens só foram encontrados na noite do dia 18 de setembro. A confirmação foi feita na manhã do dia 19 pelos delegados Gabriel Menezes e Tiago Andrade Inácio. Eles estavam com marcas de tiros.

As vítimas estavam enterradas em uma vala, que estava coberta por plantas, a uma distância de 650 metros do ponto onde a picape das vítimas havia sido desenterrada.

A identificação inicial das vítimas foi auxiliada pelas roupas que vestiam. Eles também foram identificados pela Polícia Científica por meio de exames de papiloscopia, e foram produzidos laudos necroscópicos.

 

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