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Dois anos depois de vender balas no semáforo, brasileiro faz golaço em Malta e sonha com o Puskas
Adicionada: 31/01/2019
 



Jogando liga paralela à do país europeu, Felipe Augusto acerta o gol que Pelé não fez



O torcedor que assiste à primeira divisão do campeonato da Ilha de Gozo – que faz parte de Malta, na Europa – provavelmente não espera presenciar lances antológicos. Mas quem compareceu ao estádio local no domingo, 27, teve a sorte de presenciar um gol digno de Prêmio Puskas.

 

O meia Felipe Augusto, brasileiro de 24 anos que disputa a competição pela modesta equipe do Kerċem Ajax, luta para ajudar seu time, recém-promovido à elite da ilha, a não voltar para a segundona. A tarefa é difícil: hoje, a equipe é a lanterna da liga, que conta com outros sete times. Mas Felipe provou que tem qualidade de sobra para fazer milagres por lá.

 

Quatro pontos atrás do penúltimo colocado, o Kerċem entrou em campo contra o Victoria Wanderers sabendo que era vencer ou vencer. E tudo ia correndo bem para a equipe verde, que já vencia por 1 a 0. Mas a cereja do bolo veio mesmo aos 35 minutos do primeiro tempo.

 

Felipe, ainda no campo de defesa, recebeu uma bola cortada pelo zagueiro. Com três toques, cortou o marcador, ajeitou e bateu de forma consciente para marcar lá do outro lado, a 55 metros de distância. Veja o lance no vídeo abaixo:

 

O jogo terminou 3 a 1, com direito a mais um gol de Felipe, dessa vez de pênalti. Com o resultado, o Kerċem ainda respira na Liga Goziana. Mas a história do golaço não terminou aí.

 

Felipe foi às redes sociais divulgar sua pintura e sonhou até em fazê-lo chegar ao Prêmio Puskas.

 

– Sem dúvidas esse é o gol mais bonito da minha carreira, só posso agradecer a Deus por esse momento maravilhoso que estou vivendo!! – escreveu.

 

Um gol tão bonito que contrasta com a vida de luta constante de Felipe no futebol. O jogador passou pelas categorias de base do Grêmio Barueri e Internacional, antes de se profissionalizar no Juventus, da Mooca.

 

Jogou Copa Paulista e, depois, rodou por clubes menores do interior de São Paulo, como União São João, Presidente Prudente e Grêmio Mauaense, jogando divisões inferiores do estado.

 

Nesse meio tempo, as contas não pararam de chegar, e com o salário curto da quarta divisão do futebol paulista, faltou dinheiro. Felipe precisou vender balas no semáforo, de noite, depois de treinar em dois turnos durante o dia.

 

– Em 2016 eu jogava a "Bzinha" (a quarta divisão paulista) no Presidente Prudente e foi um momento muito difícil na minha carreira. A gente, com salário atrasado, precisava pagar a casa que alugou para morar. E eu vendia pacotinhos de bala no sinal para conseguir uma grana extra. Em Americana (cidade natal do jogador) continuei fazendo isso, desempregado, sem clube.

 

Depois de desistir três vezes da carreira e voltar aos campos, foi no Foz do Iguaçu, no Paraná, que Felipe conseguiu mais uma chance. Jogou a primeira divisão do campeonato paranaense e, com a ajuda de um amigo, conseguiu que seu DVD chegasse às mãos dos clubes de Malta.



Fonte: Globo Esporte | Foto: Reprodução
 

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