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Advogados publicaram nota de pesar nas redes sociais, destacando que a vítima tinha medida protetiva e havia acionado o botão do pânico.
O escritório Matzenbacher Advocacia, responsável pela representação jurídica de Daiana Gisele Muller, de 38 anos, mulher morta pelo ex-marido em Ipira, no Oeste catarinense, publicou uma nota de pesar nas redes sociais após o feminicídio da mulher.
No texto, os advogados lamentaram a morte e destacaram que, mesmo após buscar proteção judicial, Daiana não conseguiu evitar a violência.
“Mesmo com Medida Protetiva deferida, mesmo tendo percorrido todo o caminho legal-jurídico, mesmo tendo acionado o botão do pânico, NADA impediu a brutalidade de que foi vítima”, declarou o escritório na manifestação.
Na nota, os profissionais também ressaltaram a distância entre a proteção prevista em lei e a realidade enfrentada por mulheres vítimas de violência.
“Conhecemos a força das Leis, o valor das Garantias e a importância das Instituições, mas também conhecemos, dolorosamente, a distância que por vezessepara o Direito da Vida”, escreveram.
O escritório ainda destacou que Daiana buscava uma vida feliz, plena e digna, e manifestou solidariedade aos familiares, especialmente aos dois filhos da vítima, de 8 e 13 anos.
“Daiana foi morta”, afirma outro trecho da publicação, que também reforça a gravidade do feminicídio e critica a confusão entre amor e posse.
Ao final, os advogados declararam confiança na Justiça.
Leia abaixo a nota na íntegra:
“Há dias em que a Advocacia nos impõe um silêncio.
Hoje, nosso Escritório vive um desses dias...
Daiana, uma mulher que buscou o amparo do Direito, a proteção da Justiça, teve sua vida brutalmente interrompida justamente por aquele que lhe jurava amor e devia proteção... Mesmo com Medida Protetiva deferida, mesmo tendo percorrido todo o caminho legal-jurídico, mesmo tendo acionado o botão do pânico, NADA impediu a brutalidade de que foi vítima.
O FEMINICÍDIO EXISTE, e é uma triste realidade daqueles que confundem Amor com posse, Liberdade com afronta e Amor com utilidade.
Daiana foi morta.
Sua preocupação era com seus filhos, desejando evitar que eles “vissem o pai preso”, porém, imaginando que seus filhos presenciariam um cenário ainda pior...
Como Advogados, conhecemos a força das Leis, o valor das Garantias e a importância das Instituições, mas também conhecemos, dolorosamente, a distância que por vezes separa o Direito da Vida... — distância esta que hoje nos fere profundamente...
Não escrevemos estas palavras apenas com a indignação de quem atua na defesa dos Direitos, mas escrevemos com a tristeza de quem acolheu uma Mulher que, como tantas, lutou por uma vida feliz, plena e digna.
Seria inglória esta luta de tantas por tão pouco?
DAIANA, nome que do Latim se traduz: “AQUELA QUE ILUMINA” — assim acreditamos que Você que agora habita os Céus, continua a iluminar os seus que aqui permanecem e, por uma vida toda, sentirão sua ausência física...
Confiamos na Justiça.”
O crime
Daiana foi encontrada morta na manhã de terça-feira, dia 20, em um riacho próximo a uma ponte na comunidade de Linha Capelinha, no interior de Ipira, onde morava.
O corpo apresentava marcas de facadas.
A mulher está sendo velada na própria comunidade, e o sepultamento está marcado para as 17 horas desta quarta-feira, dia 21, no cemitério local.
Mãe de dois filhos, Daiana havia registrado um boletim de ocorrência por ameaça contra o ex-marido.
Segundo a Polícia Civil, ela procurou a instituição no dia 8 de outubro.
No dia seguinte, a Justiça concedeu uma medida protetiva de urgência que proibia o suspeito de manter contato com a vítima e determinava uma distância mínima de 100 metros.
Conforme a Polícia Militar, Daiana acionou o botão do pânico antes de ser encontrada morta.
Os policiais foram até a residência dela e encontraram o imóvel arrombado. Como a mulher e o suspeito não estavam no local, as equipes iniciaram buscas nas proximidades.
O ex-marido se apresentou espontaneamente à Polícia Militar em Presidente Castello Branco e, segundo a corporação, relatou ter matado a mulher.
Ele foi preso em flagrante e conduzido à Central de Plantão Policial de Concórdia.
A Polícia Civil autuou o suspeito por feminicídio e representou à Justiça pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.
Vítima de 37 anos já havia registrado ocorrência de violência doméstica contra o suspeito e solicitado medida protetiva.
Menino de 13 anos que foi atingido por um disparo no rosto recebeu alta hospitalar nesta terça-feira.
Acidente na SC-480 ocorreu na noite desta terça-feira; homem de 29 anos foi levado ao hospital.
Bombeiros encontraram a mulher na noite desta terça-feira, na rodovia de acesso a Passos Maia.
Acidente ocorreu na manhã desta terça-feira, na comunidade de Cachimbo.
Sentença também condena homem por ameaçar testemunha do crime em Palhoça. Réu terá de pagar R$ 30 mil de indenização, mas poderá recorrer em liberdade.