Tivi São Lourenço, 20 de janeiro de 2020
Segurança

Bombeiros concluem que incêndio que resultou na morte de homem não foi por explosão de carregador de celular

Emerson Ribeiro de Paula estava internado no Hospital Regional São Paulo, de Xanxerê, desde 07 de janeiro.

Por Lance Notícias

Atualizado em 14/01/2020 | 11:59:00

O Corpo de Bombeiros concluiu a perícia em relação ao caso onde supostamente um carregador havia explodido e ocasionado queimaduras em um homem. A vítima, que teve queimaduras em quase 40% do corpo, sendo de primeiro e segundo graud, não resistiu aos ferimentos e foi a óbito no domingo (12).

De acordo com tenente-coronel do 14º Batalhão do Corpo de Bombeiros de Xanxerê, Walter Parizotto, a perícia apontou que não foi o carregador de celular que explodiu, mas sim que o fogo iniciou no colchão.

– A nossa perícia concluiu que não foi pelo carregador, agora, se foi criminoso ou não, a Polícia Civil que vai investigar. As fotos mostram o celular da vítima e o carregador, mesmo queimado por fora, ele está incólume por dentro – comenta.

Emerson Ribeiro de Paula estava internado no Hospital Regional São Paulo, de Xanxerê, desde 07 de janeiro. O fato ocorreu no Condomínio João de Barro, no Bairro Vila Sésamo, durante a madrugada. Agora o fato será investigado pela Polícia Civil.

Confira a nota divulgada pelo Corpo de Bombeiros:

Nota explicativa sobre a Perícia em Incêndio Nº 2120 – 14º BBM Xanxerê

No dia 07 de janeiro de 2020 o Corpo de Bombeiros Militar de Xanxerê atendeu ocorrência de incêndio com vítima, a qual apresentava ferimentos causados pelas chamas em grande extensão do corpo, com queimaduras de 1º, 2º e 3º graus. A vítima faleceu em 12 de janeiro de 2020.

Segundo a vítima do incêndio, teria ocorrido uma explosão do carregador de seu celular e iniciado o fogo sobre sua cama. A ocorrência foi atendida também pela Polícia Militar – que registrou o fato.

Foi realizada Perícia no local pela equipe do Corpo de Bombeiros Militar e pelo Instituto Geral de Perícias no dia 08 de janeiro de 2020, acompanhados pela irmã da vítima, que presenciou o sinistro.

Ressalta-se que a Perícia realizada pelo CBMSC não tem finalidade penal, mas possui cunho administrativo e visa, prioritariamente, retroalimentar o Ciclo Operacional de Bombeiro, especialmente no campo preventivo. Doutro norte, o Órgão responsável por perícias criminais é o IGP.

O Laudo Pericial do CBMSC foi finalizado no dia 13 de janeiro de 2020.

Daquilo que se constatou no local e correlacionando os elementos obtidos, foi excluída a possibilidade de explosão do aparelho celular, na medida em que:

a) no momento do incêndio não havia nenhum equipamento ligado à tomada que estava junto à cama;

b) Não houve nenhum dano interno ao carregador que indicasse que o mesmo estivesse com sobreaquecimento ou que tivesse explodido;

c) Não houve nenhum dano no aparelho celular que indicasse que o mesmo teve sobreaquecimento ou que tenha explodido.

Cabe salientar que:

“Para fins de perícia em incêndio e explosão, explosão é uma conversão instantânea de energia potencial em energia cinética com a produção de gases sob pressão os quais realizam trabalho mecânico (NFPA, 2011, p. 184). Os trechos chave da definição acima são: conversão instantânea de energia, relacionado à origem da explosão e; gases sob pressão que realizam trabalho, diretamente ligado a forma de desenvolvimento da explosão e seus resultados nas áreas próximas.”(MORAES, 2015).

No caso em questão, não há indicação de que houve explosão, na medida em que os equipamentos relacionados estavam preservados – apenas com queima externa (ou seja, de fora para dentro). Ainda, não há indicação de que se trata de fenômeno termoelétrico, porquanto a queima nos condutores elétricos é preponderantemente externa, ou seja, decorrente das chamas e no momento do início do incêndio não havia nenhum dispositivo conectado à tomada que estava sobre a cama.

Após o descarte das demais possibilidades (causas naturais, acidentais, ação humana indireta), não se pôde descartar no Laudo a possibilidade de ação humana direta.

Na ação humana direta (terminologia utilizada pela doutrina de investigação de incêndios e explosões do CBMSC) um agente, por vontade livre e consciente faz com que o incêndio/explosão aconteça por meio de ato comissivo ou omissivo. Ressalta-se, por conseguinte, que o Laudo e as demais circunstâncias serão avaliados pela Polícia Civil que, junto ao Laudo emitido pelo IGP, verificará se se trata de conduta criminosa ou não.

No presente caso, maiores detalhes não serão divulgados pelo CBMSC, na medida em que se trata de documento que passou a instruir procedimento investigativo policial e a verificação de concessão de publicidade ao documento – por se tratar de ponderação entre a informação, o interesse público e a intimidade da família da vítima – cabe à Autoridade Policial responsável pelo caso.

Xanxerê, 14 de janeiro de 2020

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