05 de abril de 2026
Gerais

Investigação da maior tragédia do balonismo brasileiro, com 8 mortes, termina 2025 sem culpados

Incêndio em balão que transportava ao todo 21 pessoas aconteceu em junho deste ano em Praia Grande (SC). Após inquérito não apontar culpados, investigação foi reaberta.

Por G1/SC

Atualizado em 27/12/2025 | 11:12:00

Era uma manhã ensolarada de sábado quando um balão tripulado com 21 pessoas a bordo despencou do céu em Praia Grande (SC) após pegar fogo, em junho, deixando oito mortos. Das vítimas, quatro se jogaram da estrutura em chamas, a cerca de 45 metros de altura, e outras quatro morreram carbonizadas.

A investigação sobre a queda havia sido concluída em outubro sem ninguém ser indiciado ou apontado como responsável. O inquérito foi reaberto em novembro, sob responsabilidade de um novo delegado .

Tragédia na 'Capadócia brasileira'

O acidente aconteceu na manhã de 21 de junho no extremo sul de Santa Catarina, região conhecida como 'Capadócia brasileira' por lembrar o destino da Turquia famoso por formações rochosas peculiares e pelos voos de balão de ar quente.

Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram o balão no alto em chamas e pessoas pulando dele em meio ao desespero. Entre as oito vítimas, havia médicos, casais e um patinador artístico .

A tragédia ganhou destaque inclusive na imprensa internacional. O acidente foi chamado de "dramático" e noticiado por veículos dos Estados Unidos, da Argentina e europeus — como The New York Times, Clarín, BBC e El País.

 O acidente também motivou a atualização nas normas para voos de balões tripulados no Brasil. As regras de transição para a prática do balonismo comercial no país começam a valer em 1º de dezembro, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

As mudanças incluem critérios mínimos de segurança, tipos de balões permitidos, qualificação exigida dos pilotos e procedimentos para operadores .

Relatos

Loriane Lopes foi uma das pessoas que viu o balão cair. A mulher estava na casa da avó quando o pai dela apontou para a estrutura em chamas no céu.

"A gente achou que era brincadeira. Aí, quando a gente saiu realmente para ver, as pessoas já estavam se jogando, o balão já estava todo em chamas. Foi bem desesperador", disse.

Durante o trajeto até o local, ela disse que a família e ela escutaram "pessoas pedindo socorro".

Treze pessoas sobreviveram, incluindo o engenheiro Victor Hugo Mondini Correa e a médica veterinária Laís Campos Paes. O casal de Curitibanos, no Oeste de Santa Catarina, conseguiu saltar da estrutura em chamas e caiu em uma área de vegetação que amorteceu o impacto.

"A lama amorteceu a nossa queda. A gente conseguiu evitar mais lesões por causa dessa lama", disse Correa.

Investigação

Com base em depoimentos colhidos com o piloto e os sobreviventes, a Polícia Civil divulgou que:

O balão subiu por volta das 7h de 21 de junho com 21 pessoas a bordo e, logo no início do passeio, começou a pegar fogo;

O extintor que estava dentro do cesto do balão não funcionou;

O balão começou a descer e, quando estava perto do solo, os sobreviventes pularam; entre eles, o piloto;

Mais leve, a estrutura voltou a subir. Quatro das vítimas pularam de uma altura de cerca de 45 metros e morreram;

As chamas aumentaram e o cesto, com outras quatro vítimas, despencou. Elas morreram carbonizadas;

Os bombeiros enviaram o primeiro relatório sobre a queda às 8h18.

A investigação sobre a queda do balão havia sido concluída sem indiciados após a polícia ouvir mais de 20 pessoas. Conforme a apuração, o conjunto de provas "não encontrou a existência de conduta humana dolosa ou culposa que tenha dado causa ao incêndio em voo".

O inquérito, no entanto, foi reaberto em novembro, um mês após a delegacia anterior encerrar a investigação sem apontar culpados.

A retomada aconteceu um dia após a exoneração do delegado de Santa Rosa do Sul que conduzia o caso. Com a troca, o delegado André Coltro assumiu a delegacia do município e passou a comandar a nova fase da apuração.

De acordo com o novo investigador, agora, novas diligências investigativas são cumpridas a pedido do Ministério Público (MP).

Vítimas

Leandro Luzzi, de 33 anos: Era patinador artístico e dava aulas em Brusque, no Vale do Itajaí.

Leane Elizabeth Herrmann, de 70 anos: Moradora de Blumenau, estava no passeio de balão com a filha Leise Herrmann Parizotto.

Leise Herrmann Parizotto: Médica e servidora pública de Blumenau, no Vale do Itajaí. Estava no passeio com a mãe Leane Elizabeth Herrmann.

Janaina Moreira Soares da Rocha (46 anos) e Everaldo da Rocha (53 anos): Casal de Joinville, no Norte do estado, que estava a passeio na cidade.

Fabio Luiz Izycki (42 anos) e Juliane Jacinta Sawicki (36 anos): Fabio era primo de 2º grau do prefeito de Barão de Cotegipe (RS) e trabalhava em uma agência do Banco do Brasil. Juliane era engenheira agrônoma e sócia de uma empresa de assessoria rural.

Andrei Gabriel de Melo: Era oftalmologista e atuava em Fraiburgo, no Meio-Oeste catarinense.

Destino conhecido

Com 8,2 mil habitantes, Praia Grande, a "Capital dos Cânions" de Santa Catarina, tem na procura de turistas pelo balonismo a principal atividade econômica da cidade. São cerca de 600 voos todos os meses, mais de 7,5 mil por ano, segundo a Secretaria Municipal de Turismo.

A tragédia de junho, conforme a prefeitura, foi o primeiro acidente com fatalidades desde o início da prática na cidade em 2017. O balão tinha capacidade para carregar até 27 pessoas ou 2.870 quilos.

Desde o começo da atividade, foram mais de 50 mil voos na região. Em relação a acidentes, a Secretaria de Turismo reforça que outras pequenas ocorrências já foram registradas, mas nenhuma com tamanha gravidade.

Em 2021, o ex-participante do Big Brother Brasil Lucas Gallina relatou que passou por um pouso de emergência durante um passeio após fortes rajadas de vento. Já o atleta Fabricio Pacholok filmou a própria queda em 2023.

 

 

 

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