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Ricardo Ferreira Barollo tinha sido condenado a 48 anos de prisão e agora será colocado em liberdade. Ele deverá ser julgado novamente, perante outro Conselho de Sentença.
O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) anulou, nesta quinta-feira (1º), a condenação de Ricardo Ferreira Barollo e determinou que ele seja submetido a um novo julgamento pelo Tribunal do Júri.
Com isso, ele deverá ser colocado em liberdade.
Em maio de 2025, Ricardo Barollo foi condenado a 48 anos e 9 meses de prisão por mandar matar, em 2009, o casal Bernardo Pedroso e Renata Waechter Ferreira, em Quatro Barras, Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR), as mortes foram motivadas pela disputa do comando de um grupo neonazista que simpatizava com os ideais de Adolf Hitler, ditador que liderou o genocídio de seis milhões de judeus durante o Holocausto, entre 1941 e 1945.
À época, Bernardo tinha 24 anos, e Renata, 21.
O crime, conforme a investigação, foi após uma festa que tinha como tema os 120 anos de nascimento de Hitler.
Após a condenação, a defesa de Barollo recorreu, alegando que parte das provas usadas contra ele consistia em depoimentos de réus e testemunhas que foram prestados em outro processo.
Segundo os advogados de defesa, eles não participaram da produção dessas provas, nem tiveram a chance de contestar diretamente as declarações.
Essas provas foram exibidas aos jurados em vídeo durante o julgamento, que não contou com novos depoimentos das testemunhas.
A decisão do TJ ressalta ainda que a defesa de Barollo contestou o uso das gravações como prova, apontou isso durante o julgamento e pediu que os corréus fossem ouvidos diretamente pelos jurados, o que foi negado.
Com isso, o órgão concluiu que não houve "nulidade de algibeira" – quando a parte deixa de reclamar de um problema processual para alegá-lo apenas após ser derrotada –, porque a defesa questionou o tema em todos os momentos possíveis.
Barollo deverá ser julgado novamente, perante outro Conselho de Sentença.
Em nota, o advogado Adriano Bretas, responsável pela defesa de Barollo, informou que "decisão representa o reconhecimento de uma ilegalidade que a defesa vinha apontando desde antes do julgamento".
"O próximo passo será a realização de um novo júri, agora com plena observância das garantias processuais, oportunidade em que a defesa demonstrará novamente a realidade e a necessidade de absolvição de Ricardo", diz a nota, que pode ser lida na íntegra a seguir.
José Carlos Portella Junior, advogado que representa a família da vítima Renata Waechter Ferreira, informou que espera "que Barollo seja condenado novamente e que retorne para a cadeia o mais breve possível".
O g1 procurou o Ministério Público e, até a última atualização desta reportagem, aguardava retorno.
Em março de 2025, outras duas pessoas foram condenadas por executar o crime.
Jairo Maciel Fisher foi condenado a 32 anos e três meses de prisão.
João Guilherme Correa foi condenado a 35 anos e dois meses de prisão.
No mesmo julgamento, os réus Rodrigo Motta e Rosana Almeida Oliveira foram absolvidos.
João Guilherme fugiu dias antes do julgamento, que aconteceu sem a presença do réu.
Ele foi preso em junho deste ano, na região de Pavia, próxima a Milão, na Itália, após ser encontrado pelas autoridades italianas, em ação de cooperação internacional, que incluiu a Polícia Civil do Paraná (PCPR).
Ele era alvo de dois mandados de prisão: um pela condenação pela morte de Bernardo e Renata e outro por racismo e apologia ao nazismo.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu após o casal sair de uma festa que comemorava o aniversário de Adolf Hitler.
O evento foi realizado em uma chácara em Campina Grande do Sul, também na Região Metropolitana de Curitiba.
Eles foram acompanhados por um dos denunciados.
Durante o trajeto, outro carro, conduzido por outro envolvido, interceptou o carro das vítimas no acostamento, em Quatro Barras.
A investigação diz que dois suspeitos desceram encapuzados do segundo carro, armados com pistolas, e efetuaram disparos contra o casal, que morreu no local.
O que dizem os citados?
Leia a íntegra da nota enviada pela defesa de Ricardo Ferreira Barollo:
"A defesa de Ricardo Ferreira Barollo recebeu com serenidade a decisão da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná, que deu provimento ao recurso de Embargos Infringentes e reconheceu a nulidade do julgamento realizado pelo Tribunal do Júri de Campina Grande do Sul, determinando a realização de novo julgamento perante outro Conselho de Sentença.
O Tribunal reconheceu que elementos relevantes utilizados para sustentar a acusação foram produzidos em outro processo, sem participação da defesa na formação da prova e sem sua renovação perante os jurados, circunstância que violou o contraditório e a ampla defesa e comprometeu a validade constitucional do julgamento.
A decisão representa o reconhecimento de uma ilegalidade que a defesa vinha apontando desde antes do julgamento.
O próximo passo será a realização de um novo Júri, agora com plena observância das garantias processuais, oportunidade em que a defesa demonstrará novamente a realidade e a necessidade de absolvição de Ricardo.
Muitos fatos obscuros serão esclarecidos no novo julgamento e a verdade virá à tona: Ricardo Barollo é inocente!"
Leia a íntegra da nota enviada pelo advogado que representa a família da vítima Renata Waechter Ferreira:
"A família da Renata Waechter Ferreira recebe com consternação a notícia sobre a anulação da condenação de Ricardo Barollo.
Foram 16 anos de espera angustiante para que o Júri saísse.
Após quase um ano e meio do Júri que condenou Barollo, a família de Renata é surpreendida com a decisão do Tribunal de Justiça do Paraná anulando o Júri e ordenando a soltura do mandante do crime.
A defesa da família irá estudar a decisão e pensar nos próximos passos em conjunto com a promotoria, mas espera que Barollo seja condenado novamente e que retorne para a cadeia o mais breve possível".
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