05 de abril de 2026
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Psicóloga explica por que machucar animais é sinal de alerta na infância

Comportamento pode refletir aspectos delicados do desenvolvimento emocional da criança.

Por Oeste Mais

Atualizado em 10/02/2026 | 15:19:00

O que parece uma brincadeira ou um comportamento inocente pode esconder sinais importantes sobre o desenvolvimento emocional de uma criança. Atos de violência contra animais não devem ser normalizados e, segundo especialistas, podem indicar sofrimento, dificuldade de empatia ou pedidos silenciosos de ajuda.

Um dos casos que tomou grande proporção recentemente foi o envolvimento de menores em agressões e tortura contra o cão Orelha, cachorro comunitário que vivia na Praia Brava, em Florianópolis, no Litoral catarinense.

Em conversa com o Oeste Mais, a neuropsicóloga infantil Keila Zampirom, de Chapecó, detalha quando comportamentos agressivos ou de maus-tratos contra animais na infância se tornam um sinal de alerta.

• Oeste Mais: Quando uma criança agride ou maltrata um animal, isso indica algum problema psicológico?

Keila: Não indica automaticamente a presença de um transtorno psicológico, mas sinaliza que algo no desenvolvimento emocional da criança, no ambiente em que vive ou na forma como está aprendendo sobre limites e consequências precisa ser observado com cuidado. O mais importante é avaliar o contexto em que o comportamento ocorre.

• Oeste Mais: Esse comportamento é sempre um sinal de alerta ou pode estar ligado à imaturidade emocional?

Keila: Pode estar ligado à imaturidade emocional, especialmente em crianças pequenas, que ainda estão aprendendo sobre limites, consequências e sentimentos do outro.

No entanto, quando a agressividade é frequente, intencional ou repetitiva, passa a ser um sinal que precisa ser investigado com mais atenção.

• Oeste Mais: Existe diferença entre curiosidade infantil e crueldade?

Keila: Sim. A curiosidade infantil é exploratória e não envolve intenção de causar sofrimento. A crueldade envolve intenção clara de machucar, indiferença ou até prazer diante da dor do outro. Observar a reação da criança, se demonstra culpa, empatia ou arrependimento, ajuda a diferenciar esses comportamentos.

Oeste Mais: Crianças que presenciam violência em casa tendem a reproduzir esse comportamento?

Keila: Sim, com bastante frequência. A criança aprende principalmente por modelagem. Ao conviver com violência física, verbal ou emocional, pode reproduzir esses comportamentos por não conhecer outras formas de lidar com frustrações, conflitos ou emoções intensas.

 Oeste Mais: Há relação entre maus-tratos a animais na infância e comportamentos violentos no futuro?

Keila: A literatura aponta que, quando esse comportamento é persistente e não tratado, pode estar associado a dificuldades futuras de empatia, regulação emocional e relações sociais. É importante reforçar que a intervenção precoce pode modificar trajetórias de desenvolvimento.

• Oeste Mais: Esse tipo de comportamento pode evoluir se não for tratado?

Keila: Pode. Quando é ignorado ou tratado apenas com punições, o comportamento tende a se repetir ou se intensificar, pois a causa emocional subjacente não foi compreendida nem trabalhada.

• Oeste Mais: Punir é o caminho ou é preciso acolher e investigar a causa?

Keila: Punir de forma isolada não promove educação emocional. O caminho mais eficaz envolve acolhimento, investigação das causas, orientação, ensino de limites e desenvolvimento da empatia. Consequências educativas e diálogo são mais eficazes do que castigos.

• Oeste Mais: Em que momento é indicado buscar ajuda profissional?

Keila: Os pais devem buscar ajuda profissional sempre que houver qualquer sinal de violência contra animais, como apertar, machucar ou maltratar, pois isso já é um sintoma que merece atenção.

Além disso, é indicado buscar ajuda quando a criança:

→ machuca ou maltrata animais de forma intencional;
→ repete o comportamento, mesmo após orientação e estabelecimento de limites;
→ não demonstra empatia, culpa ou arrependimento após o ocorrido;
→ apresenta indiferença, riso ou prazer diante do sofrimento do animal;
→ manifesta outros comportamentos agressivos (com pessoas, colegas ou objetos);
→ vive ou viveu em ambientes com violência física, verbal ou emocional;
→ apresenta mudanças bruscas de comportamento, irritabilidade, isolamento ou explosões emocionais;
→ tem dificuldades persistentes para lidar com frustrações e regras.

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