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Antes da realização do tribunal do júri nesta quarta-feira (16), julgamento de Ricardo Seidi Shigematsu e Terezinha de Jesus Guinaia foi adiado oito vezes. Menina de 11 anos foi encontrada morta na ca
Nesta quarta-feira (16), Ricardo Seidi Shigematsu e Terezinha de Jesus Guinaia vão a júri popular pela morte de Eduarda Shigematsu, de 11 anos.
O julgamento de pai e avó acontece em Maringá, no Norte do Paraná, sete anos após o crime e depois de oito adiamentos.
Em abril de 2019, a criança foi encontrada morta dentro de um buraco, em um dos imóveis da família em Rolândia, na mesma região do estado.
Antes, ela havia sido dada como desaparecida pela avó.
A investigação da Polícia Civil (PC-PR) e a denúncia do Ministério Público (MP-PR) identificaram que Eduarda foi esganada pelo pai e teve o corpo ocultado. Depois, pai e avó tentaram dificultar as apurações.
A defesa de Ricardo disse que irá se manifestar em plenário. Os advogados que representam Terezinha acreditam que ela será absolvida. Leia as manifestações na íntegra no fim desta reportagem.
"A sessão do júri ocorrerá em Maringá após uma decisão de desaforamento do caso.
O desaforamento é a transferência excepcional de um julgamento do Tribunal do Júri para outra cidade para garantir que ele seja imparcial e seguro, aplicado quando a comoção local impede a formação de um júri neutro, quando há riscos à segurança do réu ou à ordem pública ou quando há excesso de demora no fórum original", diz a nota do MP.
Conforme o MP, a avó tinha a guarda judicial da criança e contribuiu para a morte dela, ao permitir que ficasse sob os cuidados do pai.
Além disso, Ricardo rejeitava a menina e "não respondia sequer por seus cuidados básicos".
Ricardo responde por homicídio qualificado (uso de meio cruel, recurso que dificultou defesa da vítima e feminicídio), ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
Terezinha, por ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
Neste caso, feminicídio é uma qualificadora porque se tornou um crime autônomo em 2024, pela lei n.º 14.994. O crime contra Eduarda ocorreu em 2019.
A expectativa é de que o júri tenha duração de mais de um dia.
Relembre o caso
Eduarda Shigematsu, de 11 anos, desapareceu no dia 24 de abril de 2019, em Rolândia, no Norte do Paraná. À época, o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) disse que ela foi para a escola de manhã, voltou para casa, deixou a mochila no sofá e não foi mais vista.
Uma câmera de segurança filmou ela chegando na casa em que vivia com a família às 11h52. Entretanto, não há imagens dela saindo.
Em 25 de abril de 2019, Terezinha de Jesus Guinaia, a avó paterna de Eduarda e quem tinha a guarda da menina, registrou um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento.
O pai, Ricardo Seidi, publicou uma mensagem em uma rede social pedindo informações sobre a filha.
Nesta época, a mãe de Eduarda morava em São Paulo e visitava a filha no Paraná todos os meses. Ela contou à RPC, afiliada da TV Globo, que ficou sabendo do desaparecimento de Eduarda por uma mensagem enviada pela avó paterna da criança.
O corpo de Eduarda foi encontrado por volta das 14h30 do dia 28 do mesmo mês, um domingo.
Ele estava enterrado nos fundos de uma casa de propriedade da família, após uma denúncia anônima ser feita à Polícia Militar (PM-PR).
Eduarda tinha os pés e mãos amarrados, uma corda no pescoço e a cabeça envolvida com um saco preto e uma toalha.
O laudo da Polícia Científica, divulgado pelo delegado Ricardo Jorge no dia seguinte ao achado do corpo, identificou que Eduarda morreu por esganadura.
Com isso, a versão apresentada pelo pai, Ricardo Seidi, foi contrariada. Seidi havia dito, em depoimento, que encontrou a filha enforcada no quarto e, desesperado, decidiu ocultar o corpo dela em outro imóvel.
Ainda de acordo com a versão apresentada por ele, existia um buraco por causa de uma fossa, onde ele colocou o corpo, fechou com cimento e foi embora.
A chegada do pai ao imóvel onde Eduarda estava enterrada foi filmada e aconteceu no mesmo dia do desaparecimento da criança.
"O exame indica que se trata de um homicídio qualificado, porque a menina foi vítima de esganadura e não de enforcamento”, disse o delegado Jorge à época.
Em 29 de abril de 2019, a Polícia Civil solicitou a prisão temporária de Ricardo Seidi, que depois foi convertida em preventiva.
Terezinha foi presa em 30 de abril de 2019. Depois de 57 dias, ela passou a aguardar o julgamento em liberdade, quando foi denunciada junto ao filho.
O que as defesas dizem
Em nota enviada ao g1, os advogados que representam Ricardo Seidi informaram que irão se manifestar somente no plenário.
"A defesa de Ricardo Seidi Shigematsu, réu no processo que tramita perante a Vara Plenária do Tribunal do Júri de Maringá, informa que o julgamento tem previsão de duração superior a três dias.
A instrução em plenário contempla a oitiva de doze testemunhas arroladas pelas partes, além dos interrogatórios dos acusados.
A defesa confia em um julgamento técnico, calcado na análise cuidadosa das provas produzidas nos autos.
As teses defensivas estão amparadas em laudos periciais, no exame crítico da prova técnica e em contradições relevantes identificadas na investigação.
A defesa não fará comentários adicionais além do que será sustentado em plenário."
A defesa de Terezinha de Jesus Guinaia disse ao g1 que aguarda por uma absolvição da avó. Confira:
"As expectativas são as melhores possíveis. Confiamos na justiça.
Na primeira fase do julgamento ocorrido na comarca de Rolândia, o juízo impronunciou a Sra. Terezinha, o que equivale a uma absolvição.
Contudo, o Tribunal de Justiça entendeu erroneamente que deveria ser submetida ao julgamento perante o
Tribunal do Júri, que vai ocorrer amanhã, e confiamos na absolvição."
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