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Resultado foi divulgado após júri popular de mais de 10 horas nesta sexta-feira, em Ponte Serrada.
Valmir Rodrigo Pegoraro, de 42 anos, foi condenado a mais de 70 anos de prisão por matar a própria filha, de apenas 1 ano e 9 meses, em maio do ano passado, no interior de Vargeão, Oeste de Santa Catarina. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira, dia 10, após um júri de mais de 10 horas no Fórum da comarca de Ponte Serrada, que encerrou com a votação dos sete jurados sorteados, sendo dois homens e cinco mulheres. Valmir responderá por feminicídio, sequestro e ocultação de cadáver.
Conforme o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), para o feminicídio, o conselho de sentença reconheceu as causas de aumento pelo crime ter sido cometido contra menor de 14 anos, por asfixia (enforcamento) e recurso que dificultou a defesa da vítima. A confissão serviu como atenuante. Para tanto, a pena foi de 60 anos.
Em relação ao crime de sequestro, a pena estipulada foi de oito anos e contou com as qualificadoras de ter sido cometido contra descendente (filha), contra menor de 18 anos e por ter resultado à vítima grande sofrimento físico ou moral. A confissão também foi considerada como atenuante.
Já para o crime de ocultação de cadáver, foram consideradas as agravantes de reincidência, motivo torpe, assegurar impunidade, contra descendente e contra criança. A confissão atenuou e a pena fixada foi de três anos.
Sendo assim, as penas totalizaram 71 anos de reclusão, sem direito de recorrer em liberdade. Quatro advogados atuaram na defesa do réu. A acusação contou com a assistência de outros quatro profissionais. O agressor estava preso desde o crime e foi levado diretamente à penitenciária de Chapecó.
No começo da manhã, familiares de Hosana Esmeralda Silva Pegoraro acompanharam o início do júri do lado de fora do fórum, usando camisetas com a foto da menina e pedindo por justiça.
Conforme as investigações, o crime ocorreu no dia 25 de maio de 2025, após Valmir fugir com a filha do interior de Abelardo Luz, seguir até uma área de mata e matar a criança já no interior de Vargeão.
O corpo da menina foi encontrado no dia seguinte, na linha Copinha, próximo à divisa com Faxinal dos Guedes. O próprio pai confessou o crime em uma ligação telefônica, na qual relatou ter enforcado a filha e, em seguida, tentado tirar a própria vida.
Como foi o júri
O réu foi interrogado no julgamento, mas decidiu responder apenas às questões feitas pela defesa e pelos jurados. Os questionamentos feitos pelo Ministério Público não foram respondidos.
Ainda durante a manhã houve a exibição de depoimentos por vídeo, com o júri seguindo para as oitivas de testemunhas presenciais. Ao todo, quatro testemunhas foram ouvidas. Outras duas foram dispensadas.
O julgamento iniciou com atraso devido à demora na chegada dos advogados de defesa e ocorre sem acesso do público e da imprensa, já que o processo tramita sob segredo de justiça. Dos sete jurados que integram o conselho de sentença, cinco são mulheres e dois são homens.
O julgamento foi suspenso por volta das 13 horas para almoço e retomado cerca de uma hora depois. Após o interrogatório do réu, a sessão entrou na fase de debates.
O Ministério Público faz a acusação, com tempo máximo de uma hora e meia. A defesa falou na sequência, também por uma hora e meia. Após a réplica, o MP teve mais uma hora, com igual tempo destinado à tréplica da defesa.
A tréplica foi encerrada por volta das 20h30 e em seguida, o conselho de sentença iniciou a votação, que foi encerarda por volta das 21h30. O resultado foi divulgado na sequência.
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