21 de outubro de 2026
Segurança

“Nada impediu a brutalidade”, diz escritório que representava vítima de feminicídio em Ipira

Advogados publicaram nota de pesar nas redes sociais, destacando que a vítima tinha medida protetiva e havia acionado o botão do pânico.

Por Oeste Mais

Atualizado em 21/10/2026 | 10:46:00

O escritório Matzenbacher Advocacia, responsável pela representação jurídica de Daiana Gisele Muller, de 38 anos, mulher morta pelo ex-marido em Ipira, no Oeste catarinense, publicou uma nota de pesar nas redes sociais após o feminicídio da mulher.

No texto, os advogados lamentaram a morte e destacaram que, mesmo após buscar proteção judicial, Daiana não conseguiu evitar a violência.

“Mesmo com Medida Protetiva deferida, mesmo tendo percorrido todo o caminho legal-jurídico, mesmo tendo acionado o botão do pânico, NADA impediu a brutalidade de que foi vítima”, declarou o escritório na manifestação.

Na nota, os profissionais também ressaltaram a distância entre a proteção prevista em lei e a realidade enfrentada por mulheres vítimas de violência.

“Conhecemos a força das Leis, o valor das Garantias e a importância das Instituições, mas também conhecemos, dolorosamente, a distância que por vezessepara o Direito da Vida”, escreveram.

O escritório ainda destacou que Daiana buscava uma vida feliz, plena e digna, e manifestou solidariedade aos familiares, especialmente aos dois filhos da vítima, de 8 e 13 anos.

“Daiana foi morta”, afirma outro trecho da publicação, que também reforça a gravidade do feminicídio e critica a confusão entre amor e posse.

Ao final, os advogados declararam confiança na Justiça.

Leia abaixo a nota na íntegra: 

“Há dias em que a Advocacia nos impõe um silêncio.

Hoje, nosso Escritório vive um desses dias...

Daiana, uma mulher que buscou o amparo do Direito, a proteção da Justiça, teve sua vida brutalmente interrompida justamente por aquele que lhe jurava amor e devia proteção... Mesmo com Medida Protetiva deferida, mesmo tendo percorrido todo o caminho legal-jurídico, mesmo tendo acionado o botão do pânico, NADA impediu a brutalidade de que foi vítima.

O FEMINICÍDIO EXISTE, e é uma triste realidade daqueles que confundem Amor com posse, Liberdade com afronta e Amor com utilidade.

Daiana foi morta.

Sua preocupação era com seus filhos, desejando evitar que eles “vissem o pai preso”, porém, imaginando que seus filhos presenciariam um cenário ainda pior...

Como Advogados, conhecemos a força das Leis, o valor das Garantias e a importância das Instituições, mas também conhecemos, dolorosamente, a distância que por vezes separa o Direito da Vida... — distância esta que hoje nos fere profundamente...

Não escrevemos estas palavras apenas com a indignação de quem atua na defesa dos Direitos, mas escrevemos com a tristeza de quem acolheu uma Mulher que, como tantas, lutou por uma vida feliz, plena e digna.

Seria inglória esta luta de tantas por tão pouco?

DAIANA, nome que do Latim se traduz: “AQUELA QUE ILUMINA” — assim acreditamos que Você que agora habita os Céus, continua a iluminar os seus que aqui permanecem e, por uma vida toda, sentirão sua ausência física...

Confiamos na Justiça.”

O crime

Daiana foi encontrada morta na manhã de terça-feira, dia 20, em um riacho próximo a uma ponte na comunidade de Linha Capelinha, no interior de Ipira, onde morava.

O corpo apresentava marcas de facadas.

A mulher está sendo velada na própria comunidade, e o sepultamento está marcado para as 17 horas desta quarta-feira, dia 21, no cemitério local.

Mãe de dois filhos, Daiana havia registrado um boletim de ocorrência por ameaça contra o ex-marido.

Segundo a Polícia Civil, ela procurou a instituição no dia 8 de outubro.

No dia seguinte, a Justiça concedeu uma medida protetiva de urgência que proibia o suspeito de manter contato com a vítima e determinava uma distância mínima de 100 metros.

Conforme a Polícia Militar, Daiana acionou o botão do pânico antes de ser encontrada morta.

Os policiais foram até a residência dela e encontraram o imóvel arrombado. Como a mulher e o suspeito não estavam no local, as equipes iniciaram buscas nas proximidades.

O ex-marido se apresentou espontaneamente à Polícia Militar em Presidente Castello Branco e, segundo a corporação, relatou ter matado a mulher.

Ele foi preso em flagrante e conduzido à Central de Plantão Policial de Concórdia.

A Polícia Civil autuou o suspeito por feminicídio e representou à Justiça pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Utilizamos cookies para personalizar anúncios e melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.