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Durante o Janeiro Branco, profissional alerta para impactos emocionais da rotina nas ruas e dá dicas para evitar conflitos e preservar a saúde mental.
Buzinas constantes, congestionamentos, manobras perigosas e discussões fazem parte da rotina de quem enfrenta o trânsito diariamente. Situações como ser fechado por outro motorista, presenciar ultrapassagens proibidas ou até presenciar brigas após a parada dos veículos são cada vez mais comuns e, em alguns casos, têm consequências graves.
No mês do Janeiro Branco, campanha nacional de conscientização sobre a saúde mental, o estresse no trânsito também entra em pauta como um fator que exige atenção e cuidado. Um exemplo recente ocorreu em Ponte Serrada, no Oeste catarinense, onde uma briga no trânsito terminou com um caminhoneiro morto a facadas. O autor do crime foi preso.
Diante desse cenário, a psicóloga Renata Adona, da clínica Iluminar Psicologia e Desenvolvimento Clínico, explica por que o trânsito é um ambiente propício ao estresse e orienta como controlar as emoções para evitar conflitos.
Segundo a profissional, o trânsito expõe as pessoas a situações de perda de controle, imprevisibilidade e urgência, fatores que contribuem para reações emocionais intensas, como raiva e ansiedade. Atrasos, congestionamentos, erros de outros condutores e atitudes consideradas grosseiras ativam respostas automáticas do organismo.
“O trânsito é um ambiente imprevisível, onde o tempo, o comportamento de terceiros e fatores externos fogem do controle individual. Estratégias como respiração profunda e ritmada, atenção ao próprio corpo e redução da pressa interna ajudam a diminuir a ativação fisiológica do estresse. Além disso, planejar o tempo de deslocamento e aceitar que imprevistos fazem parte do trajeto contribuem para uma vivência emocional mais equilibrada”, explica.
Renata destaca ainda que, diante de atitudes agressivas, é importante compreender que o comportamento do outro geralmente reflete o estado emocional dele, e não algo pessoal.
“Responder com agressividade tende a intensificar o conflito e aumentar os riscos à segurança e à saúde mental. A escolha por não reagir, manter o foco na própria condução e preservar a integridade emocional é uma forma de autocuidado e maturidade emocional.”
Por que o trânsito desperta irritação e ansiedade
De acordo com a psicóloga, o trânsito ativa sentimentos de ameaça, urgência e perda de controle, estimulando o sistema de alerta do organismo. Pessoas que já apresentam níveis elevados de estresse, ansiedade ou sobrecarga emocional tendem a reagir de forma mais intensa.
“Nessas situações, o trânsito funciona como um gatilho que potencializa emoções previamente acumuladas”, afirma.
Ela ressalta que o estresse no trânsito também pode estar relacionado a outras áreas da vida, como excesso de demandas no trabalho, conflitos familiares, cansaço emocional ou falta de descanso.
“Quando essas áreas estão desequilibradas, a tolerância ao estresse diminui, fazendo com que situações cotidianas sejam vivenciadas de forma mais intensa e desgastante.”
Como controlar a raiva diante de erros de outros motoristas
Para lidar com essas situações, Renata orienta reconhecer que erros fazem parte da condição humana e que nem todo comportamento inadequado é intencional. Técnicas de autorregulação emocional, como respiração profunda, relaxamento muscular e reformulação de pensamentos rígidos, ajudam a reduzir a impulsividade.
“Desenvolver empatia e focar na própria segurança são estratégias fundamentais para preservar o equilíbrio emocional”, orienta.
O estresse no trânsito passa a ser um problema para a saúde mental quando é frequente, intenso e ultrapassa o momento da condução, gerando irritabilidade constante, ansiedade elevada, pensamentos agressivos ou cansaço excessivo.
“Nesses casos, é um sinal de alerta de que a saúde mental precisa de atenção. Buscar apoio psicológico pode ajudar a compreender as origens dessas reações e a desenvolver formas mais saudáveis de lidar com o estresse cotidiano”, conclui a psicóloga.
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