06 de abril de 2026
Gerais

Buzina, caos e briga: psicóloga ensina como lidar com o estresse no trânsito

Durante o Janeiro Branco, profissional alerta para impactos emocionais da rotina nas ruas e dá dicas para evitar conflitos e preservar a saúde mental.

Por Oeste Mais

Atualizado em 21/01/2026 | 10:34:00

Buzinas constantes, congestionamentos, manobras perigosas e discussões fazem parte da rotina de quem enfrenta o trânsito diariamente. Situações como ser fechado por outro motorista, presenciar ultrapassagens proibidas ou até presenciar brigas após a parada dos veículos são cada vez mais comuns e, em alguns casos, têm consequências graves.

No mês do Janeiro Branco, campanha nacional de conscientização sobre a saúde mental, o estresse no trânsito também entra em pauta como um fator que exige atenção e cuidado. Um exemplo recente ocorreu em Ponte Serrada, no Oeste catarinense, onde uma briga no trânsito terminou com um caminhoneiro morto a facadas. O autor do crime foi preso.

Diante desse cenário, a psicóloga Renata Adona, da clínica Iluminar Psicologia e Desenvolvimento Clínico, explica por que o trânsito é um ambiente propício ao estresse e orienta como controlar as emoções para evitar conflitos.

Segundo a profissional, o trânsito expõe as pessoas a situações de perda de controle, imprevisibilidade e urgência, fatores que contribuem para reações emocionais intensas, como raiva e ansiedade. Atrasos, congestionamentos, erros de outros condutores e atitudes consideradas grosseiras ativam respostas automáticas do organismo.

“O trânsito é um ambiente imprevisível, onde o tempo, o comportamento de terceiros e fatores externos fogem do controle individual. Estratégias como respiração profunda e ritmada, atenção ao próprio corpo e redução da pressa interna ajudam a diminuir a ativação fisiológica do estresse. Além disso, planejar o tempo de deslocamento e aceitar que imprevistos fazem parte do trajeto contribuem para uma vivência emocional mais equilibrada”, explica.

Renata destaca ainda que, diante de atitudes agressivas, é importante compreender que o comportamento do outro geralmente reflete o estado emocional dele, e não algo pessoal.

“Responder com agressividade tende a intensificar o conflito e aumentar os riscos à segurança e à saúde mental. A escolha por não reagir, manter o foco na própria condução e preservar a integridade emocional é uma forma de autocuidado e maturidade emocional.”

Por que o trânsito desperta irritação e ansiedade

De acordo com a psicóloga, o trânsito ativa sentimentos de ameaça, urgência e perda de controle, estimulando o sistema de alerta do organismo. Pessoas que já apresentam níveis elevados de estresse, ansiedade ou sobrecarga emocional tendem a reagir de forma mais intensa.

“Nessas situações, o trânsito funciona como um gatilho que potencializa emoções previamente acumuladas”, afirma.

Ela ressalta que o estresse no trânsito também pode estar relacionado a outras áreas da vida, como excesso de demandas no trabalho, conflitos familiares, cansaço emocional ou falta de descanso.

“Quando essas áreas estão desequilibradas, a tolerância ao estresse diminui, fazendo com que situações cotidianas sejam vivenciadas de forma mais intensa e desgastante.”

Como controlar a raiva diante de erros de outros motoristas

Para lidar com essas situações, Renata orienta reconhecer que erros fazem parte da condição humana e que nem todo comportamento inadequado é intencional. Técnicas de autorregulação emocional, como respiração profunda, relaxamento muscular e reformulação de pensamentos rígidos, ajudam a reduzir a impulsividade.

“Desenvolver empatia e focar na própria segurança são estratégias fundamentais para preservar o equilíbrio emocional”, orienta.

O estresse no trânsito passa a ser um problema para a saúde mental quando é frequente, intenso e ultrapassa o momento da condução, gerando irritabilidade constante, ansiedade elevada, pensamentos agressivos ou cansaço excessivo.

“Nesses casos, é um sinal de alerta de que a saúde mental precisa de atenção. Buscar apoio psicológico pode ajudar a compreender as origens dessas reações e a desenvolver formas mais saudáveis de lidar com o estresse cotidiano”, conclui a psicóloga.

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