Tivi São Lourenço, 10 de dezembro de 2019
Segurança

Homem que matou esposa e escondeu corpo em armário pede desculpas em júri e é condenado a 28 anos de reclusão em Chapecó

Empresário desferiu golpes de faca no lado esquerdo do peito e no pescoço da vítima

Por Oeste Mais

Atualizado em 02/12/2019 | 08:41:00

O homem acusado de matar e esconder o corpo da mulher, de 37 anos, dentro de um armário, pediu desculpas durante o júri popular em que foi condenado a 28 anos e quatro meses de reclusão. O julgamento ocorreu na última sexta-feira (29), em Chapecó, onde o crime foi praticado. O corpo da vítima foi encontrado no apartamento do casal, no dia 4 de julho de 2017.

Além dos 28 anos e quatro meses de reclusão em regime fechado, Pedro Fávero, de 41 anos, foi condenado a seis meses de detenção em regime semiaberto. A ele foi negado o direito de recorrer em liberdade e, como estava preso preventivamente desde o crime, permanece no Presídio Regional de Chapecó.

A sessão se estendeu por mais de 14 horas. Os jurados ─ quatro mulheres e três homens ─ reconheceram as qualificadoras de feminicídio, motivo fútil, meio cruel e uso de recursos que dificultaram a defesa da vítima, para o crime de homicídio (24 anos). O acusado também foi condenado por ocultação de cadáver (um ano), fraude processual (seis meses), furto qualificado (um ano e quatro meses) e porte ilegal de arma de fogo (dois anos). O réu foi absolvido pelo crime de posse irregular de munição de uso restrito.

Interrogatório

Após aproximadamente quatro horas de oitivas de 17 testemunhas arroladas durante o processo, chegou o momento de ouvir o réu. Foi mais de uma hora de perguntas direcionadas ao acusado. Ele contou como aconteceu o crime. A discussão teria sido motivada por ciúmes, já que ela revelou o desejo de separação e o envolvimento amoroso com outro homem. Ao final, ele se disse arrependido e pediu desculpas à sogra, ao filho e à família. Todos estiveram presentes durante toda a sessão.

A defesa foi feita pelo advogado Alexandre Santos Correia Amorim. Como representante do Ministério Público esteve a promotora de justiça Cândida Antunes Ferreira. O assistente de acusação foi o advogado Wilson Gerhard. O júri foi presidido pelo juiz Jeferson Osvaldo Vieira.

Manifestação

As duas irmãs, a mãe e o filho da vítima usaram camisetas com a foto da mulher. Abaixo continha a frase “Quem ama não mata!”. Outros parentes e amigos também vestiram a camiseta em forma de manifestação. Na frente do fórum foram colocadas faixas pedindo Justiça pela vítima e por todas as mulheres.

O crime

De acordo com a denúncia, o empresário desferiu golpes de faca no lado esquerdo do peito e no pescoço da esposa, com quem era casado há 18 anos. Conforme apurado, o crime teria acontecido por volta das 18 horas do dia 4 de julho de 2017. O corpo foi encontrado por familiares aproximadamente às 12 horas do dia seguinte, dentro de um armário onde Pedro guardava armas.

Ainda segundo informações dos autos, o acusado fugiu utilizando o veículo de um cliente que estava no estacionamento que mantinha com a esposa, próximo ao aeroporto da cidade. No Paraná, ele se envolveu em um acidente e abandonou o carro. Procurou abrigo na casa de amigos na cidade paranaense de Guaíra. Depois de 30 horas de negociação com a polícia, ele concordou em comparecer à delegacia.

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