15 de maio de 2026
Segurança

Dono de rede odontológica é indiciado por mandar matar diretor da empresa no Paraná

Empresário mandou matar funcionário por acreditar que ele estava tentando assumir controle da rede de franquias.

Por Oeste Mais

Atualizado em 15/05/2026 | 11:50:00

O dono da rede odontológica Odonto Excellence, Oséias Gomes de Moraes, foi indiciado pela Polícia Civil do Paraná, por mandar matar o diretor da empresa José Claiton Leal Machado, em abril de 2022, em Ponta Grossa (PR).

Para o delegado Luis Gustavo Timossi, o empresário mandou matar o funcionário por acreditar que ele estava tentando assumir o controle da rede de franquias, que possui quase mil clínicas odontológicas no Brasil e em outros países.

Em nota, a defesa de Oséias Gomes afirma que "a narrativa nos autos do processo é nitidamente contrária ao que está sendo ventilado" e que "Oséias foi vítima de criminosos, que estavam lhe extorquindo e visavam ganhos financeiros eternos".

"Trata-se de uma grande trama que será desvelada em breve. Oseias é um empresário íntegro, honesto, sem qualquer antecedente criminal e nunca teve qualquer motivo para mandar matar a vítima. Isso é um absurdo”, disse o advogado Claudio Dalledone Junior.

O dono da empresa disse que a empresa não vai se manifestar.

Ao longo da investigação sobre o crime, outras quatro pessoas, entre executores e intermediários, responderam a processos separados. 

Segundo a polícia, a vítima foi alvo de uma emboscada enquanto chegava em casa no final da tarde de 19 de abril de 2022. Ele estava entrando com o carro na garagem, com a filha dentro do veículo, quando foi atacado por dois homens. O diretor da empresa chegou a lutar com os criminosos e sacou a própria arma para tentar reagir, mas foi rendido e morto a tiros.

"O crime foi praticado através de uma ação coordenada e planejada, executada mediante emboscada em frente à residência da vítima. O mandante teria utilizado uma rede de intermediários e operadores financeiros para viabilizar a execução, realizada por terceiros já indiciados anteriormente", aponta Timossi.

O delegado justifica que o inquérito levou quatro anos para ser finalizado devido ao trabalho investigativo ter sido complexo, envolvendo quebra de sigilos bancários, análise de dados telemáticos (como de mensagens trocadas pelos envolvidos, por exemplo), oitivas de diversas testemunhas, entre outras diligências.

Segundo ele, no início da investigação, o nome do empresário foi citado por envolvidos, mas ainda faltavam provas concretas, obtidas recentemente, para o indiciamento de agora.

O delegado ressalta que foram identificadas transferências bancárias de contas controladas pelo investigado para as contas de operadores logísticos do crime em datas próximas ao homicídio, somando valores utilizados para o custeio da operação e pagamento dos executores, e que antes morrer a própria vítima havia manifestado a familiares o receio por sua integridade física, apontando o CEO como o principal interessado em eventual atentado contra sua vida.

Homicídio qualificado

Oséias Gomes foi indiciado por homicídio qualificado - por motivo torpe, pagamento de recompensa e emboscada, que dificultou a defesa da vítima - na condição de mandante intelectual e financiador do crime.

O inquérito foi encaminhado para análise do Ministério Público do Paraná (MP-PR), que agora avalia se vai oferecer, ou não, denúncia criminal à Justiça.

Outros cinco homens envolvidos no crime

O delegado Luis Gustavo Timossi destaca que a conclusão do inquérito contra Oséias Gomes é fruto de uma progressão investigativa baseada em inquéritos anteriores, que apontaram a participação direta de outros cinco homens no crime, segundo a polícia:

• Paulo Santos da Silva, réu por coordenar o ataque, mas está foragido;
• Wallax Alves da Silva, enteado de Paulo, réu por receber e repassar dinheiro aos executores do crime. Ele aguarda o julgamento em liberdade;
• João Victor da Gama Cezário, réu por receber e repassar dinheiro aos executores do crime. Ele aguarda o julgamento em liberdade;
• Douglas Roberto Ferreira, que chegou a ser indiciado por executar o assassinato junto a Diones, mas não será julgado porque foi impronunciado (a Justiça entendeu que não há provas suficientes). Ele está foragido por outros crimes;
• Diones Henrique Rodrigues Raimundo, que foi condenado por executar o crime e está preso.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Utilizamos cookies para personalizar anúncios e melhorar a sua experiência no site. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa Política de Privacidade.