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Informações são do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Polícia Federal, que definiram a situação como análoga à escravidão. Veja imagens e detalhes de como o idoso vivia.
Um idoso de 69 anos de idade foi resgatado em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, de uma situação definida como análoga à escravidão. As informações são da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e da Polícia Federal (PF), responsáveis pelo flagrante.
De acordo com os órgãos, o homem era obrigado a trabalhar 24 horas por dia como vigilante em uma empresa de venda e locações de carros e máquinas e era submetido a viver em um "cenário extremo de degradação".
O idoso não tinha contrato de trabalho e nem carteira assinada, foi colocado para dormir na cabine de um caminhão, não tinha água encanada disponível e tinha que sair correndo para comprar alimentos em um mercado próximo, porque tinha a responsabilidade de manter vigilância total na empresa, segundo os auditores-fiscais do trabalho da SIT/MTE. Veja detalhes mais abaixo.
O nome da empresa não foi divulgado.
"O trabalhador era submetido a um cenário extremo de degradação humana, enfrentando falta de alimentação adequada, ausência de água potável, condições precárias de higiene e jornadas exaustivas sem descanso semanal remunerado. Um cenário chocante de abandono", afirma a PF.
De acordo com as autoridades, o homem é natural de Tibagi e morava em Ponta Grossa há alguns anos, mas vivia na empresa desde junho de 2025. Ele era remunerado com R$ 400 por semana.
Os auditores-fiscais do trabalho afirmaram que, apesar de não terem sido constatados indícios de restrição física de liberdade ou violência direta, eles verificaram "um contexto de intensa vulnerabilidade social e exploração laboral incompatível com a dignidade humana e com os direitos mínimos assegurados pela legislação trabalhista brasileira".
Após o resgate, a rede de assistência social foi acionada para atendimento imediato da vítima. Também foram disponibilizados medicamentos, assistência médica e acompanhamento social ao trabalhador resgatado. Ele foi encaminhado a um abrigo.
Agora, a empresa e os responsáveis por ela serão investigados e, segundo a PF, deverão responder pelo crime de redução à condição análoga à de escravo, previsto no Código Penal Brasileiro. A pena pode chegar a oito anos de prisão, além de multa e outras sanções trabalhistas.
"O Ministério do Trabalho informou que dará sequência aos procedimentos administrativos para garantir o pagamento das verbas trabalhistas devidas ao idoso, além do encaminhamento dele para atendimento social e acompanhamento especializado. A Polícia Federal seguirá investigando o caso para apurar possíveis outras irregularidades e identificar todos os envolvidos na exploração", diz a PF.
A Polícia Federal afirma que o idoso estava vivendo em um ambiente considerado insalubre e incompatível com qualquer condição digna de trabalho e sobrevivência.
"As equipes constataram a ausência de estrutura básica, além de sinais claros de exploração contínua. Conforme o relatório preliminar, o trabalhador realizava atividades diárias sem acesso adequado a alimentação, descanso ou assistência mínima".
Entre os problemas apontados, estão a jornada de trabalho considerada exaustiva e as condições do local que era disponibilizado ao idoso. Veja, abaixo, alguns detalhes revelados pelos auditores-fiscais do trabalho:
o trabalhador permanecia permanentemente à disposição para vigilância do local, sem delimitação clara de jornada ou períodos adequados de descanso;
devido à falta de tempo delimitada ao descanso, ele saía muito rápido do posto de trabalho para ir comprar algum alimento em um mercado próximo, e sempre ia correndo;
o idoso dormia na cabine de um caminhão (que está à venda na empresa) em condições precárias, bastante suja e com apenas algumas cobertas finas, mesmo diante das baixas temperaturas registradas durante as madrugadas na região;
o acesso à cabine era extremamente difícil para sua condição física; o caminhão possuía escada elevada para acesso à cabine e a vítima apresentava limitações de locomoção e dificuldade para caminhar em razão da idade e de diversas comorbidades;
embora houvesse um banheiro instalado na propriedade, não existia fornecimento de água encanada ou potável no local. Para conseguir água, o trabalhador precisava caminhar por estrada de terra até uma empresa vizinha, localizada a cerca de 100 metros do imóvel, carregando galões manualmente;
ele tomava banho na empresa vizinha, esporadicamente e por solidariedade dos vizinhos.
ele não tinha espaço e condições para organizar as os próprios pertences e possuía uma cozinha bastante precária, com apenas um fogão de duas bocas.
"O trabalhador era submetido a um cenário extremo de degradação humana, enfrentando falta de alimentação adequada, ausência de água potável, condições precárias de higiene e jornadas exaustivas sem descanso semanal remunerado", reforçam os auditores.
Como denunciar
A situação do idoso foi descoberta após o recebimento de denúncias.
Casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma anônima e segura por meio do Sistema Ipê, plataforma gerenciada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).
Acesse neste link
A ferramenta foi desenvolvida em parceria entre a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Inspeção do Trabalho brasileira e integra as ações permanentes da Auditoria-Fiscal do Trabalho no combate ao trabalho escravo contemporâneo.
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