11 de maio de 2026
Segurança

Mãe deixa a própria vida para trás para cuidar do filho após acidente e transforma dor em exemplo de fé e superação

Há seis anos, Ironi Aparecida Cavalheiro dedica a vida aos cuidados do filho, que ficou tetraplégico após grave acidente de trabalho.

Por Oeste Mais

Atualizado em 10/05/2026 | 12:03:00

O Dia das Mães tem um significado ainda mais profundo para Ironi Aparecida Cavalheiro, de 50 anos, moradora de Vargeão, no Oeste catarinense. Há quase seis anos, ela vive integralmente para cuidar do filho Diego Alencar Batisti, hoje com 36 anos, que ficou tetraplégico após sofrer um grave acidente de trabalho em novembro de 2019.

Desde então, a rotina da família mudou completamente. Ironi deixou o emprego para se dedicar ao filho em tempo integral. Antes do acidente, ela trabalhava na mesma empresa que Diego e levava uma vida ativa. Tudo mudou no dia em que recebeu a notícia de que o filho havia se ferido gravemente.

“Minha vida mudou 100%. Eu deixei tudo para cuidar dele. Ser mãe é cuidar, proteger, amar e fazer o impossível virar possível”, resume.

O acidente que mudou tudo
 
No dia 1º de novembro de 2019, Diego sofreu um acidente em Vargeão, em uma indústria de papel e embalagens em que trabalhava. Uma madeira de aproximadamente dois metros atingiu a região próxima ao olho dele, causando um grave traumatismo craniano e lesões severas no tronco cerebral.
 
Ele foi levado ao Hospital Regional do Oeste, em Chapecó, onde a família recebeu poucas esperanças dos médicos. Ironi lembra que os profissionais chegaram a dizer que não havia o que fazer.
 
“Eles me chamaram e disseram que não tinha como fazer a cirurgia. Mas eu insisti. Eu dizia que Deus ia ajudar e que meu filho iria viver”, recorda.
 
Segundo ela, os médicos informaram que a cirurgia poderia durar cerca de 13 horas, mas, por sorte, o procedimento foi rápido e terminou em aproximadamente uma hora e meia. Diego permaneceu internado em uma UTI móvel até conseguir uma vaga na UTI do hospital.
 
Pouco tempo depois, o estado de saúde piorou ainda mais.
 
“Me ligaram cedo pedindo para eu ir ao hospital porque não tinha mais o que fazer. Era para os familiares se despedir dele”, conta.

A fé em meio ao desespero

Em meio à dor, Ironi buscou forças na fé. Ela foi até uma igreja em Chapecó e depois até uma pequena gruta atrás da igreja, onde fez uma oração pedindo pela vida do filho.

“Eu implorei para Deus deixar meu filho vivo”, relembra.

Ela conta que, naquele momento, viveu algo que considera um milagre. Segundo Ironi, após a oração, sentiu uma paz profunda e teve a certeza de que Diego sobreviveria. “Eu voltei para o hospital dizendo que meu filho estava vivo”, afirma.

Quando chegou à unidade, recebeu a notícia de que Diego havia retomado os sinais vitais. “O médico disse que tinha alguma força mantendo ele vivo. E eu respondi: ‘Eu sei, é Deus’”, disse emocionada.

Meses sem dormir para cuidar do filho

Ao todo, Diego ficou 60 dias internado, sendo 19 deles na UTI. Depois, voltou para casa, onde passou meses dependendo de cuidados constantes. Durante quatro meses, utilizou traqueostomia e a alimentação precisou ser feita por sonda durante seis meses.

Ironi conta que praticamente não dormia. “Eu alimentava ele de três em três horas e dava água nos intervalos. Passei seis meses acordada, dia e noite. Só consegui dormir de verdade quando percebi que ele estava melhor”, lembra.

Mesmo diante das dificuldades, ela afirma que nunca pensou em desistir.

“Se tivesse que fazer tudo novamente, eu faria.”

Desde o acidente, Ironi levou Diego para diversos tratamentos em busca de melhorias. Em 2021, mãe e filho passaram um mês na Rede Sarah de hospitais, referência em reabilitação no país. Também buscaram atendimento em clínicas especializadas no Litoral catarinense.

Apesar das limitações, Diego segue ao lado da família. Ele fala com dificuldade, mas compreende tudo, escuta, lembra das pessoas e participa da rotina da casa.

“Meu filho está aqui comigo, e eu agradeço todos os dias por isso. Nós somos felizes”, afirma Ironi.

“Nunca desista”

Neste Dia das Mães, Ironi deixa uma mensagem para mulheres que enfrentam situações parecidas.

“Tenha fé. Nunca deixe ninguém abalar você. Erga a cabeça e cuide com carinho, porque eles não têm culpa disso. Eu aprendi a ser feliz nessa nova vida que vivo.”

Ela também agradece pelas correntes de oração e apoio recebidas de moradores de Vargeão e de outras cidades.

“As orações valeram muito. Só de alguém dizer ‘meu Deus’, já estava enviando uma energia boa para nós. Sou muito grata por tudo.”

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