10 de março de 2026
Esportes

Especialista alerta para riscos de lesões em praticantes de beach tennis e futvôlei

Estudo indica que 50% dos praticantes de beach tennis avaliados já apresentaram algum tipo de lesão, principalmente em articulações e tendões.

Por Rodrigo Bortot

Atualizado em 10/03/2026 | 08:29:00

O beach tennis e o futvôlei vivem um dos momentos mais expressivos no Brasil. Desde 2021, o número de praticantes das modalidades aumentou em mais de 200%, conforme dados da Confederação Brasileira de Tênis (CBT) e da Confederação Brasileira de Futevôlei (CBFv).

A popularização dos esportes, no entanto, vem acompanhada de um dado que acende sinal de alerta: o crescimento das lesões ortopédicas entre atletas amadores e praticantes frequentes.

Um levantamento publicado em agosto no Brazilian Journal of Health Review indica que 50% dos praticantes de beach tennis avaliados já apresentaram algum tipo de lesão. O estudo acompanhou mais de 1.200 atletas e identificou as tendinopatias como os quadros mais recorrentes.

Entre as regiões mais afetadas estão o cotovelo (25,4%) e o ombro (20,9%). Também foram registradas lesões nos joelhos (16,4%) e entorses nos tornozelos, especialmente em jogadores com maior carga semanal de treinos.

De acordo com a pesquisa, quem pratica mais de 10 horas por semana tem risco três vezes maior de sofrer lesões em comparação aos que jogam menos.

Para o médico ortopedista e docente do curso de Medicina da Afya Centro Universitário de Pato Branco, Dr. Fabio Cavali, o fato de o esporte ser praticado na areia não elimina os riscos.

“Apesar de parecer uma superfície de menor impacto, a areia é irregular e favorece mecanismos de entorse. Além disso, muitas pessoas iniciam a prática sem preparo físico adequado, o que aumenta significativamente o risco de lesões”, explica.

Segundo o especialista, os membros inferiores concentram boa parte das ocorrências.

“Entorses, tendinites e lesões musculares são comuns porque o esporte exige arrancadas curtas, saltos e mudanças rápidas de direção, o que sobrecarrega tornozelos, joelhos e a musculatura das pernas”, afirma.


Prevenção é aliada do desempenho

O ortopedista reforça que é possível reduzir os riscos com medidas simples. O fortalecimento muscular, sobretudo de pernas, ombros e core (abdômen e lombar), contribui para maior estabilidade e proteção das articulações.

“O aquecimento prévio, com cinco a dez minutos de exercícios de mobilidade, também é essencial para preparar o corpo para os movimentos intensos das modalidades. Outro ponto de atenção é a carga de treino, que deve evoluir de forma gradual e respeitar períodos de descanso”, acrescenta.

A avaliação médica antes de iniciar a prática também é recomendada, especialmente para identificar possíveis condições cardiovasculares e prevenir eventos graves, como mal súbito ou infarto.

O uso de equipamentos adequados, como raquetes apropriadas, óculos de proteção, roupas leves e hidratação constante, completa o conjunto de cuidados.

“Com o aumento do número de adeptos, é natural que as lesões também cresçam. Mas, com orientação profissional e acompanhamento adequado, é possível reduzir drasticamente os riscos e ainda melhorar a performance”, conclui o ortopedista e docente da Afya, Dr. Fabio Cavali.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Utilizamos cookies para personalizar anúncios e melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.